O PSD do distrito de Vila Real recusou esta quinta-feira que o Governo tenha fechado a porta à criação da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Tâmega, realçando que o Hospital de Chaves está a receber investimento.
O Partido Socialista na Assembleia da República e o presidente da Câmara de Chaves, o socialista Nuno Vaz, acusaram a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, de voltar atrás na intenção de criar a ULS do Alto Tâmega e Barroso, centrada no Hospital de Chaves.
A Comissão Política Distrital do PSD de Vila Real garantiu esta quinta-feira, em comunicado, que o “Governo não fechou a porta à criação da ULS do Alto Tâmega e Barroso” e que “há um processo em curso”.
“O Governo está, neste momento, a atualizar o estudo do processo administrativo, do plano de negócios e do perfil assistencial necessários à eventual criação da nova ULS e irá ouvir os autarcas dos municípios da respetiva área de influência, já no próximo dia 14 de outubro, em Lisboa, de forma a processarem em conjunto e assegurarem qualquer decisão que seja sustentável e capaz de produzir ganhos concretos para a população”, anunciou o PSD.
Referiu ainda que foi assumida “uma posição de abertura favorável à avaliação e concretização dessa solução, desde que estejam reunidas as condições para que ela represente uma verdadeira melhoria na prestação de cuidados, na gestão dos recursos, na articulação dos serviços e no acesso das populações à saúde”.
Em novembro de 2024, Ana Paula Martins admitiu a criação de uma ULS no Alto Tâmega, reclamada desde 2011, apontando que este não seria um processo simples e que demoraria algum tempo e, na semana passada, no parlamento, a ministra foi novamente questionada sobre o tema, revelando que o Governo não tem a garantia de que os profissionais aceitam ficar efetivamente numa nova ULS.
O PSD referiu que uma “ULS não pode ser apenas uma mudança administrativa”, que esta “não se cria apenas por decreto” e que “uma nova ULS só fará sentido se trouxer mais médicos, mais profissionais, mais capacidade de resposta, melhor articulação dos serviços e melhor acesso à saúde”.
O autarca de Chaves acusou ainda a ministra de não cumprir promessas relacionadas com a ampliação do horário de funcionamento da urgência pediátrica, do internamento em pediatria e na unidade de cuidados continuados.
No comunicado, o PSD frisou que o Hospital de Chaves “é fundamental e está a receber investimento”, referindo que não ignora, no entanto, as dificuldades existentes naquela unidade inserida na ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), que tem sede em Vila Real.
Os sociais-democratas referiram que a própria ULSTMAD reconhece constrangimentos na pediatria, na medicina interna, cardiologia, imunoalergologia e ortopedia, mas garantiram que “não é verdade que nada esteja a ser feito”.
Destacaram os investimentos concretizados naquele hospital do norte do distrito e que, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), está contratualizado um investimento de 6,1 milhões de euros para a requalificação do serviço de pediatria e dos internamentos das unidades hospitalares de Vila Real e Chaves, estando ainda previstas intervenções em centros de saúde.
Quanto à unidade de cuidados intermédios do Hospital de Chaves, o PSD disse que, segundo a informação transmitida pela própria ULS, “está em condições de abrir durante este mês de outubro”.
A Comissão Política Distrital do PSD de Vila Real disse respeitar as preocupações dos autarcas, dos profissionais de saúde e das populações, e rejeitou que uma reivindicação legítima e antiga do Alto Tâmega e Barroso “seja transformada numa disputa partidária”, sublinhando que esta comunidade “não precisa de mais uma guerra política”.