São 11,9 milhões de ficheiros confidenciais que foram investigados por jornalistas de 117 países. A revelação dos Pandora Papers, o novo projeto do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), já está a envolver nomes de dezenas de políticos de todo o mundo, mas não só: há estrelas do mundo das artes ou do futebol envolvidas no novo escândalo sobre o uso de companhias offshore para guardar fortunas.

É o caso de Shakira, a cantora colombiana que soma êxitos um pouco por todo o mundo. Como revela o jornal espanhol El País, um dos parceiros do ICIJ, ou o Expresso, também parceiro do consórcio, Shakira será uma das clientes do OMC Group, um dos escritórios especializados em negócios offshore, que tem sede no Panamá e é um dos preferidos para este tipo de atividades na América Latina. Terá sido a esse escritório, conta o jornal, que Shakira terá recorrido para usar três empresas registadas nas Ilhas Virgens Britânicas — um território muitas vezes apontado como offshore –, a Light Productions Limited, a Light Tours Limited e a Titania Management Inc.

Segundo o El País, as três empresas terão sido abertas em abril de 2019 através do tal escritório, mas os representantes da cantora recusam que o objetivo de as usar tenha sido com fins ilegais: “Baseia-se numa questão puramente operacional e comercial e em nenhum caso para usufruir de vantagem ou benefício fiscal”, sublinham.

Como explicam os próprios jornalistas que investigaram os Pandora Papers, usar uma empresa offshore não é, só por si, uma ilegalidade, desde que isso seja declarado junto das autoridades do país em que se reside. O problema é que essas empresas podem beneficiar de baixos impostos, do “anonimato” e da “ausência de registos de contas e de beneficiários reais” das suas atividades e muitas vezes isso é utilizado para esconder património ou cometer ilegalidades.

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