– Aconteceu alguma coisa ao meu carro, está alguma coisa a arder?
Max Verstappen não sabia ao certo o que se tinha passado. Sentiu um impulso, sentiu o cheiro de gasolina a queimar como se fosse um incêndio, não sabia nada mais do que isso. Nem ele nem os restantes pilotos que estavam na primeira sessão de treinos livres, pelo menos até aparecer a grande coluna de fumo negro que não estava assim tão longe do circuito onde estavam. O que poucos imaginavam era o que iria acontecer a partir daí, com voltas, voltas e mais voltas até à decisão de continuar com tudo na mesma como previsto.
A explosão num depósito de combustível em Jeddah, a cerca de 20 quilómetros do circuito Jeddah Corniche onde decorria a primeira sessão de treinos livres, foi violenta e terá tido origem num míssil que foi lançado pelos houthis, um movimento político-religioso rebelde do Iémen que já prometera atacar por estes dias “aproveitando” a presença de todos os holofotes da Fórmula 1. O fumo gerado foi tanto que os aviões foram desviados da cidade. Mais tarde, a direção de corrida da F1, a organização e a Federação Internacional do Automóvel (FIA) confirmaram que todos os planos se manteriam inalterados mas com alguma polémica à mistura, ou não tivessem os pilotos estado reunidos durante quase quatro horas.
Segundo a BBC Sport, a decisão de manter os treinos livres, a qualificação e a corrida não foi fácil, com alguns pilotos a baterem o pé e a dizerem que não estavam reunidas as condições de segurança necessárias para a continuidade da prova e os dirigentes da Fórmula 1 a colocarem em cima da mesa possíveis sanções e até possíveis dificuldades que os pilotos enfrentariam se tentassem sair do país caso recusassem correr. A maioria acabou por aceitar numa decisão que não foi unânime e que terminou com comunicados que nas entrelinhas mostravam essa mesma disparidade de ideias que entroncavam na mesma decisão.
“A Fórmula 1 e a FIA podem confirmar que, depois da reunião que envolveu todas as equipas e pilotos, o GP da Arábia Saudita vai continuar como planeado. Relativamente ao incidente que teve lugar em Jeddah na sexta-feira, houve um grande debate entre todas as partes interessadas, o governo do país e as agências de segurança, que deram garantias que o evento se realizará em segurança. Foi estabelecido que se irá manter um diálogo transparente tanto durante o evento como no futuro”, asseguraram as duas entidades.
“O dia de ontem [sexta-feira] foi difícil para a Fórmula 1 e stressante para os pilotos. Talvez seja difícil compreender para quem nunca pilotou um carro da F1 neste rápido e desafiante circuito de Jeddah mas depois de vermos o fumo do incidente foi difícil manter a concentração e afastar a preocupação normal nestas situações. Por isso, tivemos uma longa discussão entre nós, com os nossos chefes de equipa e com as pessoas mais experientes que dirigem o nosso desporto. Foram trocadas uma série de opiniões e depois de ouvirmos não só os responsáveis da Fórmula 1 mas também os ministros do governo saudita, que explicaram como as medidas de segurança foram elevadas ao máximo, ficou decidido que faríamos o treino e a qualificação de hoje [sábado], bem como a corrida de amanhã. Esperamos que 2022 seja recordado como uma boa corrida e não pelo incidente”, explicaram em conjuntos os pilotos.
Era neste contexto que chegava a qualificação, com grandes diferenças entre a segunda e a terceira sessão de treinos livres que deixava tudo em aberto para a definição da grelha da partida: primeiro, houve quase uma fotocópia do que se passou no Bahrain, com Leclerc a bater Verstappen, Sainz a ganhar a Sergio Pérez e os Mercedes seguros no quinto e no sexto com Hamilton e Russell; depois, os Red Bull rodaram a menos de 0.1 de Leclerc, Sainz foi quarto, Bottas, Ocon, Gasly e Kevin Magnussen apareceram e os Mercedes não foram além do 11.º e 14.º registos entre mais um dia de total deceção dos McLaren de Ricciardo e Norris. E o pior para os carros com unidade motriz da Mercedes, nomeadamente a equipa que parte como octacampeã.
Os dois Williams de Alexander Albon e Nicholas Latifi ficarem na Q1, até pelo que se tinha visto no Bahrain, é normal. O AlphaTauri de Yuki Tsunoda, comparando com o companheiro Gasly, não era uma cenário assim tão previsível mas também se aceita. O Aston Martin de Nico Hülkenberg, até pela entrada inesperada do alemão a render de novo o compatriota Sebastian Vettel por continuar a testar positivo à Covid-19, entende-se. O problema, esse, esteve no 16.º colocado e um nome que só mesmo por punições poderia por ali andar: Lewis Hamilton. Se a primeira corrida já tinha sido uma frustração com final feliz (pódio), a segunda começava com um autêntico balde de água fria que deixou a assistência literalmente de boca aberta. Em termos absolutos, não acontecia desde o Brasil em 2017; descontando qualificações com acidentes, paragens, penalizações ou chuva, não acontecia desde o Grande Prémio da Grã-Bretanha… em 2009. “Foi uma luta complicada com o equilíbrio do carro, não era a posição onde queríamos estar”, comentou de seguida.
O @LewisHamilton foi eliminado na Q1!????#sporttvportugal #F1naSPORTTV #F1 #Formula1 #SaudiArabiaGP ???????? pic.twitter.com/yw7wi9l2Pm
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❌ Lewis Hamilton is OUT of qualifying in Q1!
???? Last time he was knocked out in Q1 was Brazil 2017! pic.twitter.com/4eVvc4iUVd
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The last time Lewis Hamilton was out in Q1 on pure pace (not because of imminent penalties, wet weather etc) was the 2009 British GP. We haven't seen this for nearly 13 years! #SaudiArabianGP
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Lewis Hamilton talks about his shocking exit after being knocked out of Q1.#SaudiaArabianGP #F1 pic.twitter.com/6NinzwOTbj
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A sessão ficaria depois marcada pelo violento acidente de Mick Schumacher, que destruiu em grande parte o Haas quando estava em lugares de apuramento para a Q3 a cinco minutos do final e saiu de ambulância já consciente mas a ter de passar pelo hospital (estando bem e tendo já falado com a mãe). Depois de uma longa espera, o Q2 terminou com mais uma surpresa dentro do que se estava a desenhar, com Lando Norris a descer de oitavo para 11.º nos últimos segundos e os dois McLaren a não passarem de novo para o Q1 antes de todas as decisões que trouxeram mais surpresas: Sergio Pérez tornou-se o primeiro mexicano a fazer pole position com a Red Bull na última volta, os Ferrari ficaram com 2-3, Verstappen em quarto e George Russell a conseguir limpar apenas em parte o mau dia da Mercedes atrás do Alpine de Esteban Ocon. Fecharam o top 10 Fernando Alonso, Valtteri Bottas, Pierre Gasly e Kevin Magnussen.
????O @SChecoPerez consegue arrecadar a Pole????
Será que o piloto mexicano consegue ganhar o GP da Arábia Saudita?#sporttvportugal #F1naSPORTTV #F1 #Formula1 #SaudiArabiaGP ???????? pic.twitter.com/ZlnSFq07ZX— sport tv (@sporttvportugal) March 26, 2022