Já esteve em Portugal o primeiro C5 X, o novo topo de gama da Citroën, com a marca francesa a voltar assim a oferecer um porta-estandarte, depois de um interregno de quatro anos. Trata-se de uma unidade que se encontra a realizar um périplo por oito países europeus, findo o qual regressará a França. Simultaneamente, o novo modelo visa satisfazer os condutores que pretendem um sucessor de modelos saudosos como os Citroën CX ou XM, que marcaram as respectivas épocas.

O novo C5 X, a ser exclusivamente fabricado na China, chegará ao nosso país apenas no início de 2022, mas a existência de uma meta a curto prazo permite à marca começar a arregimentar potenciais clientes. A aposta do modelo parece ser sobretudo a versatilidade, uma vez que se assume como um misto de berlina de cinco portas e carrinha, com uns pozinhos de SUV (com a ajuda das protecções a negro dos guarda-lamas e embaladeiras), numa tentativa de piscar o olho a um número mais alargado de clientes.

Construído sobre a plataforma EMP2, o C5 X parece exibir uma maior distância ao solo e uma maior altura, ligeira para não prejudicar peso, o comportamento e o rendimento aerodinâmico, mas o suficiente para facilitar o acesso a bordo e incrementar a sensação de espaço. As cinco portas permitem-lhe oferecer uma bagageira com 545 litros (excepto na versão híbrida plug-in, que perde 60 litros), que crescem para 1640 com o rebatimento da segunda fila de assentos.

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Com 4,805 metros de comprimento e 2,785 m de distância entre eixos, o novo modelo da Citroën tenta igualmente cativar quem tem um fraquinho por SUV ou, no limite, por crossover, uma versão mais civilizada e menos radical dos veículos mais à vontade em pisos escorregadios, seja terra ou neve. Isto apesar de o novo porta-estandarte francês nunca usufruir de tracção integral, uma vez que nem tem prevista uma versão híbrida plug-in (PHEV) mais potente ao oferecer um segundo motor eléctrico no eixo traseiro.

Sentados a bordo, encontrámos uma posição de condução correcta. O tablier é atraente e sólido, enquanto os bancos fabricados com recurso a espumas de diferentes densidades garantem um bom nível de conforto, mas não são tão bons quanto os utilizados pela Opel e certificados por reputados especialistas alemães em ergonomia, que a Peugeot também já adoptou.

Tal como acontece nos bancos anteriores, os posteriores são agradáveis e funcionais, com a maior altura a garantir uma entrada e saída facilitada. O Citroën Advanced Comfort, que conjuga suspensão activa (só nas versões PHEV), batentes hidráulicos, maior isolamento acústico e maior conectividade, além dos já mencionados assentos, procura incrementar a sensação requinte a bordo, segundo o fabricante.

O C5 X irá estar disponível com motores exclusivamente a gasolina nas versões mais acessíveis, respectivamente o 1.2 Puretech com 130 cv e o 1.6 Puretech com 180 cv. Mas o mais procurado deverá ser a versão PHEV, que alia o motor a gasolina com 180 cv a um eléctrico com 109 cv, o que totaliza 225 cv. Uma bateria de 11,8 kWh permitirá percorrer cerca de 50 km em modo eléctrico, apesar do valor ainda não estar homologado. Estranhamente, o C5 X da Citroën – marca com tradição na venda desta classe de veículos – não tem direito a incluir na sua gama a versão PHEV com 300 cv e tracção 4×4, que outras marcas da antiga PSA disponibilizam. Admitindo que essa alternativa até pode não ser importante em termos de vendas, é-o em matéria de imagem, especialmente quando se pretende enfrentar os concorrentes alemães, os líderes habituais deste segmento D na Europa.