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Emmanuel Macron anunciou, esta sexta-feira, que François Bayrou, líder do partido centrista Movimento Democrático (MoDem), ex-ministro da Educação, antigo candidato presidencial e autarca da localidade de Pau, será o novo primeiro-ministro de França.
Esta sexta-feira de manhã, Emmanuel Macron esteve reunido durante uma hora e 45 minutos precisamente com François Bayrou. Num comunicado publicado cerca de duas horas depois de o encontro ter terminado, o Presidente francês diz que “encarregou” François Bayrou “de formar um governo”, o segundo desde as eleições legislativas de julho de 2024.
Ao Le Figaro, fonte da entourage de Emmanuel Macron assinalou que François Bayrou terá a “missão de dialogar com todos os partidos políticos”, à exceção da União Nacional e da França Insubmissa. O autarca de Pau foi “o nome mais consensual” por ser a “personalidade mais bem preparada para garantir a unidade e formar um governo de interesse geral”.
Nos últimos dias, o Presidente francês sublinhou que deseja encontrar alguém que se mantenha como primeiro-ministro pelo menos até 2027, ano das eleições presidenciais. No entanto, com uma Assembleia Nacional fragmentada, a missão revela-se difícil. Emmanuel Macron tem tentado obter o apoio do PS francês, que abriu a porta a viabilizar um governo, desde que fosse nomeado um primeiro-ministro de esquerda.
Em relação aos restantes partidos políticos, o líder da União Nacional (RN), Jordan Bardella, já veio garantir que o partido não vai “censurar a priori“ o novo governo liderado por François Bayrou. No entanto, o presidente do partido lembrou o novo primeiro-ministro que tem de ter “em consideração a nova situação política”, apelando a que compreenda que não “dispõe de legitimidade democrática, nem a maioria na Assembleia Nacional”. “Isso pressupõe um diálogo com todas as forças representadas no Parlamento”, acrescentou Jordan Bardella.
Reação diferente a França Insubmissa, que já deixou claro que vai avançar com uma moção de censura. No X (antigo Twitter), o coordenador nacional do partido de Jean-Luc Mélenchon, Manuel Bompard, considerou que Emmanuel Macron mostrou o “dedo do meio” à democracia. “Após ter perdido as últimas eleições, Macron está a colocar o seu apoiante em Matignon. Derrubar Bayrou será derrubar Macron. Vamos avançar com uma moção de censura.”
Après 8 jours de vaudeville, Bayrou est nommé Premier ministre.
C’est un nouveau bras d’honneur à la démocratie. Après avoir perdu toutes les dernières élections, Macron installe son premier et dernier soutien à Matignon.
Faire tomber Bayrou, ce sera donc faire tomber Macron.…
— Manuel Bompard (@mbompard) December 13, 2024
Por sua vez, Gabriel Attal, ex-primeiro-ministro e presidente do Renascença (partido de Emmanuel Macron), veio saudar a escolha. No X, recordou “os tempos difíceis” que França atravessa e elogiou François Bayrou. “Sei que tem as qualidades para defender o interesse geral e construir a estabilidade essencial que os franceses esperam.”
Le président de la République a nommé François Bayrou Premier ministre.
Dans le moment si difficile que traverse notre pays, je sais qu’il a les qualités pour défendre l’intérêt général et construire l’indispensable stabilité que les Français attendent.
Avec le groupe…
— Gabriel Attal (@GabrielAttal) December 13, 2024
A ‘nega’ de Jean-Yves Le Drian
Existiram vários nomes a circular para o possível cargo de primeiro-ministro. O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, antigo membro do Partido Socialista (PS) francês, Jean-Yves Le Drian, foi um deles e garantiu que recusou o cargo de primeiro-ministro. Em declarações ao semanário bretão Le Penthièvre, indicou que lhe “foi oferecido” o lugar, mas que “rejeitou”. “Daqui a dois anos e meio farei 80 anos”, justificou.
A escolha de um novo primeiro-ministro surge depois de o governo liderado por Michel Barnier ter sido alvo de uma moção de censura, na passada quarta-feira, em que votaram a favor os partidos da coligação de esquerda Nova Frente Popular e a União Nacional (RN).
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Para a formação de um novo governo, Emmanuel Macron reuniu-se esta semana com representantes de quase todos os partidos, à exceção da França Insubmissa, pertencente à Nova Frente Popular, e a União Nacional de Marine Le Pen.
Para a nomeação do novo primeiro-ministro, o Presidente francês espera obter o aval de outros partidos de esquerda — como o Partido Socialista (PS) — e também d’Os Republicanos, uma formação partidária de centro-direita.
“Não esconder nada, não negligenciar nada e não deixar nada de lado”
Na cerimónia de tomada de posse, o antigo primeiro-ministro deixou palavras de apoio a François Bayrou, defendendo a “tenacidade” e “frescura revigorante” que o centrista trará ao país e à Europa. Nas suas declarações, Barnier referiu a “situação séria e sem precedentes” que França está a sentir, mencionando a censura do seu governo três meses após ter assumido a pasta.
“Ninguém conhece a dificuldade da situação melhor que eu“, afirmou Bayrou, nas suas primeiras palavras enquanto primeiro-ministro, depois de se dirigir ao seu antecessor, com um agradecimento “enquanto cidadão”, pelo “risco tomado quando assumiu o cargo”. O novo governante sublinhou o seu “papel” neste “período sério” para a França e para a Europa, de “enfrentar, sem timidez, a situação que é o resultado de décadas inteiras sem a procura de equilíbrio”.
Segundo Bayrou, a sua linha de conduta enquanto primeiro-ministro será “não esconder nada, não negligenciar nada e não deixar nada de lado“, partilhando as preocupações apresentadas por Barnier sobre o estado atual do país. “Todos conhecem a situação difícil em que nos encontramos. Mas há um caminho que temos de encontrar, o da unidade em vez da divisão”, acrescentou, comprometendo-se a “servir esta reconciliação necessária”.