Obrigado por ser nosso assinante. Beneficie de uma navegação sem publicidade intrusiva.

A primeira sessão de treinos livres dificilmente podia ter sido pior, a segunda com piso molhado mostrou que essas condições poderiam ser uma notícia para Miguel Oliveira depois do sexto melhor tempo. Apesar das notórias dificuldades em estabilizar a moto e conseguir a (lenta) evolução que parecia estar a acontecer nas últimas provas, a distância para os primeiros era grande e sobrava apenas a esperança do piloto.

Os “pequenos fatores” não deram para mais: Miguel Oliveira sai do 21.º lugar no Grande Prémio de São Marino

“Abaixamento de forma? Houve uma série de pequenos fatores, acredito que são pequenos fatores que não estão ligados. Não gosto de conspirações. Não quero ir mais fundo nem ter um entendimento diferente. Pela lesão no pulso? Não, não acho que seja por isso”, comentara na sexta-feira, dizendo que era indiferente encontrar condições de pista seca ou molhada. “Acho que qualquer tipo de piso é bom. Não tenho preferências. A nossa função é estarmos preparados para ambas as condições”, assegurou.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A qualificação acabou por ser um prolongamento daquilo que tinha sido a primeira sessão de treinos livres e, depois de uma 22.ª posição na terceira sessão de treinos livres, o piloto da KTM não foi além do 21.º tempo, na penúltima linha da grelha e com o pior registo do ano, tendo apenas atrás de si Danilo Petrucci, Valentino Rossi (que caiu duas vezes este sábado) e o também italiano Andrea Dovizioso.

“Foi um dia difícil. Não tivemos o ritmo nem a velocidade para ser competitivos e chegar ao mesmo nível que tivemos no ano passado. Tentámos fazer o melhor que podemos e maximizar o que temos. O sentimento na moto é bom, sinto-me bem. Só estamos é muito lentos. O feeling está lá, a velocidade é que não. Temos de continuar a trabalhar”, comentou à sua assessoria de imprensa no final da Q1, falando também dos dois dias de testes que irá realizar entre terça e quarta-feira para tentar melhorar a moto para as últimas corridas: “São os penúltimos testes e sei que ainda podemos melhorar aquilo que temos”.

O traçado de Misano já trouxe vários dias de alegria a Miguel Oliveira, com vitórias e pódios em Moto3 e Moto2 e boas corridas em MotoGP. Este domingo, a sensação seria completamente diferente o máximo que o português poderia aspirar era chegar a uma classificação que valesse pontos, depois do 14.º posto em Aragão que quebrou uma série de Grandes Prémios sem pontuar, algo que se estendia a Brad Binder e aos pilotos da Tech3 da KTM, todos eles com qualificações para esquecer e muito abaixo do que fizeram. Lá na frente, mais uma luta apetecível em perspetiva: as Ducati de Bagnaia e Jack Miller foram as mais rápidas, Fabio Quartararo fechava a primeira linha da grelha mas havia ainda por perto as Pramac de Jorge Martin e Johann Zarco e as Honda de Pol Espargaró e Marc Márquez, que saiu da Q1 para sétimo.

Pecco Bagnaia, que ganhou a sua primeira prova em MotoGP em Aragão, teve uma saída canhão na frente que levantou até dúvidas em relação a uma possível falsa partida e assumiu de imediato o primeiro lugar que trazia da qualificação, com Jack Miller em segundo e Fabio Quartararo em terceiro depois de uma ultrapassagem com resposta imediata de Jorge Martin. Lá atrás, Miguel Oliveira não só não conseguiu ganhar lugares como perdeu uma posição, cruzando a primeira volta em 22.º atrás de Petrucci.

Um erro levou Jorge Martin a ser o primeiro piloto a sair de pista, enquanto Enea Bastianini continuava a subir lugares até a uma quarta posição apenas atrás das duas Ducati e de Quartararo e à frente de Marc Márquez. Miguel Oliveira, num duelo muito interessante com o ídolo Valentino Rossi, ocupava o 21.º posto quando faltavam 19 voltas para o final e começava a haver uma ameaça de chuva em Misano, perdendo essa posição pouco depois para Il Dottore. Enquanto Brad Binder e as Tech3 iam conseguindo melhorar os seus tempos e subir algumas posições, o português não rodava mais rápido e andava em 22.º.

Com Pecco Bagnaia confortável para a segunda vitória consecutiva, era Bastianini que dava nas vistas na frente, aproximando-se de Jack Miller na terceira posição e olhando também para o segundo classificado, Fabio Quartararo. Miguel Oliveira, beneficiando das quedas de Iker Lecuona e Álex Rins, subia ao 20.º lugar, ainda assim muito longe de conseguir voltar a pontuar como em Aragão e tendo apenas atrás Andrea Dovizioso. Sem argumentos e sem mais desistências, o português acabou com a pior classificação em Moto GP (excluindo desistências claro), abaixo dos 18.º lugares em Espanha e na Alemanha em 2018.

Pecco Bagnaia conseguiu mesmo assegurar a vitória, reduzindo mais um pouco a desvantagem no Mundial para o líder Fabio Quartararo, que terminou na segunda posição. Já Enea Bastianini confirmou a grande corrida e conseguiu o seu primeiro pódio em MotoGP, à frente de Márquez. Joan Mir, campeão mundial em 2020, passou Miller mas acabou no quinto posto e ficou mais longe da revalidação do título.

Em atualização