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Everton Cebolinha e uma exibição que foi, finalmente, de chorar por mais (a crónica do Benfica-Sp. Braga)

Este artigo tem mais de 4 anos

Benfica voltou às vitórias, goleou Sp. Braga na Luz e mantém-se a um ponto da liderança. Everton fez dois golos e duas assistências e justificou a titularidade ao mostrar tudo o que dele se espera.

O médio brasileiro saltou para o onze face à saída de Yaremchuk, que perdeu a titularidade
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▲O médio brasileiro saltou para o onze face à saída de Yaremchuk, que perdeu a titularidade

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

▲O médio brasileiro saltou para o onze face à saída de Yaremchuk, que perdeu a titularidade

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

De repente, tudo mudou. O Benfica estava a realizar um início de temporada positivo, estava a marcar muitos golos, a carimbar vitórias consecutivas e a resguardar a liderança da Primeira Liga enquanto realizava uma participação competitiva na Liga dos Campeões. No final de setembro, os encarnados anularam o Barcelona na Luz mas não voltaram a recuperar dessa explosão de adrenalina: este domingo, chegavam ao jogo contra o Sp. Braga vindos de três partidas consecutivas sem ganhar, já sem o primeiro lugar do Campeonato e depois de uma goleada pesada frente ao Bayern em Munique.

Num domingo gordo, com os “três grandes” a entrarem em campo de forma consecutiva, o Benfica defrontava os minhotos já depois de o FC Porto ter derrotado o Santa Clara nos Açores e o Sporting também ter vencido em Paços de Ferreira. Ou seja, a equipa de Jorge Jesus estava obrigada a ganhar ao Sp. Braga na Luz para se manter a um ponto da liderança partilhada dos rivais e não permitir a aproximação, precisamente, do conjunto de Carlos Carvalhal. Ainda assim, os encarnados surgiam no relvado com uma pressão que já não era só desportiva — era também técnica e institucional, já que o jogo era o culminar de uma semana em que Jesus foi contestado, em que alegadas diferenças de ideias entre o treinador e o plantel foram notícia e em que o técnico podia começar a ser engolido pelo avolumar das críticas. Algo que ficou notório quando o nome de Jesus foi dito pelo speaker, antes do apito inicial na Luz, e foi possível ouvir muitos assobios nas bancadas.

Ficha de jogo

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Benfica-Sp. Braga, 6-1

11.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Artur Soares Dias (AF Porto)

Benfica: Vlachodimos, Lucas Veríssimo (Morato, 34′), Otamendi, Vertonghen, Gilberto (Diogo Gonçalves, 65′), Weigl, João Mário (Paulo Bernardo, 23′), Grimaldo, Rafa, Darwin (Gonçalo Ramos, 65′), Everton (Pizzi, 65′)

Suplentes não utilizados: Helton Leite, Meïté, Seferovic, Yaremchuk

Treinador: Jorge Jesus

Sp. Braga: Matheus, Paulo Oliveira, Diogo Leite, Sequeira (Francisco Moura, 45+6′), Fabiano (Yan Couto, 45′), Al Musrati, Castro (Lucas Mineiro, 64′), Galeno, Lucas Piazon, Abel Ruiz (Vitinha, 45′), Ricardo Horta

Suplentes não utilizados: Tiago Sá, Bruno Rodrigues, André Horta, Mario González, Iuri Medeiros

Treinador: Carlos Carvalhal

Golos: Grimaldo (2′), Ricardo Horta (12′), Darwin (38′), Rafa (42′ e 45+3′), Everton (52′ e 59′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Al Musrati (27′), a Gilberto (49′), a Pizzi (81′), a Gonçalo Ramos (83′), a Lucas Mineiro (90′)

Nada que, contudo, o preocupasse demasiado. “Sou treinador dos meus jogadores e defendo os interesses do Benfica. É o que faço com os meus filhos. Primeiro sou pai e depois é que sou amigo. Primeiro são jogadores e depois é que sou amigo deles. Não sou treinador há dois anos, já sabem como sou. São as exigências do treinador para o jogador”, explicou Jorge Jesus na antevisão da receção aos minhotos, comentando principalmente uma troca de ideias mais acesa que protagonizou com Lucas Veríssimo na partida com o Bayern Munique.

Este domingo, depois de ter poupado Otamendi, Weigl e Rafa devido aos cartões amarelos que todos tinham na Liga dos Campeões, o treinador devolvia a titularidade aos três e guardava a surpresa para o ataque, onde Yaremchuk começava no banco e Everton saltava para o onze inicial. Gilberto era a opção primordial na direita da defesa, com Diogo Gonçalves a ser suplente, e Seferovic regressava à convocatória depois de várias semanas lesionado. Do outro lado, Carlos Carvalhal apostava em Abel Ruiz e Fabiano e deixava Vitinha e Iuri Medeiros no banco num Sp. Braga que surgia na Luz vindo de 10 jogos consecutivos sem sofrer qualquer derrota.

O Benfica começou o jogo praticamente a ganhar: logo ao segundo minuto, Gilberto lançou Darwin no corredor direito, o uruguaio desequilibrou até à linha de fundo e cruzou atrasado e para o poste oposto, com Grimaldo a aparecer totalmente sozinho para fazer um raro golo de cabeça (2′). Ainda assim, a conquista da embrionária vantagem não mascarou a nervosa entrada dos encarnados, que passaram muito tempo a tentar adaptar-se à pressão alta do Sp. Braga e não souberam capitalizar o golo, juntando muito os setores no próprio meio-campo e entregando a larga maioria da posse de bola e da iniciativa ao adversário. No seguimento dessa ideia, a equipa de Carlos Carvalhal acabou por conseguir chegar ao empate ainda dentro do quarto de hora inicial, com Ricardo Horta a aparecer totalmente isolado depois de um passe de Castro e a atirar cruzado à saída de Vlachodimos (12′), num lance onde ficou claro que a defesa do Benfica parou à espera de que fosse assinalado fora de jogo.

Depois do empate, a conjuntura parecia começar a unir-se contra a equipa de Jorge Jesus. João Mário foi o primeiro a sair com problemas físicos, proporcionando a estreia do jovem Paulo Bernardo no Campeonato, e Lucas Veríssimo também teve de deixar o relvado na sequência de um choque contra o poste depois de um lance com Galeno, sendo rendido por Morato. Pelo meio, o Sp. Braga continuava a dominar na posse de bola, já tinha mais remates e ia conseguindo aplicar a estratégia que tinha levado para a Luz e que se prendia com a pressão alta, com a profundidade nas costas da defesa e com o aproveitamento da largura que Galeno e Fabiano proporcionavam. A eficácia, porém, fez a diferença.

Já perto do intervalo, numa altura em que o Benfica parecia querer intensamente a paragem mas para reorganizar ideias e acalmar a equipa, Darwin recuperou a vantagem encarnada: Grimaldo apareceu na esquerda a rematar cruzado para defesa de Matheus e o uruguaio, na recarga e mesmo com pouco ângulo, atirou para a baliza desprotegida (38′). O Sp. Braga sofreu um verdadeiro balde de água fria e não mais conseguiu agarrar o discernimento e a maturidade que vinha a demonstrar, ficando totalmente refém dos contra-ataques rápidos do adversário até ao final da primeira parte. Rafa marcou o terceiro golo do Benfica depois de uma arrancada em que combinou com Everton e tirou um defesa da frente para finalizar de forma brilhante (43′) e ainda teve tempo para bisar e carimbar a goleada ao aparecer outra vez isolado e outra vez depois de uma assistência do brasileiro (45+3′). No lance do quarto golo dos encarnados, contudo, Sequeira lesionou-se sozinho e teve de sair de maca, sendo substituído por Francisco Moura.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Benfica-Sp. Braga:]

No início da segunda parte, Carlos Carvalhal tentou dar frescura e equilíbrio à equipa e tirou Abel Ruiz e Fabiano para lançar Vitinha e Yan Couto. O problema do Sp. Braga, contudo, estava na resposta às transições rápidas, na recuperação defensiva e no espaço que permitia aos jogadores mais criativos do Benfica — e nada disso foi melhorado ou compensado com Vitinha e Yan Couto. Os encarnados mantiveram a ideia de recuperação e aceleração e rapidamente chegaram ao quinto golo, desta feita por intermédio de Everton, que recebeu de Rafa na esquerda, tirou Paulo Oliveira da frente com uma finta deliciosa e atirou para o poste mais distante (52′). Com o escândalo já instalado e ainda antes da hora de jogo, o médio brasileiro bisou e chegou ao sexto golo do Benfica ao aparecer sozinho na sequência de um cruzamento de Darwin (59′).

De forma natural, o Benfica começou a gerir a mais do que confortável vantagem com bola e no meio-campo adversário. O Sp. Braga, totalmente derrotado, pouco ou nada conseguia e nem sequer se aproximava da baliza de Vlachodimos, limitando-se à tentativa de não sofrer mais golos na Luz. A dada altura, Darwin também sentiu problemas físicos e Jorge Jesus aproveitou a substituição que teria de fazer para esgotar as alterações e lançar Gonçalo Ramos mas também Pizzi e Diogo Gonçalves.

Até ao fim, já pouco aconteceu. Carlos Carvalhal ainda colocou Lucas Mineiro e Iuri Medeiros, que ajudaram principalmente a reequilibrar a dinâmica no meio-campo e a impedir que os encarnados tivessem longos períodos de posse de bola, mas o Sp. Braga caiu ao fim de 10 jogos e caiu com estrondo. O Benfica voltou às vitórias, mantém-se a um ponto do FC Porto e do Sporting e conquistou principalmente um resultado que é importante para recuperar a confiança que vinha a escassear dentro da equipa. E para isso, muito contribuiu a exibição de Everton Cebolinha, que teve dois golos, duas assistências e muitos pormenores de qualidade — e que foi, finalmente, de chorar por mais.

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