Um documento interno do Centro de Controlo de Doenças (CDC) norte-americano, a que o The Washington Post teve acesso, avisa que “a guerra mudou”: a variante delta é tão contagiosa como a varicela e muito mais transmissível do que a gripe. “É preciso admitir que a guerra mudou e melhorar as comunicações sobre os riscos individuais entre pessoas vacinadas”, apelaram os especialistas.

O relatório afirma que as pessoas vacinadas podem continuar a transmitir o vírus, embora isso aconteça raramente. Mesmo assim, no caso de uma infeção pela variante delta, que já é dominante, essa probabilidade aumenta: mesmo os vacinados, se apanharem esta linhagem do SARS-CoV-2, podem correr o mesmo risco de infetar os outros que as pessoas não vacinadas.

Rochelle Walensky, diretora do CDC, confirmou a veracidade do documento e explicou que “as altas cargas virais sugerem um risco acrescido de transmissão e uma preocupação aumentada de, ao contrário de outras variantes, as pessoas infetadas com a delta poderem transmitir o vírus”. É por isso que os peritos querem retroceder no alívio nas medidas de proteção individual e voltar à obrigatoriedade no uso de máscara, mas também tornar obrigatória a vacinação dos profissionais de saúde.

No entanto, o relatório em causa, chamado “Melhorando as Comunicações sobre o Avanço da Vacina e a Eficácia”, reitera que a vacinação contra a Covid-19 continua a ser uma arma importante no combate à pandemia: quem não a recebe tem um risco 10 vezes maior de desenvolver quadros clínicos severos de Covid-19 e de morrer do que quem está vacinado.

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Na origem dos avisos vindos do CDC está um estudo norte-americano, conduzido no Massachussets, que afirma que três quartos dos novos casos detetados durante um surto em Provincetown eram de pessoas totalmente vacinadas contra a Covid-19. As autoridades de saúde também notaram que, a 26 de julho, dia em que os Estados Unidos registaram 52.395 novos casos de infeção pelo SARS-CoV-2, mais de 6.500 estavam totalmente vacinados.

Não é de estranhar que as pessoas vacinadas acabem infetadas pelo SARS-CoV-2: por um lado, nenhuma vacina tem uma eficácia de 100%, pelo que ela não funcionará numa determinada percentagem das pessoas inoculadas; e, por outro lado, o propósito da vacina é evitar que as pessoas desenvolvam quadros clínicos graves de Covid-19, mesmo que fiquem infetadas. De resto, à medida que uma porção maior da população apanha a vacina, mais vão ser os casos detetados entre as pessoas vacinadas.