O momento chocou o futebol turco, europeu e mundial. No final do jogo entre o Ankaragücü e o Rizespor, a contar para a 15.ª jornada do campeonato da Turquia, o presidente dos primeiros entrou em campo e agrediu violentamente o árbitro da partida. Halil Umut Meler caiu de imediato no chão e ainda foi atingido com pontapés por parte de outros dois elementos ligados ao clube — e não precisou de muito tempo para decidir terminar de imediato a carreira na arbitragem.

De acordo com a imprensa turca, que falou com familiares e amigos que entre segunda e terça-feira visitaram o árbitro no hospital, Halil Umut Meler terá comunicado a intenção de deixar a arbitragem com efeitos imediatos depois do episódio com o presidente do Ankaragücü. O turco de 37 anos, que é natural de Selçuk e foi pai há 10 dias, foi transportado para o hospital logo a partir do estádio e diagnosticado com um traumatismo cranioencefálico.

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“O doente deu entrada no serviço de urgências do hospital e foram efetuados os primeiros exames, como a tomografia computadorizada e outros testes, desde o cérebro até à zona do estômago, especialmente devido a um traumatismo cranioencefálico. De momento, não há perigo de vida. Há uma hemorragia à volta do olho esquerdo, existe uma pequena fissura. Não parece existir nenhuma situação significativa de risco de vida”, referiu o diretor clínico do hospital em Halil Umut Meler está internado, em conferência de imprensa.

Entretanto, o árbitro já prestou depoimento às autoridades e terá revelado o que lhe foi dito pelo presidente Ankaragücü, em declarações também já reveladas pela imprensa turca. “O Faruk Koca deu-me um murro por baixo do olho esquerdo e caí no chão. Depois, várias pessoas deram-me pontapés na cara e noutras partes do corpo, várias vezes. O Koca disse: ‘Vou acabar contigo, vou-te matar'”, referiu o árbitro internacional, que já esta temporada esteve no Benfica-RB Salzburgo, no Estádio da Luz, e no Real Madrid-Sp. Braga, em jogos a contar para a fase de grupos da Liga dos Campeões. No hospital, Umut Meler recebeu uma chamada de Recep Tayyip Erdoğan, presidente da Turquia, que já tinha condenado a agressão nas redes sociais.

Na sequência do incidente que interrompeu todo o futebol da Turquia por tempo indeterminado, tanto Faruk Koca como os outros dois elementos que também agrediram Halil Umut Meler foram detidos já esta terça-feira. Ainda no estádio, o presidente do Ankaragücü — onde joga o português Costinha, que representou P. Ferreira e Gil Vicente — ainda falou com alguns jornalistas e deu declarações algo confusas.

“Isto aconteceu devido a decisões erradas e a um comportamento provocatório do árbitro. O meu objetivo era reagir verbalmente e cuspir-lhe na cara, mas acabei por lhe dar um murro. Mas o murro que lhe dei não vai causar fraturas. Depois de lhe ter batido ainda ficou parado uns cinco ou 10 segundos, só depois é que se atirou para o chão”, começou por dizer, garantindo depois que não se recordava exatamente do que tinha acontecido. “Sinto que o meu cérebro enlouqueceu e que deixei de ter visão. Fiquei cego. Não me lembro do que fiz, não me lembro”, desabafou Faruk Koca, que lidera o clube de Ancara desde junho de 2021.

Nas últimas horas, o médico pessoal do presidente do Ankaragücü revelou que este foi internado de urgência com fortes dores no peito e tensão arterial elevada já após ter sido interrogado pelas autoridades na sequência da detenção. “Chegou com uma tensão arterial muito elevada e sensação de forte pressão no peito. Agora está em observação. Há risco de vida, por isso, vai ficar internado. Fica mais protegido em caso de episódio cardíaco. É importante que fique em observação nas próximas 24 horas”, referiu Erdoğan İlkay, garantindo que Faruk Koca está atualmente “estável”.