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Um recruta russo foi condenado a uma pena de cinco anos e meio numa colónia penal após uma altercação com os seus superiores, motivada pelas condições de treino precárias durante a preparação para a participação na “operação militar especial” na Ucrânia.
Esta quarta-feira, o tribunal da cidade de Odintsovo declarou o recruta Alexander Leshkov culpado de agressão ao seu comandante no decorrer do serviço militar, durante o período de mobilização russa. “Foi condenado a cinco anos e seis meses de prisão numa colónia penal. O civil recorreu da decisão pelo que a condenação ainda não entrou em vigor”, disse um porta-voz à agência russa TASS.
Tribunal russo condena soldado por recusar combater na Ucrânia
O caso diz respeito a um incidente de novembro do ano passado num campo de treinos fora de Moscovo, quando Leshkov se revoltou contra o tenenete-coronel Denis Mazanov, refere o The Guardian.
O vídeo do momento, divulgado a 13 de novembro pelo canal 24, mostra o recruta a insultar e a empurrar o oficial russo, garantindo que fala em nome das tropas mobilizadas. “Estão a sabotar as ordens diretas do comandante-chefe. Deviam ser presos”, afirmou, referindo-se à falta de treinos e de equipamentos dos homens convocados na mobilização parcial russa.
Num outro vídeo partilhado pelo jornal russo independente Meduza, Leshkov, de cigarro na mão, sopra fumo para o rosto do comandante. Em resposta o oficial acerca-se do recruta para o empurrar, mas é por sua vez empurrado com violência. “Posso dar cabo de ti agora (…). Tenho treino em artes marciais”, atira. “Não fales comigo assim, és uma m****”.
Enquanto o superior o avisa de que se “irá meter em sarilhos” por o insultar, Leshkov continua as provocações. “O que vais fazer?”, questiona. “Não és tu que tens de te sentar numa trincheira connosco”, acrescenta.
A mobilização parcial russa – a primeira desde a Segunda Guerra Mundial – foi anunciada pelo Presidente Vladimir Putin a 21 de setembro, convocando milhares de russos para combater na linha da frente na Ucrânia. A decisão do Kremlin foi inicialmente recebida com protestos e muitos russos procuram fugir através das fronteiras da Rússia com os países vizinhos.
A par da mobilização, a Rússia aprovou penas mais pesadas em caso de insubordinação, deserção, danos a propriedades militares durante o período de mobilização, crimes que passaram a ser puníveis com penas de prisão entre cinco a 15 anos. A condenação de Leshkov surge na sequência destas alterações ao código penal e, segundo o The Guardian, é o primeiro caso conhecido contra um recruta que criticou a mobilização.
Ucrânia diz que Rússia prepara mobilização de 500.000 recrutas para ofensivas de primavera e verão
A decisão desta quarta-feira surge numa altura em que a Ucrânia acusa a Rússia de preparar uma nova mobilização, com o objetivo de reforçar as suas tropas com 500.000 homens. O vice-chefe dos serviços secretos ucranianos avisou este mês que os novos recrutas deverão ser parte de novas ofensivas russas durante a primavera e verão, que deverão decorrer no sul e leste do país.
Durante o dia, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) acusar a Rússia de fechar as fronteiras aos homens qualificados para o serviço militar. A ordem, adiantam, já está em vigor desde 9 de janeiro.