Há um impasse entre o Governo e a Câmara Municipal de Lisboa sobre quem faz o quê — e quem paga o quê — nas Jornadas Mundiais da Juventude, que são no próximo ano e que trarão o Papa Francisco a Portugal, noticia o Expresso. Caso o Executivo e a autarquia não cheguem a acordo, é possível que algumas atividades do evento sejam deslocadas para Cascais e Vila Franca de Xira.

O rascunho de um memorando a que o Expresso teve acesso comprova que a autarquia de Carlos Moedas se responsabilizou, por exemplo, pela instalação da iluminação, água e casas de banho, a criação de um “espaço para alimentação de VIP e bispos” e de “torres multimédia (imagem e som), que permitam a todos os peregrinos acompanhar as cerimónias em qualquer lugar do recinto e nas zonas circundantes”.

Além disso, e segundo a mesma fonte, a Câmara de Lisboa assumia a escolha dos espaços e a preparação de todas as infraestruturas necessárias para os eventos — incluindo os palcos das Jornadas. A proposta foi enviada pelo gabinete de Laurinda Alves para as outras autarquias e todas as entidades envolvidas no evento, incluindo a Câmara de Loures, o Comité Organizador Local do Patriarcado de Lisboa e o grupo de projeto do Governo.

Só que a autarquia lisboeta ainda não assinou o seu próprio memorando, explica o Expresso, e Carlos Moedas até já pediu “ajuda” ao Executivo em algumas das tarefas a que se tinha proposto anteriormente. O próprio presidente da Câmara disse numa reunião pública esta semana que “agora chegamos à parte operacional, de quem põe as casas de banho, quem limpa o terreno, quem faz o quê”. E atirou a bola para o Governo: “Tem de ser parte da solução. A Câmara Municipal de Lisboa não é promotora do evento”.

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O ex-vereador em Lisboa que coordena o projeto do Executivo, José Sá Fernandes, admitiu ao Expresso que há “alguma apreensão” na organização das Jornadas Mundiais da Juventude. Segundo ele, “falta a Câmara dizer que faz tudo aquilo com que se comprometeu“; ou então avisar que não vai fazer “para arranjarmos uma solução”.

CML espera resposta do Governo

Em resposta ao Observador, a Câmara Municipal de Lisboa esclarece que está disponível para investir até um total de 35 milhões de euros (quando foi já aprovado pela autarquia um investimento de 21 milhões). No mesmo comunicado, a câmara liderada por Carlos Moedas assume a existência de uma missiva enviada ao primeiro-ministro, António Costa, com “a base daquilo que iria ser assumido pela CML para garantir a realização do evento e a estimativa dos custos suportados pela autarquia”.

Assim, assume a autarquia, o executivo de Moedas espera que, “nas JMJ os compromissos assumidos pelo Estado, direta e indiretamente, sejam, no mínimo paritários com o esforço feito pela autarquia de Lisboa”. E revela continuar à espera de uma resposta do Governo. “A CML assumiu as suas responsabilidades. Continuamos à espera de resposta do Governo que, até ao momento, ainda não assumiu as suas”, pode ler-se no comunicado.

*Notícia atualizada às 16h32 com a reação com da Câmara Municipal de Lisboa