O candidato do PPM à Câmara do Porto Diogo Araújo Dantas criticou esta quinta-feira a política de “terra queimada” na cultura, defendendo um apoio financeiro direto a instituições que, como o antigo Museu do Romântico, preservem a história.

“Nós não podemos deixar que a história tal e qual como aconteceu, e que está presente em associações como esta se perca. Não se pode perder o espólio que existe (…) ou ter uma opinião que faça uma política de terra queimada na cultura, sobrepondo com outras obras que podem ter o seu interesse, mas que não se podem sobrepor ou substituir a nossa história”, afirmou esta quinta-feira em visita à Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto.

A Extensão do Romantismo do Museu da Cidade do Porto, antigo Museu Romântico, reabriu portas em 28 de agosto, com o Herbário de Júlio Dinis, numa homenagem ao escritor portuense, este ano figura central da Feira do Livro, tendo desde então estado no centro da polémica.

Contestada por várias forças políticas, a reconfiguração levou até à criação de uma petição pela reposição do espólio oitocentista do Museu Romântico do Porto.

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Criticando a tentativa de reescrever a história, o cabeça-de-lista do Partido Popular Monárquico (PPM), que visitou esta quinta-feira a Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, instituição criada em 1882, lamentou que muitas associações e instituições não resistam ao tempo, por conta da falta de apoios.

“O [antigo] Museu Romântico, esta associação, muitas outras associações que passaram ao longo das décadas, que passaram pela ditadura, conseguiram resistir, mas depois não resistem a estes modernos atuais, por absoluta falta de interesse, que é um novo-riquismo que não percebe a importância da história, a importância do passado para conseguirmos ter um futuro e um rumo sem atalhos, sem desviar daquilo que deve ser”, disse.

Diogo Araújo Dantas afirmou mesmo não compreender e considerou até “um crime” o apoio prestado pelo executivo do atual presidente Rui Moreira, e candidato independente nas eleições de 26 de setembro a um terceiro mandato, à Associação de Jornalistas e Homens de Letras que revelou esta quinta-feira ter, em suspenso, desde o primeiro mandato, o projeto para a instalação de uma biblioteca.

Em conversa com o candidato, a associação indicou que, através do Fundo de Apoio ao Associativismo, foi possível requalificar algumas áreas do seu edifício sede, na baixa do Porto, contudo, há outros projetos como a biblioteca e o auditório que estão por concretizar.

Para o candidato à Câmara do Porto, é necessário um apoio financeiro direto às instituições e projetos que defendam o espólio imaterial do Porto, incluindo-as num “plano maior” ao nível cultural, social ou outro.

“Penso que este é um momento decisivo. Se não defendermos agora [este espólio imaterial] (…), vai deixar de haver este sentimento que é o Porto, essa alma vai-se perder e vamos ser um ‘shopping’ center de multinacionais sem alma e sem coração portuense”, observou.

Diogo Araújo Dantas salientou ainda que o PPM pretende, a partir de 27 de setembro (dia a seguir às eleições autárquicas), promover um amplo nacional debate sobre o regime, onde se possa pensar e falar abertamente sobre o tema.

Concorrem à Câmara do Porto, Rui Moreira (movimento independente “Rui Moreira: Aqui há Porto” — apoiado por apoiado por IL, CDS, Nós Cidadãos, MAIS -, Tiago Barbosa Ribeiro (PS), Vladimiro feliz (PSD), Ilda Figueiredo (CDU), Sérgio Aires (BE), Bebiana Cunha (PAN), António Fonseca (Chega), Diogo Araújo Dantas (PPM), André Eira (Volt Portugal), Bruno Rebelo (Ergue-te), Diamantino Raposinho (Livre).

A Câmara do Porto é liderada por Rui Moreira, cujo movimento elegeu sete mandatos nas autárquicas de 2017, aos quais se somam quatro eleitos do PS, um do PSD e um da CDU.