“E agora saio outra vez. Boa noite. São iguais!”. Foi assim, por entre uma série de protestos e de dedo em riste, que Pedro Santana Lopes voltou, esta sexta-feira, a abandonar um programa televisivo em direto — quase recriando o célebre momento em que fez o mesmo, em 2007, enquanto sentenciava: “O país está doido!”.

Os motivos são, no entanto, bastante diferentes. Se em 2007 Santana saiu do estúdio da SIC Notícias por causa de uma interrupção que tinha a ver com José Mourinho — já lá vamos –, esta sexta-feira abandonou o debate da CNN em que participava irritado com a exibição de uma das suas mais famosas fotografias: a imagem em que aparece com uma bandana vermelha na cabeça, durante um cruzeiro da discoteca Kapital, durante os anos 1990.

https://twitter.com/bramanecristao/status/1563297999090249735

A imagem tornou-se, na altura, simbólica para o político que seria conhecido pela sua vida social ativa — e muito escrutinada nessa época — e pela fama de bon vivant. Mas Santana não gostou da insistência e, no debate sobre a privacidade dos políticos em que participava por videoconferência ao lado das comentadoras Helena Ferro Gouveia e Mafalda Anjos (diretora da revista Visão) e da moderadora e jornalista Ana Sofia Cardoso, ao ver que a imagem estava a ser exibida no ecrã, irritou-se.

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“Está a ver? Eu disse à vossa editora que não queria participar no debate, até porque já sabia que iam pôr provavelmente a fita encarnada”, protestou. E depois, enquanto se preparava para retirar o microfone de lapela e levantar-se do sofá em que estava sentado, fez, ele próprio, o paralelismo com o célebre momento em que abandonou o debate de 2007: “Eu já saí de um debate por causa de um treinador de futebol chamado José Mourinho. E agora saio outra vez. Boa noite. São iguais!”.

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O canal acabou por justificar que a fotografia em causa foi precisamente um dos motivos que fizeram com que tivesse pertinência convidar Santana Lopes para o debate a propósito da polémica com os vídeos da primeira-ministra finlandesa, Sanna Marin, a dançar numa festa privada, por o próprio Santana ter sido “vítima” das mesmas críticas à sua vida privada. Nada feito: Santana não gostou e abandonou.

Em 2007, o nível de indignação foi semelhante. Nessa altura, estava Santana Lopes a fazer uma análise sobre a situação do PSD quando foi interrompido pela pivô Ana Lourenço: a emissão ia passar em direto para o aeroporto da Portela, em Lisboa, para acompanhar a chegada do ex-treinador do Chelsea a Portugal.

Minutos depois, quando a emissão regressou a estúdio, Santana não perdoou. “Acha que isto se justifica? O José Mourinho é muito mais importante do que qualquer um de nós, sem dúvida nenhuma, e a chegada dele põe o país em delírio”, ironizou então Santana.

E continuou a protestar: “Mas eu pergunto se é assim que o país anda para a frente. Convidaram-me para vir aqui falar de assuntos importantes; eu vim com sacrifício pessoal. Chego aqui e sou interrompido por causa da chegada de um treinador de futebol. Acho que o país está doido! Desculpe dizê-lo, com todo o respeito. Não vou continuar a entrevista, acho que as pessoas têm de aprender. ‘Tá bem?”.

Levantou-se e saiu. Na altura, a SIC ainda veio garantir que não tinha tido intenção de faltar ao respeito do ex-primeiro-ministro, com o diretor, Ricardo Costa, a considerar a reação “inusitada e despropositada”. Mas então, como agora, Santana não gostou — e não ficou.