O concelho de Odivelas referenciou 157 pessoas em situação de sem-abrigo até outubro do ano passado, a maioria do sexo masculino, indicou esta quinta-feira à Lusa o município do distrito de Lisboa, defendendo uma resposta metropolitana para o problema.

O retrato da população em situação de sem-abrigo no concelho de Odivelas foi feito pela vereadora com o pelouro da Coesão Social, Susana Santos (PS), numa resposta escrita enviada à agência Lusa.

Mais de 10.700 pessoas viviam como sem-abrigo em 2022

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Os dados divulgados pela Câmara de Odivelas indicam que, até 31 de outubro de 2023, estavam referenciadas 157 pessoas em situação de sem-abrigo, das quais 86 estavam em processo de acompanhamento.

De acordo com os mesmos dados, a maioria desta população são homens (140), de nacionalidade portuguesa (74) e com idades compreendidas entre os 44 e os 53 anos (41).

A freguesia onde foram identificadas mais pessoas em situação de sem-abrigo foi Odivelas (110), seguindo-se a União de Freguesias da Póvoa de Santo Adrião/Olival de Basto (24), Pontinha/Famões (17) e Ramada/Caneças (6).

A Câmara de Odivelas indicou ainda que, entre 2022 e abril deste ano, distribuiu 23.646 refeições à população em situação de sem-abrigo.

Questionada pela Lusa sobre as soluções que devem ser adotadas para mitigar o problema, a autarca de Odivelas reconheceu que a “problemática das pessoas em situação de sem-abrigo é complexa” e que as respostas locais “já não são suficientes”.

“No nosso entendimento, esta problemática deverá ter uma resposta concertada à escala metropolitana, pelo que defendemos a implementação de uma estratégia para a Área Metropolitana de Lisboa (AML), liderada por esta entidade”, apontou.

Autarcas querem “task force” para resolver problema dos sem-abrigo na AMLisboa

Nesse sentido, Susana Santos manifestou a disponibilidade da Câmara de Odivelas para “colaborar e implementar” as medidas que forem decididas pelos 18 municípios que compõem a AML.

“A Câmara Municipal de Odivelas encontra-se totalmente disponível para colaborar e implementar as diversas soluções e medidas que forem decididas a esta escala, sendo certo que necessitarão de um pacote robusto de assistência técnica e financeira que os municípios não poderão suportar sozinhos”, argumentou.

Susana Santos defendeu ainda que, além dos municípios, devem-se envolver na resolução desta problemática o Governo, a sociedade civil e as empresas.

“Enquanto o fenómeno das pessoas em situação de sem-abrigo não for erradicado estamos todos a falhar enquanto sociedade”, salientou.

Em 10 de maio, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), convidou os autarcas dos 18 municípios da AML para um encontro para discutir medidas para contrariar este fenómeno.

No entanto, apenas os presidentes de Oeiras, Isaltino Morais (independente), e de Cascais, Carlos Carreiras (PSD), compareceram, enquanto outros três — Barreiro (PS), Almada (PS) e Seixal (CDU) — fizeram-se representar por vereadores ou técnicos que acompanham a problemática.

No final do encontro, Carlos Moedas anunciou que as câmaras de Lisboa, Oeiras e Cascais querem avançar com uma task force e criar centros de acolhimento para integrar as pessoas em situação de sem-abrigo que existem na área metropolitana

Fazem parte da AML os concelhos de Alcochete, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira.