A entrada na feira dos Carvalhos, em Vila Nova de Gaia, foi atribulada, com Francisco Rodrigues dos Santos a ouvir de um senhor que por ali passava: “Domingo estás a pedir a demissão!”. O líder do CDS ignorou, riu-se e continuou em frente: “O que é que eu hei-de fazer?” Pouco depois, aos jornalistas, haveria de desvalorizar: “Esse senhor pertence à caravana do PS e foi ali plantado de propósito para me lançar esses impropérios”.
O dia era para ter começado em Oliveira do Hospital (distrito de Coimbra), mas um surto entre vários dos apoiantes que iriam receber Rodrigues dos Santos levou a comitiva a mudar de planos. A caravana centrista alterou, assim, a direção para a feira dos Carvalhos, no primeiro dia de reabertura no local tradicional, após cerca de um ano de obras. Francisco Rodrigues dos Santos continuou a entregar canetas — a piada “só dá para votar no CDS” tornou-se já num clássico da campanha —, a distribuir beijinhos (sem máscara), passou-bens, a tirar selfies e a distribuir panfletos sobre a “via verde de saúde”.
“Há muitos doentes que não conseguem ter a tempo e horas um exame, uma consulta ou uma cirurgia no SNS. Propomos que o Estado pague, num hospital particular ou social, todos os cuidados médicos que os doentes precisam, mas não pagam rigorosamente nada. (…) O que achamos é que não precisa de ser sempre o SNS a dar tratamentos aos portugueses, desde que [os doentes] não paguem nos outros [hospitais] ou paguem o mesmo que no SNS”, defendeu. “Isso é que era!”, respondeu-lhe a interlocutora.
Francisco Rodrigues dos Santos foi passeando pela feira sem máscara
Otimista com um bom resultado, Rodrigues dos Santos admite recandidatura
Francisco Rodrigues dos Santos admitiu recandidatar-se à liderança do CDS porque, acredita, “os resultados vão correr bem ao partido”. “Tenho a certeza absoluta que, nas legislativas, vou receber o presente por estes dois anos de liderança que tenho à frente do CDS. Depois disso serei naturalmente recandidato ao próximo congresso, irei vencê-lo e continuar como presidente do partido e multiplicar estes aniversários por mais um bom par de anos, espero eu, passados no governo de Portugal”, indicou, aos jornalistas, à margem da Feira.
Questionado sobre se essa recandidatura é certa — e não depende da “análise” dos resultados, como tem dito —, o líder centrista diz que é um “otimista” e que acredita que os “resultados vão correr bem ao partido”. E o que seria um mau resultado que levaria Rodrigues dos Santos a sair de cena? “Um mau resultado para o país e, naturalmente, para o CDS também é não haver uma nova maioria de direita no Parlamento. Gostava que houvesse uma maioria de direita no Parlamento e que o CDS fosse forte para influenciar o futuro da próxima governação.”
Ainda assim, mantém que a análise sobre uma recandidatura ou não “depende dos resultados eleitorais”. “Correndo bem, naturalmente cá estarei para continuar o meu trabalho como presidente do partido a renovar o CDS, a dar atualidade aos nossos valores”, frisou.