É o dois em um. Uma vacina que proteja contra a Covid-19 e a gripe sazonal, numa única seringa, é a nova ambição da farmacêutica Moderna. O anúncio de que a empresa quer desenvolver uma vacina única foi feito esta quinta-feira. A ideia é combinar a vacina já existente da Moderna contra a Covid-19 e uma vacina, ainda em desenvolvimento, da mesma farmacêutica contra a gripe sazonal.
Depois do anúncio, no qual foram comunicadas as novas apostas da empresa em termos de vacinação com recurso a tecnologia mRNA, as ações da Moderna subiram. Em abril, o CEO da empresa, Stephane Bancel, já tinha apontado que seria este o caminho a seguir. “O que estamos a tentar fazer na Moderna, na verdade, é obter uma vacina contra a gripe este ano e, em seguida, combinar a nossa vacina contra a gripe à nossa vacina Covid para que só seja necessário receber um reforço… Isso protegeria, todos os anos, da variante de preocupação Covid e da estirpe da gripe sazonal.”
Na altura, Bancel também afirmou que a Moderna acredita ser capaz de desenvolver uma vacina da gripe mais eficaz do que as que existem no mercado, que têm uma eficácia de entre 40% a 60%.
Na véspera do anúncio da Moderna, tinha sido a farmacêutica Novavax a afirmar que já deu o tiro de partida aos testes de uma vacina combinada contra a gripe sazonal e a Covid-19. O ensaio clínico contará com 640 adultos saudáveis, entre os 50 e os 70 anos, e será levado a cabo na Austrália.
No mês passado, um anúncio sobre a possibilidade de juntar vacinas já tinha chegado do Reino Unido. A 18 de agosto, o diretor do Centro de Produção e Inovação de Vacinas de Inglaterra (VMIC, na sigla inglesa) anunciou que um grupo de cientistas iria investigar a possibilidade de combinar as vacinas da gripe e da Covid-19 numa só para agilizar futuros programas de imunização.
Combinar as duas vacinas poderia poupar “muito tempo”, disse Matthew Duchards em declarações ao diário britânico “The Telegraph”, acrescentando que seria “muito mais prático” dar apenas uma injeção, pelo que esse será um dos aspetos que cientistas e produtores de vacinas vão estudar.