Minutos antes da performance do rapper Travis Scott começar, na noite de sexta-feira, uma multidão aproximou-se da zona frontal do concerto. As descrições de quem esteve presente nessa noite relatam o mesmo cenário: pessoas esmagadas em minutos, outras a desmaiar e gritos de terror.
Mais de 50 mil pessoas marcaram presença no festival de música Astroworld, no Texas, o mesmo evento onde pelo menos oito pessoas, entre os 14 e os 27 anos, perderam a vida na sequência de esmagamento depois de centenas de fãs terem corrido na direção do palco onde atuava o artista norte-americano — até à tarde de sábado 13 pessoas ainda permaneciam hospitalizadas, incluindo cinco menores de 18 anos. As autoridades ainda estão a investigar a causa das mortes.
Oito pessoas morrem em festival de música no Texas. Vítima mais nova era adolescente de 14 anos
Nas redes sociais é possível encontrar vídeos de pessoas em paragem cardiorrespiratória a serem socorridas, das intervenções do rapper que interrompeu o concerto várias vezes para alertar para a situação, mas também relatos de quem viveu o episódio na primeira pessoa. “Assim que ele [Travis Scott] começou, o inferno desabou”, comentou à CNN Alexis Guavin, de 23 anos, recordando o momento em que 50 mil pessoas correram para a frente do palco, “comprimindo todos com o pouco ar disponível”.
“A multidão estava a apertar-me tanto que senti que não conseguia respirar”, conta também Emily Munguia, de 22 anos. “Comecei a gritar por socorro… Fiquei com tanto medo, como se fosse morrer.” A jovem comenta ainda ter visto várias pessoas a ficarem magoadas, a sangrar, a desmaiar e chorar. Foi assim que Travis Scott aterrou no palco que “tudo começou”, reforça Anita Amper, outra fã do rapper de 30 anos. “As pessoas simplesmente enlouqueceram. Percebi que havia pessoas a morrer.”
No Instagram, Madeline Eskins faz o seu relato dos eventos, ela que desmaiou na sequência do esmagamento e o corpo foi arrastado pela multidão. “Quando acordei tinha uma garrafa de água no meu colo e não fazia ideia do que tinha acontecido.” Eskins recorda como, assim que começou o concerto de Scott, pediu ao namorado para se libertarem do meio da multidão e de como ele respondeu que já não era possível, era tarde demais.
Eskins conta que já foi a vários concertos e que nunca viu nada assim. “Foi horrível”, descreve. Que quando tomou consciência após o desmaio só via pessoas a serem levadas com os “olhos revirados” e a sangrar da boca e do nariz. Ainda se ofereceu para ajudar os seguranças, por ser enfermeira, mas percebeu que não havia bolsas de primeiros socorros suficientes. À sua volta via pessoas caídas, outras a tentar fazer manobras de reanimação, muitas sem sequer saberem como. Um cenário desesperante que ocorreu ainda antes do concerto ser suspenso.
As oito mortes aconteceram horas depois de uma pessoa ter ficado ferida, depois de centenas terem destruído a entrada de segurança VIP, evitando o posto de controlo.
Vítimas mortais começam a ser identificadas
Aos poucos, as oito vítimas mortais da noite de sexta-feira começam a ser identificadas, incluindo a mais nova, que tinha apenas 14 anos. De acordo com The Houston Chronicle, John Hilgert, que tinha ido com amigos ao concerto, não regressou a casa nesse dia. Era “bom estudante, atleta e muito bem educado”, recorda a mãe de um colega. “Era o jovem mais doce e inteligente.” Com quase dois metros de altura, Hilgert jogava basebol.
Já Danish Baig tinha 27 anos e, segundo o que o irmão escreveu no Facebook, morreu quando tentava salvar um membro da família durante o esmagamento que ocorreu no concerto de Travis Scott, o mesmo que foi “mal administrado e supervisionado por pessoas tão horríveis”. “O meu irmão tentou salvar a minha cunhada destes atos horrendos”, lê-se ainda no post divulgado, onde Basil Baig descreve o irmão como uma “bonita alma” cujo sorriso “era capaz de iluminar a sala”, e que colocava todos antes de si.
Tributes have been paid to the victims who died in the crush at a Travis Scott show in Texas. Eight died including John Hilgert, 14, dancer Brianna Rodriguez, 16, Danish Baig, 27, and Franco Patino, 21 https://t.co/EyXefjVckp
— LBC (@LBC) November 7, 2021
Outra vítima já identificada é o estudante universitário Franco Patino, de 21 anos (frequentava a Universidade de Dayton). Já a estudante Brianna Rodriguez, escreve a People, tinha 16 anos — a família da jovem confirmou a morte nas redes sociais, descrevendo-a como uma “estudante vibrante”. “Dançar era a sua paixão.”
Rudy Peña, cuja idade ainda não é conhecida, foi outra das vítimas mortais, com a irmã a comentar ao Laredo Morning Times que o jovem era “a pessoa mais doce, amigável, extrovertida”, que “tinha muitos amigos porque estava sempre disponível para todos”. “Sim, ele era um grande fã de Travis.”
A polícia prossegue os trabalhos para identificar as restantes vítimas e notificar as respetivas famílias. A investigação sobre o que aconteceu também continua.