O exército sírio anunciou esta quinta-feira a retirada da cidade de Hama, depois de ter sido ocupada pelos rebeldes islamitas que tentavam tomar a cidade depois de, na semana passada, terem tomado Alepo e começado uma ofensiva insurgente contra o regime de Bashar Al Assad. As Forças Armadas afirmaram “ter reposicionado fora da cidade”, num comunicado citado pelo Washington Post.
Os combates entre rebeldes e forças do regime tinham-se intensificado no último dia — na madrugada de quarta-feira, o exército lançou uma contraofensiva que deixou os rebeldes a 10 quilómetro da cidade. O grupo rebelde Hayat Tahrir al Sham (HTS) relatou esta quinta-feira que tinha assumido controlo dos bairros centrais de Hama, da Prisão Central, no leste da cidade, e libertado os reclusos.
O comunicado do exército confirma “a penetração dos grupos nos eixos centrais da cidade”. Dada “a subida do número de mártires”, o exército escolheu retirar todas as unidades militares da cidade para “preservar a vida dos civis”, pode ainda ler-se.
A cidade de Hama, a quarta maior do país, reveste-se de valor estratégico, já que fica a meio caminho entre Alepo — a cidade no norte da Síria onde começou a rebelião — e a capital Damasco — que fica a pouco menos de 200 quilómetros a sul. Além disso, a M5, a autoestrada que corta a Síria de norte a sul e passa nas duas maiores cidades, passa em Hama.
O HTS lembra ainda o valor histórico da cidade para os insurgentes. “Hafez Al Assad entrou em Hama com tanques e roubou-o às pessoas. Hoje, entramos com tanques e estamos a devolvê-la”, declaram também em comunicado, numa referência à rebelião de 1982. À data, o pai do atual Presidente ordenou ao exército que travasse a Irmandade Muçulmana, o que resultou numa ofensiva de quase um mês e 25 mil mortos entre forças do regime e insurgentes.
Abu Mohammed al-Julani, líder do HTS e também chefe da Organização de Libertação do Levante (OLL), prometeu que, ainda assim, “não haverá vingança”, numa mensagem de vídeo difundida no canal Telegram dos rebeldes. As palavras de al-Julani em Hama, são semelhantes às proferidas na quarta-feira à noite na emblemática cidadela de Alepo, em que pediu aos combatentes do movimento que respeitem a população cristã.
A reivindicação dos rebeldes sobre Hama foi confirmada pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), que adiantou que os combatentes da aliança “entraram na cidade a partir de várias direções” e que “estão a travar violentos combates com as forças do regime”. Mais de 700 pessoas foram mortas na última semana, incluindo mais de uma centena de civis, segundo o OSDH.