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Ao fim dos 120 minutos, quando Villarreal e Manchester United não conseguiram desfazer o nulo e ficou confirmado que a final da Liga Europa ia mesmo seguir para o prolongamento, não era difícil dizer que Bruno Fernandes não estava a realizar uma grande exibição. O internacional português, que foi capitão na ausência de Harry Maguire, não estava a ter a influência habitual, não estava a rematar com eficácia e não estava a atacar com acutilância. E foi preciso que os 90 minutos terminassem para perceber a verdadeira importância de Bruno Fernandes no cerne da equipa.

O Submarino nunca afundou, flutuou e chegou ao melhor porto da história (a crónica da final da Liga Europa)

Enquanto todos os jogadores do Manchester United bebiam água e conversavam, sem grande espírito de grupo e sem formar a habitual roda de motivação que se cria nestas alturas, o jogador português foi gritando palavras de ordem e indicações, acabando por conseguir que todos se juntassem durante alguns segundos de concentração. Keep running!, gritou, recordando a importância de manter a intensidade e não permitir que o Villarreal conseguisse chegar com perigo à baliza de David de Gea. 

No fim, o Manchester United perdeu. Bruno Fernandes cumpriu e converteu a grande penalidade, assistindo depois ao falhanço de De Gea que permitiu a defesa de Rulli e deu a Liga Europa ao Villarreal depois de 22 penáltis. Assim que o guarda-redes dos espanhóis defendeu o remate do guardião dos ingleses, o internacional português deixou-se cair, com as mãos na cabeça, levantando-se já com lágrimas nos olhos e sem conseguir esconder a tristeza. O médio ex-Sporting, que na primeira final europeia da carreira assumiu a braçadeira de capitão e mostrou a liderança que já assume num gigante europeu apenas um ano e três meses depois de ter chegado a Old Trafford, falhou a conquista do primeiro troféu europeu ao nível de clubes e do primeiro troféu com o Manchester United.

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Para a história, fica a extraordinária conquista do Villarreal, cujo último troféu tinha sido a vitória na terceira divisão espanhola em 1970. A título individual, e para além de ter levado o clube à vitória na competição sem sofrer qualquer derrota, Unai Emery voltou a provar que é mesmo o Mr. Liga Europa e ganhou a prova pela quarta vez, tornando-se o treinador com mais troféus conquistados na história do torneio. O técnico espanhol voltou assim a sorrir e ganhou a quarta final em cinco disputadas, tendo apenas perdido com o Arsenal em 2019, contra o Chelsea.

O feito do Villarreal alarga ainda um percurso assinalável por parte dos clubes espanhóis: nenhum clube proveniente de Espanha perde uma final europeia, da Liga Europa ou da Liga dos Campeões, frente a uma equipa estrangeira desde 2001, quando o Valencia foi derrotado pelo Bayern Munique na final da Champions.