A década de 1930 começa com o mundo ocidental a sofrer as consequências do terrível crash da bolsa de Nova Iorque no ano anterior, na data que ficou conhecida como quinta-feira negra: 24 de outubro de 1929.

É um final estrondoso, digno dos roaring twenties que o antecedera: anos de folia intensa, em que se tentara compensar o tempo e as vidas perdidas para a I Guerra Mundial e para a Gripe Espanhola.

De repente, tudo muda. A bolsa cai, boa parte das economias ocidentais caem com ela, inúmeras empresas vão à falência e as taxas de desemprego sobem em flecha, atingindo os 20% nos Estados Unidos e o dobro desse valor na Alemanha.

Passa-se, em muitos casos, de viver como se não houvesse amanhã, para tentar, na melhor das hipóteses, sobreviver até ao dia seguinte.

O cenário começa a melhorar nos Estados Unidos a partir de meados da década, depois da implementação do célebre New Deal de Franklin D. Roosevelt, mas na Europa os efeitos da crise trazem consigo uma gravíssima repercussão política: contribuem para a ascensão ao poder, na Alemanha, de Adolf Hitler e, consequentemente, para a II Guerra Mundial, que viria a começar em 1939.

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Mas terá sido tudo assim tão mau? Não. Apesar dos gravíssimos problemas económicos e sociais, a década de 1930 traz também alguns avanços sociais, uns por engenho, outros por necessidade.

É, por exemplo, nesta época que a prática de desporto se começa a popularizar entre diversas camadas da população. Afinal, tratava-se de uma atividade barata, que pouco mais exigia que uma bola, um mar ou um lago onde nadar ou um campo aberto para correr. O futebol, o atletismo e a natação ganham, assim, enorme popularidade, tal como o ciclismo, sobretudo em França, ou a ginástica, na Alemanha.

Pela mesma razão — baixo custo — muitos descobrem nesta década o prazer de ir à praia. A maioria das visitas às estâncias balneares tinham, até aí, propósitos terapêuticos. Mas nos anos 30 começa a encarar-se a praia como local de lazer, o que contribui para o surgimento do fato de banho de peça única. Em Portugal, as vestimentas balneares serão regulamentadas, na década seguinte, por um rigoroso decreto-lei que pretenderá a salvaguarda das “condições de decência que as conceções morais e mesmo estéticas dos povos civilizados ainda, felizmente, não dispensam.”

O que também prospera apesar da — ou em parte por causa da — chamada Grande Depressão é o cinema. Em Hollywood, reduzem-se os preços dos bilhetes e os americanos acorrem em massa às salas, procurando esquecer durante um par de horas a pior crise económica da sua História.

“Tempos Modernos”, o clássico de Charlie Chaplin, é lançado em 1936 e perdurará no tempo como a sátira perfeita da América industrializada e deprimida da época.

É também nos anos 30 que se dá a transição para o cinema sonoro. A sueca Greta Garbo, que protagonizara alguns filmes mudos de relevo nos Estados Unidos na década anterior, surge no cartaz de “Anna Christie”, de 1930, com o slogan Greta talks!

As grandes estrelas de Hollywood ganham voz e isso torna-as ainda maiores. Garbo, por exemplo, torna-se um ícone da moda, tanto à frente da câmara – onde surge não raras vezes usando chapéus e jóias icónicas – como atrás desta, inventando o look andrógino, e fazendo com que muitas mulheres contemplem, pela primeira vez, a possibilidade de usar calças ou golas altas.

E é 1935 que a vida da excêntrica Louisa Durrell dá uma volta inesperada: uma viuvez precoce, problemas financeiros e quatro filhos com personalidades fortes e distintas, levam-na a fugir da austera e opressiva sociedade britânica e a mudar-se com estes para a ilha grega de Corfu, um autêntico paraíso selvagem, onde não existe eletricidade, mas sobram os animais.

Um dos filhos, Gerald, publicará a partir de 1956, três livros que remontam a essa época e cujo conjunto ficará conhecido como a “Trilogia de Corfu”. São esses livros que inspiram “Os Durrell”, série britânica com a chancela BBC Worldwide, que conta com algumas caras bem conhecidas no elenco. Casos de Josh O’Connor, o Príncipe Carlos de “The Crown” ou a protagonista Keeley Hawes, do brilhante “It’s a Sin”.

O primeiro episódio de “Os Durrell” é transmitido em Portugal a partir de dia 23 de fevereiro, às 21:25, no AXN White. A não perder.