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Uma investigação internacional realizada em Fontanarejo, município da província de Ciudad Real, descobriu fósseis das esponjas mais antigas do mundo, com 530 milhões de anos.

Os depósitos de fosfato onde foi observada a descoberta tinham sido encontrados pela primeira vez há 50 anos, mas apenas agora a equipa internacional, da qual faz parte a Universidade Complutense de Madrid (UCM), analisou com detalhe a sua constituição.

Entre os restos fósseis encontrados estavam filamentos de sílica que constituem o esqueleto de dois tipos de esponjas pré-históricas. Segundo a Agência Iberoamericana para a Difusão da Ciência e da Tecnologia, estas esponjas podiam ter um esqueleto mineralizado, composto por filamentos articulados, ou podiam apresentar um esqueleto formado por moléculas orgânicas.

Os filamentos de esponja encontrados nestes fosfatos são os mais antigos encontrados até agora, em conjunto com outros exemplos descobertos na China, com a diferença de que os fósseis chineses são desarticulados”, explicou Pablo Suárez, investigador do Departamento de Geodinâmica, Estratigrafia e Paleontologia da UCM.

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Esta articulação observada entre os filamentos, ainda segundo o investigador da UCM, atribui especial particularidade aos fósseis de Fontanarejo uma vez que se encontra preservada a mesma posição que apresentavam os filamentos no organismo original.

Estes fósseis, por comparação com amostras equivalentes de zonas próximas, tinham uma idade calculada entre 500 a 540 milhões de anos, mas, segundo Pablo Suárez, citado pela Tribuna de Ciudad Real, “a descoberta de restos de Anabarella, um tipo de molusco, permitiu aproximar a sua idade de 530 milhões de anos”.

Embora tenham sido descobertos fósseis de esponjas-do-mar com cerca de 890 milhões de anos por uma professora universitária do Canadá, o que poderia indicar, segundo uma proposta da investigadora num artigo do The Conversation, que as esponjas são centenas de milhões de anos mais antigas do que o previsto atualmente, a validade destes fósseis não foi ainda confirmada pela academia.

As esponjas encontradas em Espanha terão vivido numa plataforma marítima há milhões de anos. As correntes marítimas transportaram os seus restos até águas mais profundas, onde foram subterrados sob sedimentos, o que favoreceu a sua conservação. A tese defende que milhões de anos mais tarde, estas zona foi elevada até se tornar em montanhas, cuja passagem do tempo contribuiu para a sua erosão e exposição novamente. As esponjas são consideradas os primeiros seres vivos a evoluir, pelo que a descoberta reveste-se de particular importância para a Teoria da Evolução.

Na investigação de Fontanarejo, publicada na revista científica Geological Magazine, estiveram igualmente envolvidas as universidades de Gottingen e de Tubingen (ambas da Alemanha) e ainda o Instituto Geológico de Nanjing, na China.