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A distração de Rio e o recado de Balsemão. O futuro do PSD também se jogou na posse de Moedas

O fundador Balsemão saudou a falta de sossego do PSD porque "os partidos que adormecem, acabam por morrer". Rio diz que não viu Rangel, o eurodeputado disse ser adepto de "novos tempos"

Tomada de posse do novo executivo da câmara municipal de Lisboa, liderado por Carlos Moedas, uma coligação entre os PSD e CDS. Na cerimónia estão presentes o presidente cessante Fernando Medina e Carlos Moedas, o novo presidente da câmara municipal de Lisboa. Cumprimento entre Paulo Rangel e Pedro Passos Coelho. Lisboa, 18 de outubro de 2021. JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
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“Ele está aí? Não o vi”. Rui Rio respondia assim ao facto de não ter cumprimentado Paulo Rangel, que esteve sentado a poucos metros do líder do PSD, para logo complementar: “Se estiver aí, cumprimento. Acha que eu sou mal educado?” A cerimónia era de tomada de posse de Carlos Moedas, mas a Praça do Município também foi arena da disputa interna do PSD, que foi um assunto incontornável. A hesitação de Rio, o recado de Balsemão, a bicada de Rangel e o empurrão de Montenegro mostraram o desassossego em que está o partido. Passos e Cavaco, no estilo muito próprio de ambos, marcaram presença. Mas em silêncio.

A maior novidade foi a declaração do fundador Francisco Pinto Balsemão que, em vez de optar por um confortável “não comento”, desalinhou da tese de Rio de que o partido devia estar parado em tempos de iminente crise política. Sobre a disputa interna, o antigo primeiro-ministro mostrou-se satisfeito pela agitação trazida pelas eleições: “O meu partido está sempre em mutação. Não está sossegado, mas isso também é bom. Partidos que adormecem não duram muito tempo.” Rio defendeu o contrário em Conselho Nacional, onde queria adiar as internas devido ao risco de eleições antecipadas.

Tomada de posse do novo executivo da câmara municipal de Lisboa, liderado por Carlos Moedas, uma coligação entre os PSD e CDS. Na cerimónia estão presentes o presidente cessante Fernando Medina e Carlos Moedas, o novo presidente da câmara municipal de Lisboa. Cumprimento entre Luís Montenegro e Paulo Rangel. Lisboa, 18 de outubro de 2021. JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR Tomada de posse do novo executivo da câmara municipal de Lisboa, liderado por Carlos Moedas, uma coligação entre os PSD e CDS. Na cerimónia estão presentes o presidente cessante Fernando Medina e Carlos Moedas, o novo presidente da câmara municipal de Lisboa. Cumprimento entre Aníbal Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho. Lisboa, 18 de outubro de 2021. JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR Tomada de posse do novo executivo da câmara municipal de Lisboa, liderado por Carlos Moedas, uma coligação entre os PSD e CDS. Na cerimónia estão presentes o presidente cessante Fernando Medina e Carlos Moedas, o novo presidente da câmara municipal de Lisboa. Chegada do presidente do PSD, Rui Rio. Lisboa, 18 de outubro de 2021. JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR Tomada de posse do novo executivo da câmara municipal de Lisboa, liderado por Carlos Moedas, uma coligação entre os PSD e CDS. Na cerimónia estão presentes o presidente cessante Fernando Medina e Carlos Moedas, o novo presidente da câmara municipal de Lisboa. Cumprimento entre Paulo Rangel e Pedro Passos Coelho. Lisboa, 18 de outubro de 2021. JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Depois a disputa estava em cada palavra de resposta sobre as internas. Paulo Rangel não quis comentar a neutralidade anunciada de Carlos Moedas nas eleições do PSD, mas lembrou que é “um grande amigo” e que é um “grande adepto dos novos tempos”. Ora, novos tempos significa renovação, que significa trocar de líder.

Mas Paulo Rangel mandaria também um indireta mais direta a Rio: “Creio que fui dos únicos que acreditei mesmo até ao fim naquela quinta-feira de grande comício a que as televisões faltaram na altura. Ali disse a muita gente que podíamos ganhar e ganhámos”. O eurodeputado queria sugerir que, ao contrário das televisões e de Rui Rio (que foi nesse dia para os Açores e não participou no comício final de Moedas nem na descida do Chiado), Rangel foi um dos principais oradores desse mesmo comício.

Rio acabaria por responder a Paulo Rangel e aos seus apoiantes, que dizem que o presidente do PSD não teve grande influência no resultado em Lisboa. Já depois de Carlos Moedas discursar, o presidente do PSD disse que um dos seus grandes objetivos era vencer Lisboa e chamou a si parte dos louros da vitória da capital: “Tenho consciência, alguns não têm, que dei um contributo importante para que isto possa acontecer”. O “alguns não têm” era para Rangel e rangelistas.

A hesitação de Rio: “Não vai demorar muito”

Rio não perde uma oportunidade para lembrar aos jornalistas que é o presidente em funções. Questionado sobre se está pronto para ser protagonista na mudança no país, Rui Rio não respondeu sobre a sua recandidatura (“percebo onde quero chegar”, diz), mas reafirma que é ele o líder social-democrata: “Aquele que é o presidente do PSD tem de estar sempre [preparado ser protagonista da mudança no país], como é evidente, senão não se propõe ser presidente do PSD, como me propus-me ser e, portanto, estou”.

Além disso, como tinha dito na noite do Conselho Nacional, insistiu que em breve todos vão saber se é ou não candidato: “Não vai demorar muito a saberem isso”. Quanto à neutralidade de Carlos Moedas (que o referiu no discurso por via de uma menção especial, embora seja mais próximo de Rangel) nas diretas, Rio optou por não comentar: “Parte interna, não. Hoje é a câmara de Lisboa, é uma festa para o PSD”.

Carlos Moedas voltaria a fazer um especial elogio a Cavaco Silva (a que chamou, por cortesia, de “Presidente”), particularmente relevante depois de ter igualmente elogiado o artigo de opinião em que o antigo primeiro-ministro criticou o estilo de oposição de Rui Rio.

Já no fim da sessão, no entanto, o presidente do PSD admitiria a recandidatura ocupa neste momento os seus pensamentos, mais do que a “festa” em que acabara de participar: “Evidente que estou a pensar mais na questão interna do partido do que na Câmara de Lisboa.”

Mais lateral na disputa, mas ainda assim acercado de jornalistas sobre o assunto, Luís Montenegro considerou que Lisboa pode ser “uma demonstração de como o PSD podem intervir na sociedade e de que a partir da câmara de Lisboa como nós do PSD podemos intervir na sociedade, podemos  transformar a sociedade e oferecer melhor qualidade de vida aos nossos concidadãos”.

Para Montenegro esta é a “grande oportunidade” que o PSD tem para “mostrar ao país todo o nosso potencial de intervenção cívica e política”. Isto com o objetivo de “darmos ao país aquilo que não tem hoje: uma alternativa de Governo que possa transformar Portugal”. Mais uma vez, o antigo líder parlamentar rema para o mesmo lado de Rangel, uma vez que admite que aproveita para dizer que atualmente não há uma alternativa ao executivo de António Costa.

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