Os países mediterrânicos do sul da União Europeia (UE) defenderam esta sexta-feira um aprofundamento da parceria com o continente africano para reduzir “a necessidade” de arriscadas travessias migratórias e assegurar “gestão sustentável” das migrações, revelou o Governo português.

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“Como aqui foi exposto, em particular pela primeira-ministra [italiana] Giorgia Meloni, a prioridade das prioridades é aprofundar a nossa relação de vizinhança muito especial com o continente africano, criar as condições de paz, de proteção dos direitos humanos, de desenvolvimento, que na causa diminuam a necessidade e o impulso de correr os maiores riscos de pôr a sua própria vida em risco para poder encontrar uma nova oportunidade para a sua vida”, afirmou o chefe de Governo português, António Costa.

Numa declaração à imprensa após a Cimeira dos Países do Sul da União Europeia (MED9), esta sexta-feira realizada na capital maltesa, La Valetta, e focada na questão migratória, António Costa defendeu que “só um trabalho profundo da Europa com o continente africano permitirá uma gestão sustentável dos fluxos migratórios“.

“As migrações são um fenómeno global, mas obviamente, por razões de vizinhança, quer na região dos Balcãs, quer do Mediterrâneo, em particular do Mediterrâneo oriental, a generalidade dos países aqui participantes estão na primeira linha da frente do acolhimento de migrantes”, observou.

Ainda assim, o primeiro-ministro sublinhou que “este é um desafio e nos dias de hoje, felizmente, há uma convergência crescente sobre a visão de como lidar com o fenómeno das migrações“.

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A reunião dos MED9 — que, além de Portugal, inclui chefes de governo e de Estado da Croácia, Chipre, França, Grécia, Malta, Itália, Eslovénia e Espanha — realizou-se numa altura de pressão migratória e em que Roma insiste numa posição comum e coerente para gerir melhor as migrações.

Na declaração final, os nove líderes pedem “uma maior proximidade” do continente africano para responder ao “desafio da migração irregular, [que] continua a ser uma realidade sensível e complexa que exige uma resposta europeia sustentada”.

Além disso, os responsáveis apelam a avanços nas negociações sobre o pacto migratório, relativamente ao qual houve avanços na quinta-feira e que está a ser negociado pelos colegisladores, e à “rápida implementação do acordo entre a UE e a Tunísia”. As migrações foram um dos principais assuntos abordados na cimeira desta sexta-feira, tendo em vista a cooperação com países terceiros, como a Tunísia.

O encontro decorre depois de, em meados deste mês, mais de 10 mil migrantes terem chegado em apenas três dias à ilha italiana de Lampedusa, voltando a colocar em foco o debate migratório na UE.

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