A junta militar que governa a Guiné-Conacri desde o golpe de Estado de 5 de setembro de 2021, nomeou um Conselho Nacional de Transição (CNT), de 81 membros, para funcionar como parlamente até à realização de eleições.

A medida foi anunciada no sábado à noite, na televisão local, em que foi lido o decreto do Presidente de transição, coronel Mamadi Doumbouya, que lidera a Guiné-Conacri desde o derrube do chefe de Estado eleito, Alpha Condé.

Doumbouya nomeou o ativista Dansa Kourouma como presidente do CNT, decisão que era amplamente esperada no país, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

Kourouma era até agora presidente do Conselho Nacional das Organizações da Sociedade Civil Guineense.

Maïmouna Yombouno foi nomeada como primeira vice-presidente e Elhadj Sény Facinet Sylla como segundo vice-presidente do CNT.

No total, a lista de membros da CNT é composta por 81 nomes, de acordo com os meios de comunicação locais, como o Guinée News de hoje.

Numa entrevista divulgada hoje pelo ‘site’ Africaguinee.com, o presidente do CNT apelou aos guineenses para “ficarem juntos, verem-se como um só homem” e trabalharem unidos para “tirar a Guiné-Conacri da situação atual”.

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Sobre Doumbouya, considerou que o Presidente de transição é um “homem determinado e inspirado que mede as suas responsabilidades e compreende os problemas da Guiné-Conacri”.

“Temos um homem com uma humildade indescritível, um homem que está pronto a dar tudo para fazer desta transição um sucesso”, disse Dansa Kourouma, segundo o Africaguinee.com.

Ao CNT caberá legislar durante a transição até que o país realize eleições.

O golpe de Estado contra Condé, 83 anos, que estava no poder desde 2010, ocorreu em 05 de setembro de 2021, quando foi preso por membros do Grupo das Forças Especiais do exército liderado por Doumbouya.

O militar tomou posse como presidente da transição em 01 de outubro, e disse que organizou o golpe para criar as condições para o Estado de direito no país da costa ocidental de África, vizinho da Guiné-Bissau.

Em outubro de 2020, a Guiné-Conacri realizou eleições nas quais Condé concorreu para um terceiro mandato, que não era permitido pela Constituição.

No entanto, o preceito constitucional tinha sido alterado num referendo realizado em março desse ano, com a proposta que permitiu uma nova candidatura de Condé a ser aprovada com 91,5% dos votos.

Tanto a União Africana (UA) como a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) suspenderam a Guiné-Conacri das suas instituições após o golpe.

A CEDEAO também impôs sanções aos líderes golpistas, incluindo a proibição de viajar e o congelamento de ativos financeiros.

A Guiné-Conacri é um dos países mais pobres do mundo, mas tem um potencial mineiro, hídrico e agrícola significativo e as suas reservas de bauxite, a matéria-prima para a produção de alumínio, estão entre as maiores do mundo.