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A Evergrande é um caso isolado e a maioria das promotoras imobiliárias chinesas estão em situação estável, garantiu esta sexta-feira o Banco Popular da China, quebrando um longo silêncio que se arrastava há várias semanas, desde que as dificuldades financeiras da Evergrande começaram a desestabilizar os mercados financeiros mundiais.

Nos últimos dias, houve notícias sucessivas de mais falhas de pagamento de dívida por parte da Evergrande – credores que dizem não ter recebido o capital ou juros devidos nas datas previstas – e poderá estar iminente a declaração formal de incumprimento por parte da empresa. Essa declaração formal ainda não aconteceu porque várias importantes linhas de financiamento têm previsto, nas suas regras, períodos de graça de 30 dias.

Enquanto essa declaração não surge, o Banco Popular da China vem, com este comunicado, confortar aos mercados financeiros de que não existirá um fenómeno de contágio significativo. Os riscos para o sistema financeiro são “geríveis“, indicou o banco central, atenuando os receios de que a falência da Evergrande pudesse causar um “momento Lehman” comparável ao que surgiu após a falência do banco norte-americano Lehman Brothers em 2008.

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A declaração do Banco Popular da China pede, também, que os bancos continuem a financiar as empresas do setor da promoção imobiliária, de forma “estável e ordeira”, com a garantia de que a “política monetária irá continuar a ser flexível” e aquela que for “apropriada”.

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Por outro lado, as empresas deste setor, e os seus acionistas, são instados a cumprirem as suas obrigações e os pagamentos de dívida que estão previstos.

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Os receios em torno de Evergrande atenuaram-se nos últimos dias, com a atenção dos mercados financeiros mundiais a virar-se mais para outras matérias como o ritmo de redução de estímulos monetários nos EUA. Porém, esse é um tema que continua a preocupar os investidores pelos riscos que poderia trazer a falência de uma “gigante” com uma dívida total estimada no equivalente a 260 mil milhões de euros.

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