A marcha em memória de Adama Traoré, um homem negro de 24 anos que morreu quando sob custódia policial em 2016, era já uma tradição anual, realizando-se há sete anos consecutivos. No entanto, este ano, as autoridades francesas proibiram a marcha, que teria lugar este sábado, avança o Le Monde. A decisão está a gerar contestação.
A polícia de Val-d’Oise, a norte de Paris, justifica a proibição com questões de segurança e de ordem pública, na sequência dos distúrbios que, na última semana, afetaram várias cidades francesas, com especial intensidade na região pariense. O porta voz do governo francês, Olivier Véran, acusou mesmo a França Insubmissa (partido de extrema-esquerda e um dos apoiantes da marcha) de querer colocar “óleo na fogueira” e de recorrer à “violência social”, numa altura “em que quase toda a classe política se mobiliza para curar as feridas” deixadas pelos protestos em torno da morte do jovem Nahel.
À marcha, organizada pelo comité de Justiça e Verdade para Adama (liderado pela sua irmã, Assa Traoré), associaram-se mais de 90 organizações (entre elas sindicatos e partidos políticos), de modo a protestarem contra o que consideram ser o “racismo sistémico” em França e as políticas “discriminatórias” contra os bairros mais desfavorecidos.
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Quando teve conhecimento da proibição da marcha, o comité organizador anunciou que ia contestar a decisão em tribunal. Seja qual for a decisão judicial, a família de Traoré sublinha que a marcha “é uma comemoração necessária” para as famílias e para todos aqueles que defendem a igualdade e “querem colocar fim à impunidade policial”. O comité organizar alerta que a proibição pode acicatar ainda mais os ânimos contra a polícia nas periferias da capital francesa. O mesmo aviso é feito por uma deputada do partido França Insubmisa.”É irresponsável o governo proibir essas formas democráticas e pacíficas de expressão”, avisou Clémentine Autain, citado pelo Guardian.
O caso de Traoré tornou-se simbólico em França, sendo até comparado com o do norte-americano George Floyd. Adama Traoré, que tem ascendência maliana, morreu em julho de 2016, em Beaumont-sur-Oise, quando estava sob custódia policial. Em 2021, um relatório médico, pedido pelo tribunal que julgava os agentes envolvidos, concluiu que a morte de Traoré foi causada por uma insolação. No entanto, um outro relatório, pedido pela família, conclui que Traoré morreu asfixiado devido às manobras dos agentes da polícia.