O compositor e músico brasileiro Gilberto Gil disse à Lusa desejar a vitória de Lula da Silva nas eleições presidenciais e associou o grupo político de Flávio Bolsonaro a “um certo retrocesso” na vida do Brasil.
“No caso, o mais forte, no sentido de mais competitivo, é o atual Presidente Lula, que tem muita experiência histórica em relação à vida política no Brasil e que tem uma proximidade muito maior, muito mais profunda, com o campo progressista”, afirmou Gilberto Gil à Lusa.
O cantor baiano, que atua em 10 de outubro no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, com a ópera “Amor Azul”, considerou que Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula nas eleições de 4 de outubro, “descende de um grupo político” que representou, para o campo progressista, “um certo retrocesso, um certo atraso na vida brasileira”.
“Flávio descende de um grupo político, que foi para nós do campo progressista um certo retrocesso, um certo atraso na vida brasileira e, portanto, trabalhamos para que seja eleito um outro candidato”, frisou o músico brasileiro de 84 anos.
Gilberto Gil, que foi ministro da Cultura do Brasil entre 2003 e 2008, durante a primeira administração do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, justificou que a sociedade do campo progressista, “não só a vida política mas a vida cultural, a vida intelectual”, têm “uma preferência por um outro candidato à Presidência da República, que não é Flávio Bolsonaro”.
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Questionado sobre uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, senador e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Gilberto Gil evitou antecipar esse cenário: “teremos que conviver com isso, com a realidade que se imporá pela sua presença”.
Sobre se a Bahia, de onde é natural, e a região do Nordeste, poderão voltar a dar a Lula da Silva uma votação decisiva, respondeu: “Esperamos que sim”.
Gilberto Gil admitiu, porém, uma “possível perda de votos no Nordeste brasileiro”, que, na sua avaliação, “pode ser compensada pelo crescimento da votação do Lula no Sudeste”.
Historicamente, candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT), em especial Lula da Silva, triunfam no Nordeste com percentagens altas, que costumam ser decisivas para as vitórias da esquerda brasileira.
Em 2022, na segunda volta das presidenciais, de acordo com dados oficiais, Lula da Silva registou 69,34% dos votos válidos, contra 30,66% de Jair Bolsonaro, que à época era presidente brasileiro e procurava a reeleição.
Gilberto Gil considerou que a direita ganhou “alguma presença maior no Nordeste brasileiro em relação ao pleito anterior”, mas afirmou que, no Sudeste, nomeadamente no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais, “tem havido um crescimento da presença do Presidente Lula, da candidatura do Presidente Lula”.
“Então, a possível, provável, (…) perda de votos no Nordeste brasileiro pode ser compensada pelo crescimento da votação do Lula no Sudeste”, acrescentou.
A primeira volta das eleições decorre em 4 de outubro, com as sondagens a mostrarem uma luta acirrada entre o atual Presidente brasileiro, Lula da Silva, e o senador Flávio Bolsonaro.
Caso nenhum candidato consiga alcançar pelo menos 50% dos votos, os eleitores serão chamados novamente às urnas para uma segunda volta agendada para 25 de outubro.
Gilberto Gil traz ao Coliseu dos Recreios uma ópera onde a música brasileira encontra a Índia e a tradição clássica, num concerto a 10 de outubro para despertar “entusiasmo” e dar voz à proximidade entre Brasil e Portugal.
Baseada no poema indiano da obra “Gita Govinda”, do século XII, de Jayadeva Goswami, “Amor Azul” conta a história de amor entre o deus Krishna e a mortal Rada, numa ópera em dois atos com músicas inéditas.
O cantor e compositor brasileiro de 84 anos detalhou que o libreto resultou de uma tradução do poema feita por André Vallias e Aldo Brizzi, cuja experiência na música de concerto se juntou ao seu “modo popular” de pensar a música.
Em Lisboa, Gilberto Gil será acompanhado pelo Núcleo de Ópera da Bahia, pela Lisbon International Symphony Orchestra e pelo Coro Phydellius, sob a direção de Aldo Brizzi.