A Comissão Técnica Independente (CTI) que está avaliar a futura solução aeroportuária de Lisboa poderá só apresentar as suas conclusões em dezembro ou apenas em janeiro de 2024, admitiu a presidente da CTI numa sessão pública de apresentação dos fatores críticos de decisão. Na fase de perguntas e respostas, Rosário Partidário desvalorizou este risco, reafirmando o calendário previsto de entrega do relatório preliminar em outubro e da consulta pública institucional final a realizar até dezembro.

O relatório preliminar irá já apresentar o resultado da aplicação do quadro de avaliação proposto às nove opções que estão a ser estudadas — e que correspondem a sete localizações: Campo de Tiro Alcochete, Montijo, Lisboa, Santarém, Vendas Novas, Poceirão e Rio Frio. Segundo explicou Rosário Partidário, é sobre este relatório preliminar, que vai já conter o resultado da avaliação de todas as soluções no crivo dos cinco fatores críticos definidos, que será promovida uma consulta pública da qual sairá o relatório final para a tomada de decisão política em 2024.

Da proximidade aos riscos de inundações. Já estão definidos os fatores críticos para avaliar localização do novo aeroporto de Lisboa

As declarações da presidente da CTI foram feitas durante a apresentação da 2.ª fase de avaliação ambiental estratégica que se realizou esta terça-feira no LNEC. No arranque desta sessão a presidente da CTI referiu a existência de dois a três meses de atraso nos trabalhos da comissão que atribuiu a dificuldades técnico-burocráticas de contratação dos estudos e consultores necessários para avaliação. Este problema, que já no passado tinha suscitado alertas por parte de Rosário Partidário, tem vindo a ser resolvido. O atraso está a ser compensado em parte pela aceleração dos trabalhos feitos pela comissão técnica, realçou.

Já na fase de respostas, a presidente da CTI esclareceu que estavam assinados seis contratos dos 25 previstos e “estamos em junho”. Há processos de contratação em curso, mas os três contratos mais relevantes ainda não estão fechados. Perante a insistência para explicar as razões técnico-burocráticas dos atrasos, Rosário Partidário sugeriu que a pergunta fosse colocada ao LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) —  a entidade que financia o trabalho da CTI e que viu o seu orçamento reforçado para esta missão — e ao Ministério das Infraestruturas que tem a tutela do LNEC.

Nas respostas finais aos jornalistas, Rosário Partidário garantiu que o problema não foi falta de verbas e remeteu as demoras para as exigências do código dos contratos públicos.

Os cinco fatores críticos vão ter o mesmo peso

No início da apresentação, o presidente do Conselho Superior das Obras Públicas, Mineiro Aires, sinalizou que à medida que o processo avança aumentam as pressões sobre a equipa que nesta sessão teve duas horas a responder a perguntas dos participantes onde estavam defensores das várias soluções em estudo e de autarcas. Aos jornalistas, Rosário Partidário classificou essa pressão como um processo normal de defesa de posições por parte de várias entidades e sublinhou que foi por isso que foi promovido uma consulta pública, para perceber as motivações de cada uma dessas posições.

A Comissão Técnica Independente estabeleceu cinco fatores críticos de decisão que vão ter todos o mesmo peso na solução final — 20% — e que são avaliados por um total de 21 indicadores.

  • Segurança Aeronáutica
  • Infraestruturas de acesso
  • Conetividade e desenvolvimento económico
  • Investimento público e modelo de financiamento
  • Saúde pública e ambiente

Rosário Partidário sublinhou ainda que o está em causa não é uma avaliação de impacte ambiental, mas sim uma avaliação estratégica que pretende não escolher um local, mas sim a solução que melhor serve o país e deixou o aviso: “Não fiquem à espera de resultados que podiam sair de uma avaliação de impacte ambiental”. A solução que irá resultar do trabalho da comissão fixa-se em objetivos de longo prazo e vai procurar as melhores opções para os atingir.

O processo será assim diferente do seguido na avaliação ambiental estratégica que comparou Ota e Campo de Tiro de Alcochete em 2008, a qual teve sete critérios — dos quais Alcochete venceu em quatro.

Numa sessão dedicada aos fatores críticos para a decisão, critérios de avaliação e indicadores, Rosário Partidário não quis comentar as saídas de dois coordenadores da sua equipa e cujos substitutos, Nuno Marques da Costa e Raquel Carvalho, já estiveram presentes nesta segunda apresentação.

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