A TAP vai pagar os subsídios de férias e os salários em atraso dos trabalhadores da Groundforce. De acordo com um comunicado, o Ministério das Infraestruturas e da Habitação revelou ter visto “reunidas as condições para uma resolução definitiva da instabilidade que se vive na empresa” e ir proceder ao pagamento dos valores em causa.

Após a decisão do juízo central cível de Lisboa que declarou improcedente a providência cautelar interposta pela Pasogal para impedir o Montepio de alienar a participação na Groundforce, o Ministério das Infraestruturas e da Habitação considera que estão “reunidas as condições” para travar a instabilidade da empresa e numa reunião com sindicatos da Groundforce foi anunciado que “a TAP vai proceder ao pagamento do valor correspondente ao subsídio de férias e às anuidades em atraso diretamente aos trabalhadores da Groundforce”.

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“Esta foi a solução encontrada para ultrapassar a recusa na semana passada da administração da Groundforce em aceitar a transferência da TAP que permitiria o pagamento aos trabalhadores do subsídio que lhes era devido”, pode ler-se no comunicado. O ministro já tinha deixado esta garantia na terça-feira, em audição no parlamento. Reafirma-o agora, após a reunião com as estruturas sindicais.

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À Rádio Observador, a Comissão de Trabalhadores da Groundforce revela que esta notícia é uma “lufada de ar fresco”. Ainda que receba bem esta novidade, a Comissão de Trabalhadores não avança se este passo pode levar ao cancelamento das próximas greves, remetendo para os sindicatos.

Ouça aqui a entrevista com Eugénia Varzielas, que integra a Comissão de Trabalhadores da Groundforce.

Groundforce. Trabalhadores consideram o acordo “uma lufada de ar fresco!”

Na semana passada, o Governo e alguns sindicatos tinham chegado a acordo para que a TAP adiantasse 5 milhões de euros à Groundforce para assegurar o pagamento dos subsídios de férias dos trabalhadores, mas o maior acionista da empresa de handling, Alfredo Casimiro, rejeitou e bloqueou esse acordo, considerando que a companhia aérea deveria, em vez disso, pagar as dívidas que tem para com a empresa (e que Casimiro estima em cerca de 12 milhões de euros).

Com o acordo desfeito, os trabalhadores avançaram para uma greve (a 17 e 18 de julho), convocado por apenas um sindicato (o STAH), que resultou no cancelamento de 650 dos 1.050 voos programados para esse fim-de-semana.

Quanto à decisão agora de a TAP pagar diretamente os salários aos trabalhadores, o ministério deu poucos pormenores, mas já é o Grupo TAP que presta este tipo de serviços administrativos – como o processamento de salários – à Groundforce. À Rádio Observador, em março, Alfredo Casimiro criticou precisamente o alto valor cobrado pela TAP para executar este serviço.

Além destes pagamentos, a companhia aérea vai também “abreviar o pagamento definido contratualmente para saldar a fatura relativa a serviços prestados em junho”, com o intuito de assegurar que a administração da Groundforce tem “liquidez suficiente para pagar integral e atempadamente os salários dos trabalhadores relativos ao mês de julho”. Ou seja, segundo apurou o Observador, a fatura em causa estaria a pagamento em 31 de julho. Mas como os salários na Groundforce são pagos a 28 de julho, a ideia será o de antecipar o pagamento da fatura em causa para acomodar essa data.

A falha de pessoal da Groundforce obriga ao pagamento de cerca de 4 milhões de euros por mês. Aliás, o pagamento de pessoal representa cerca de 72% da estrutura de custos da empresa.

O Governo acredita que a venda por parte do Montepio das ações da Pasogal tenha “um desfecho positivo nos próximos dias”. “No entanto, caso essa venda não se concretize muito em breve, o Governo avançará de imediato com as ações necessárias para garantir a mudança acionista indispensável para a viabilização da empresa”, pode ler-se no comunicado do Ministério das Infraestruturas, acrescentando que essa alteração “permitirá também cumprir com o que é devido aos trabalhadores, nomeadamente, em matéria de progressões na carreira”.

Tal como na questão dos salários, também na terça-feira o ministro tinha dado esta garantia, mas também sem dar mais pormenores.