Herói, apesar de tudo. O jovem de 26 anos Luigi Mangione terá assassinado a tiro Brian Thompson, CEO da seguradora norte-americana UnitedHealthcare e pai de dois filhos. Embora esteja a ser acusado de cinco crimes (entre os quais incluindo porte de arma sem licença e falsificação de documentos), nas redes sociais é agora visto por muitos como um herói e justiceiro, que agiu com as próprias mãos para defender o “bem comum” e a “justiça social”. Já foram até criadas playlists inspiradas no jovem que chegou a ser professor assistente na reputada Universidade de Stanford.
“Luigi matou 1. É errado, mas quantos o CEO não matou ao negar tratamento?”, lê-se numa das várias publicações que têm sido feitas na rede social X nos últimos dias, desde que o alegado culpado pela morte de Brian Thompson foi identificado.
Luigi matou 1. É errado, mas quantos o CEO não matou ao negar tratamento?
— Nelson Antunes ♥️????????????⬛⬅️ (@nelsonantunesjr) December 10, 2024
Foi há praticamente uma semana que Luigi Mangione esperou que o CEO da seguradora norte-americana aparecesse junto ao hotel Hilton, em Manhattan, Nova Iorque. Quando Brian Thompson surgiu, um atirador encapuzado disparou na sua direção, matando-o com dois tiros. A identidade do responsável foi pouco tempo depois descoberta e esta segunda-feira foi detido.
Desde que a identidade de Luigi foi revelada, no X as publicações multiplicaram-se, com utilizadores a defender que apesar de a “atitude de Luigi não ser certa, ele não é o vilão” da história, assim como outros que criticam o facto de Luigi Mangione não ser apoiado a partir do momento em que é um “oprimido” que “se revolta contra o opressor”.
Luigi é um herói. Quantos CEOs pelo mundo não mataram pessoas por negarem isso e aquilo que era obrigação deles darem porqu existia um contrato de prestação de serviços? Eles só falam em estado de barbárie quando o oprimido se revolta contra o opressor que quer se vingar.
— mano del rey (@scl58091328) December 11, 2024
A mídia dos EUA e a nossa que é cópia e cola da de lá, está massacrando o Luigi e encobrindo os crimes do CEO da HealthCare que matou milhares ao negar acesso aos planos que são pagos para maximizar os lucros. A atitude de Luigi não é certa, mas ele não é o vilão dessa história
— P (@pfirmoof) December 10, 2024
Também a advogada Carmo Afonso saiu em defesa de Luigi Mangione, alegando que apesar de lamentar “a morte do CEO da United”, lamenta “muito mais que um jovem movido por questões relacionadas com o bem comum e justiça social tenha estragado o seu futuro”.
lamento a morte do ceo da united. sou contra o uso da violência para defender causas, mesmo as causas justas.
mas lamento muito mais q um jovem movido por questões relacionadas com o bem comum e justiça social tenha estragado o seu futuro.— carmo afonso (@carmoafonso) December 11, 2024
Há ainda quem defenda o ato de Luigi Mangione e apele à “empatia pelas pessoas que morreram” em virtude de tratamentos recusados pela seguradora UnitedHealthcare para que esta “pudesse pagar salários inflacionados e bónus aos seus gestores e acionistas”. E quem considere que o problema não foi o ato do jovem de 26 anos — que apelidou de “assassino justiceiro” — mas sim o facto de a sociedade americana não ser “saudável”.
If American society was healthy we very literally wouldn’t have this vigilante killer. https://t.co/XCGo8JfKa5
— Read Abolish Rent (@JPHilllllll) December 10, 2024
Where’s your empathy for the people who died after having their care refused so United could pay over inflated wages and bonuses to their management and shareholders ?
— L (@lcb568) December 5, 2024
Até ao momento não há confirmações sobre o que terá levado Luigi Mangione a agir, mas no momento da detenção o jovem tinha consigo um manuscrito de três páginas, ao qual a agência Associated Press teve acesso. No documento lia-se que os EUA têm o sistema de saúde mais caro do mundo e que, apesar de os lucros das seguradoras continuarem a crescer, a “esperança de vida” dos americanos não apresenta a mesma tendência. Luigi Mangione escreveu ainda no seu manifesto que a morte de Brian Thompson seria uma “queda simbólica”, e que ele seria o “primeiro a enfrentá-lo com uma honestidade brutal”. “Estes parasitas estavam a pedi-las”, escreveu também.
Entre os vários utilizadores do X que têm vindo a apoiar a decisão de Luigi Mangione, há ainda espaço para aqueles que se focam no seu aspeto, tecendo-lhe elogios como “é o homem mais bonito do ano”. E também houve espaço para os mais ousados, que se deixaram levar pela criatividade e elaboraram playlists no Spotify inspiradas no ato de Luigi Mangione e que incluem músicas como “Criminal”, de Britney Spears, e “Man Down”, de Rihanna.
ele entrará para os livros de história da nova era revolucionária pic.twitter.com/zxCJtZ2ZuT
— ????????????️???? (@boyglass_) December 11, 2024
Luigi Mangion's spotify playlist is actually insane pic.twitter.com/0k2OLKl7G4
— MinatheRuined ???????? (@adelianator) December 10, 2024
A mesma conta que começou por criar a playlist “POV: Takin out a CEO” (Ponto de Vista: Matar um CEO, em português) e que depois acabou por ver a sua ideia ser replicada por muitos outros utilizadores do Spotify, perdeu a playlist criada, após a própria aplicação de música a bloquear. Por este motivo, criou uma outra, intitulada “Free Luigi Mangioni”.