“Não se registam situações com relevância material que evidenciem uma prática de interferência na gestão corrente da empresa por parte das tutelas”. Esta é uma das conclusões do relatório preliminar da comissão de inquérito sobre a TAP, escrito pela deputada socialista Ana Paula Bernardo.

Apesar desta conclusão, elenca alguns casos, desvalorizando a sua importância. E é omissa em relação a acusações de interferência feitas por David Neeleman.

Refere que foi a generalidade dos depoimentos que diz apontarem para essa não ingerência.

Sobre os casos em concreto, considera-se que a interferência revelada por Diogo Lacerda Machado para votar num sentido contrário num plano de orçamento da TAP foi “uma situação excecional e isolada”, o que “poderá contribuir para, a contrario, se concluir que a norma era efetivamente a da não ingerência”.

TAP. Lacerda Machado assume pressão de ex-secretário de Estado de Pedro Nuno Santos, Souto de Miranda

Fala noutros casos mas colocando a referência de “alegados exemplos”. Nas situações apontadas, justifica, “estamos perante: i) iniciativas de membros da administração da TAP solicitando à tutela uma orientação ou tomada de decisão sobre assunto concreto. É o caso do pedido de alteração de voo de Sua Exa Presidente da República, por iniciativa da agência de viagens e da CEO da TAP; ii) situações em que a tutela intervém quando uma decisão de gestão da Administração assumiu repercussões políticas, num contexto delicado da vida da empresa e dos enormes sacrifícios que estavam a ser impostos aos trabalhadores, como os cortes salariais e os despedimentos. É o caso da substituição da frota automóvel”.

Estes são referidos como exemplos com justificações. Mas dá nota de outras duas situações: o email de Hugo Mendes sobre o voo do Presidente — em que o ex-secretário de Estado sugeriu à então CEO que mudasse o voo; e a presença deste governante na reunião de preparação das respostas da TAP à tutela sobre o caso Alexandra Reis. Ambos os casos são, nas conclusões, “notas” e acrescenta-se: “Em ambos os casos parece não haver evidências de condicionamento nas decisões finais da TAP”.

Montenegro fala em “branqueamento político completo”. IL não vai fazer propostas de alteração porque “não participa em farsas”.