O cabeça de lista do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara de Vila Nova de Gaia, Renato Soeiro, disse esta quinta-feira que existe um “problema grave de iliteracia política” que deve ser combatido pelo “próprio sistema educativo“.

“Nós temos um problema grave de iliteracia política da população portuguesa que podia ser mais combatido pelo próprio sistema educativo, que deveria formar cidadãos com competências políticas básicas”, realçou Renato Soeiro.

O candidato do BE à Câmara de Gaia, no distrito do Porto, explicou que os seus discursos pré-campanha ou outras ideias sobre política estão expostas no livro “Vermelho Vivo“, obra editada este mês sobre Gaia e política autárquica, que junta ainda testemunhos de figuras bloquistas como Catarina Martins, José Manuel Pureza ou José Soeiro.

A intenção foi tentar elevar um bocado o nível da discussão. A obra tem algumas das ideias minhas, como de muitos outros, (…) [tem] o contributo de pessoas que têm pensamento profundo sobre várias matérias e que acharam boa ideia contribuir para que a campanha não fosse só panfletos, ou seja, há aqui algo que fica e que permite às pessoas estudarem um bocado de política”, salientou.

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Renato Soeiro, que falava à Lusa durante a visita ao Centro Social e Paroquial de Vilar de Andorinho, que presta apoio a cidadãos da terceira idade, apontou que este tipo de instituições só encontram “bloqueios” por parte do Estado.

“Têm vontade, têm instalações, têm todas as possibilidades de fazer um bom trabalho, mas em vez de terem apoios da Segurança Social, têm bloqueios, o que é uma coisa chocante”, referiu.

Ainda sobre a terceira idade, Renato Soeiro salientou que o Estado se tem demitido muito numa área que tem tido um investimento de instituições particulares ou privadas que “resolvem o problema”.

“Mas estes apoios fundamentais [do Estado] são um direito dos cidadãos e, portanto, tem que haver um empenhamento das entidades públicas e todo o apoio dos privados é bem-vindo mas não é uma obrigação”, salientou.

Sobre o tema da educação, o candidato do BE a Gaia entende que, tal como a partir dos 6 anos as crianças têm direito à escola pública, universal e gratuita, também para crianças abaixo dos 6 anos este formato devia existir.

“Para as crianças mais pequenas, a escola é um trabalho educativo, não é apenas para apoiar os pais. É para as crianças terem um contacto com a educação. A intervenção precoce junto de bebés e crianças muito pequenas é um aspeto fundamental de uma tarefa de educação”, frisou.

Para Renato Soeiro, as autarquias devem ter um papel nestas áreas mas tem de ser o Estado central a “redefinir a lógica”.

São cabeça de lista à Câmara de Vila Nova de Gaia nas eleições de domingo o atual presidente, Eduardo Vítor Rodrigues (PS), Vítor Marques (coligação Movimento por Gaia — MPT/PDR), Diana Ferreira (CDU), Renato Soeiro (BE), Alcides Couto (Chega), Cancela Moura (PSD/CDS-PP/PPM), Nuno Gomes de Oliveira (PAN), Orlando Monteiro da Silva (Iniciativa Liberal) e Ana Poças (Livre).