O partido Renaissance (Renascimento, em português), liderado por Emmanuel Macron, define-se centrista, não se colocando nem à esquerda, nem à direita do espetro político. Contudo, o novo governo chefiado pelo recém-eleito primeiro-ministro, Gabriel Attal, escolheu nomes mais à direita, indo buscar dois nomes da confiança do ex-Chefe de Estado, Nicolas Sarkozy.

Gabriel Attal elegeu Rachida Dati, antiga ministra da Justiça de Nicolas Sarkozy, para ministra da Cultura, uma decisão tida como surpreendente. A escolha da antiga mulher de confiança do ex-Presidente francês, pertencente ao partido de direita Republicanos, teve um impacto imediato no percurso político da nova ministra.

Logo após o anúncio da nomeação, o presidente dos Republicanos, Eric Ciotti, expulsou Rachida Dati do partido. “Colocou-se fora da nossa família política”, afirmou o responsável político, acrescentando: “Nós estamos na oposição, por isso tirámos as consequência da sua escolha”.

Além disso, o primeiro-ministro elegeu a antiga porta-voz de Nicolas Sarkozy, Catherine Vautrin,para ocupar o cargo de ministra do Trabalho, Saúde e Solidariedade. Tendo em conta estes dois nomes, a oposição fala num “quarto governo” do antigo Presidente francês. “A regeneração é ir buscar dinossauros do tempo do Sarkozy”, atirou o secretário-geral do PS francês, Olivier Faure, no X (antigo Twitter).

Ignorando pastas como a Habitação na sua composição governativa, o que também motivou críticas da oposição, Gabriel Attal fez, não obstante, poucas alterações na equipa governativa de Élisabeth Borne, antiga primeira-ministra. Porém, houve outra polémica: o chefe do executivo escolheu o eurodeputado, presidente dos liberais no Parlamento Europeu e secretário-geral do Renaissance, Stéphane Séjourné, para ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros.

Gabriel Attal e Stéphane Séjourné assumiram publicamente que tiveram um relacionamento, que já terá terminado há cerca de dois anos, segundo apurou o Le Figaro, ainda que os dois não tenham oficialmente confirmado aquela informação. No registo de interesses entregue em outubro do ano passado, o primeiro-ministro francês indicou, contudo, que estava solteiro.

Para além disso, entre as figuras do anterior executivo, foram reconduzidas nas respetivas pastas Bruno Le Maire, como ministro da Economia, e Gérald Darmanin, como ministro do Interior. Outros responsáveis da maioria que se manterão nos cargos são Sébastien Lecornu, à frente do Ministério das Forças Armadas, e Eric Dupond-Moretti, do da Justiça.

Na pasta da Educação, ocupada anteriormente por Gabriel Attal, o primeiro-ministro escolheu Amélie Oudéa-Castéra, antiga ministra do Desporto. A governante vai acumular as duas pastas, estando ainda responsável pela tutela da organização dos Jogos Olímpicos, que terão lugar em Paris em julho e agosto de 2024.

Lagarde recusa integrar governo francês por considerar estar “em missão” no BCE

Já depois de ser conhecido o executivo de Attal, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, confirmou que recusou integrar o novo Governo francês, porque considera que está “em missão” no seu cargo atual. “Se me propusessem ser a rainha da Prússia agora, diria que não”, assegurou, com ironia, quando interrogada sobre o convite para ser a ministra dos Negócios Estrangeiros no novo executivo, chefiado por Gabriel Attal, de 34 anos.

Lagarde, cujo mandato à frente do BCE termina em outubro de 2027, disse que se sentiu “muito honrada” por ter integrado outros governos, durante as presidências de Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy. Acrescentou que estaria “muito orgulhosa de servir de novo” em França, mas agora está “em missão” no BCE e não tem intenção de sair “no momento em que as coisas estão delicadas”.