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O Bloco de Esquerda sai de São Bento como entrou: a pensar votar contra o Orçamento do Estado. Após a reunião deste sábado com primeiro-ministro, os bloquistas enviaram uma nota às redações a dar conta que “na reunião desta manhã, o Governo não realizou qualquer nova aproximação às nove propostas do Bloco de Esquerda.” Os bloquistas adiantam mesmo que “a manter-se este quadro, a Comissão Política proporá à Mesa Nacional a orientação de voto contra a proposta de Orçamento do Estado para 2022″.

Os bloquistas ainda não se colocaram, no entanto, fora de um eventual acordo para o Orçamento do Estado. “O Bloco de Esquerda comunicou ao governo que, até à votação na generalidade, estará aberto à negociação“, lê-se na mesma nota. Isto significa que, o mais provável é que a Mesa Nacional do BE, órgão máximo entre convenções, que se reúne no domingo para analisar o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) se decida pelo voto contra. Ainda assim, o Bloco está disponível a estender a negociação até quarta-feira, momento da votação na especialidade.

Após a reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda decorrerá a habitual conferência de imprensa da coordenadora do BE, Catarina Martins, para apresentar as conclusões.

O PCP encontra-se neste momento reunido com o primeiro-ministro António Costa, também em São Bento.

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No final da noite de sexta-feira e na madrugada deste sábado António Costa reuniu a Comissão Política Nacional do PS e apresentou medidas importantes em várias áreas, incluindo o aumento do salário mínimo para 850 euros até 2025. O primeiro-ministro, como secretário-geral do PS, sem gravata, saiu mandatado daquele órgão para “prosseguir as negociações” com a esquerda. Acrescentaria, no entanto, que as medidas agora conhecidas “já foram apresentadas a todos” e que “nada foi tirado da manga” à última hora.

Mais pensões, menos a pagar IRS, mais salário mínimo. “Não foi tirado da manga”, garante Costa que não quer ir a eleições

Marcelo. Orçamento aprovado “poupava muitos custos, muitos problemas e algumas preocupações”

À margem de uma cerimónia no aeroclube de Torres Vedras, Marcelo Rebelo de Sousa falou ao jornalistas e deixou claro que a aprovação do Orçamento do Estado para 2022 “poupava muitos custos, poupava muitos problemas, poupava algumas preocupações”, afirmou. Mas o Presidente da República avisa: “vamos esperar, a democracia é assim, feita de espera.”

O chefe de Estado já tinha antecipado a solução para o caso de o Orçamento chumbar, uma saída que passaria por antecipar as eleições tendo até apontado para janeiro a data das mesmas. Questionado sobre se António Costa já lhe tinha dado sinais de que não queria eleições e que queria continuar a governar, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que, neste momento, trabalha na base do “cenário do Orçamento passar”.

Marcelo só trabalha com um cenário, mas tem calendário para mais (imune à pressão de Rangel)

“Uma coisa é o Governo continuar em funções e outra coisa é a Assembleia da República ser dissolvida, mas para já nenhuma delas está no meu espírito até realmente passar este período, que é um período final de conversações entre partidos”, referiu. “Até agora devo esperar, e devo esperar até ao último minuto. Depois, ou corre tudo como eu desejo e espero, que é uma hipótese, ou se não correr, esse cenário não tenho pensado.”

Quanto à questão dos patrões — à qual Costa já pediu desculpa pelo sucedido — Marcelo diz que vai recebê-los para “ouvir a opinião deles sobre o que se passa no mundo, na Europa e em Portugal económica e socialmente”, explicou, dizendo que não tecia comentários nem ia “formar nenhuma opinião” sobre o que tinha acontecido.

Costa pede “desculpa” a patrões por “lapso involuntário” do Governo

O primeiro-ministro pediu desculpa aos patrões na noite de sexta-feira por o que diz ter sido “um lapso de não ter apresentado duas medidas relevantes” em matéria laboral na última reunião da concertação social.

Artigo atualizado ao longo do último sábado, 23 de outubro