Pelo menos 15 pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas depois de um veículo ter avançado a alta velocidade sobre uma multidão, que festejava a passagem de ano, na movimentada Bourbon Street, em Nova Orleães, nos EUA. Os números foram confirmados em comunicado pelas autoridades, que indicaram que os feridos foram transportados para os cinco hospitais mais próximos. Identificado como Shamsud Din Jabbar, de 42 anos, o suspeito foi abatido na troca de tiros com a polícia, avançaram duas fontes policiais ao The New York Times e confirmou o FBI. Segundo fontes policiais citadas pela CNN, o atacante era um cidadão norte-americano, nascido no Texas, e tinha uma bandeira do Estado Islâmico no veículo, assim como dispositivos suspeitos de serem explosivos.
Depois de avançar sobre a multidão, explica a CBS News, o condutor saiu do veículo, uma carrinha pickup da marca Ford, e começou a disparar, com a polícia a responder no local também com disparos. Dois polícias foram alvejados mas estão estáveis, avançou a superintendente Anne Kirkpatrick na atualização mais recente.
As autoridades procuram agora perceber se existem ligações ao terrorismo internacional e avançam, segundo a CBS News, que até ao momento o ataque não foi reivindicado por nenhuma organização terrorista.
O que se sabe sobre o atropelamento em Nova Orleães que está ser investigado como ato terrorista
Numa conferência de imprensa na tarde desta quarta-feira, o FBI avançou que dois engenhos explosivos improvisados foram encontrados na área onde aconteceu o atropelamento e que as autoridades não acreditam que o suspeito seja “o único responsável” pelo ataque. “Não acreditamos que Jabbar tenha sido o único responsável”, disse Alethea Duncan, agente especial assistente do FBI. “Estamos a investigar agressivamente todas as pistas, incluindo as dos seus associados conhecidos.”
Here is the alleged suspect in the New Orleans truck incident, Shamsud-Din Jabbar.
Color me shocked. pic.twitter.com/vGNfbnwo5k
— Sara Rose ???????????? (@saras76) January 1, 2025
O atropelamento ocorreu por volta das 3h15 locais desta quarta-feira (cerca das 9h15 em Lisboa). As autoridades pedem à população para manter-se afastada da Bourbon Street. O Presidente norte-americano, Joe Biden, já foi informado do “terrível” atropelamento e está em contacto com a autarca de Nova Orleães, LaToya Cantrell.
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Já Donald Trump, Presidente eleito norte-americano que toma posse no próximo dia 20, reagiu ao sucedido ao apontar que a taxa de criminalidade nos EUA está “a um nível que nunca ninguém viu antes”. “Os nossos corações estão com todas as vítimas inocentes e os seus entes queridos, incluindo os corajosos agentes do Departamento de Polícia de Nova Orleães. A administração Trump apoiará totalmente a cidade na sua investigação e recuperação deste ato de pura maldade”, escreveu o republicano na sua rede social, a Truth Social.
Nas redes sociais têm sido partilhados vários vídeos do local do atropelamento, que mostram várias vítimas no chão e onde é possível ouvir o som de tiros, bem como testemunhar a chegada das autoridades e dos serviços de emergência.
????????⚡️- Scenes from the French Quarter, New Orleans, where the attack took place. pic.twitter.com/Wh6lz7XOXh
— Zlatti71 (@Zlatti_71) January 1, 2025
O Departamento da Polícia de Nova Orleães acredita que o atropelamento foi “intencional” e que o condutor tinha como objetivo atingir o “maior número de pessoas possível”. Foram encontrados engenhos explosivos “improvisados” no local. O FBI será responsável pela investigação e, inicialmente, disse que este não era um “evento terrorista”. Entretanto, num comunicado mais recente, o FBI revelou que, afinal, está a investigar o caso como um “ato de terrorismo”.
Neste momento, os investigadores tentam perceber se o suspeito tinha ligações a uma organização terrorista estrangeira ou se se terá inspirado num desses movimentos, avançaram fontes policiais à CBS News.
▲ As testemunhas descrevem um cenário de "horror"
AFP via Getty Images
Entretanto, os relatos de quem estava na Bourbon Street quando o camião começou a avançar pela multidão já começaram a surgir, com as testemunhas a descreverem um cenário de “horror”. “Um corpo veio a voar na minha direção”, conta Kevin Garcia, de 22 anos, à CNN Internacional.
Outra testemunha, Whit Davis, também de 22 anos, estava numa discoteca quando o atropelamento aconteceu e lembra que “toda a gente começou a gritar e a correr para as traseiras”. “Ficámos fechados durante um bocado e depois acalmámo-nos, mas não nos deixavam sair […] Quando finalmente nos deixaram sair, a polícia indicou-nos para onde caminhar e disse-nos para sairmos rapidamente da zona”, recorda, acrescentando que viu “alguns cadáveres” no chão e “muitas pessoas a receber os primeiros socorros”.
No X, o Governo português mostrou-se solidário com os cidadãos de Nova Orleães em particular, e com o povo norte-americano em geral, depois do ataque. Numa mensagem publicada em português e inglês na conta do Ministério dos Negócios Estrangeiros pode ler-se que “diante deste abominável atentado terrorista, o Governo português está solidário com os cidadãos de Nova Orleães e com todo o povo americano”.
O Governo apresentou ainda “condolências às famílias das vítimas e votos de pronta recuperação aos feridos”.
Diante deste abominável atentado terrorista, o Governo português está solidário com os cidadãos de Nova Orleães e com todo o povo americano. Apresenta condolências às famílias das vítimas e votos de pronta recuperação aos feridos. @USEmbPortugal
— Negócios Estrangeiros PT (@nestrangeiro_pt) January 1, 2025
Também Marcelo Rebelo de Sousa condenou o ataque, enviando a Joe Biden uma mensagem de pesar pela morte das quinze pessoas. Na sua mensagem, o Presidente da República “condenou nos termos mais veementes este ataque contra civis indefesos, manchando indelevelmente um dia que deveria ser dedicado à esperança e à paz”. Marcelo manifestou ainda toda a sua solidariedade para com o povo norte-americano, “transmitindo condolências às famílias das vítimas e desejos de rápida recuperação aos feridos”.
Na segunda-feira, as autoridades de Nova Orleães tinham dito que iriam estar com “100% do pessoal” a trabalhar durante a passagem de ano e o Sugar Bowl — um jogo de futebol americano universitário disputado anualmente no primeiro dia de janeiro — e que contariam ainda com o apoio de 300 agentes adicionais.
Marcado para esta quarta-feira à noite, o Sugar Bowl foi adiado para quinta-feira: “É no melhor interesse de todos e da segurança pública que adiamos o jogo por 24 horas”, disse o CEO do Sugar Bowl, Jeff Hundley, numa conferência de imprensa, junto do FBI. A cidade norte-americana este ano vê as universidades da Geórgia e de Notre Dame a enfrentarem-se por um lugar nas meias-finais do College Football Playoff. De acordo com a CNN, muitas das celebrações que decorriam na Bourbon Street aquando do atropelamento destinavam-se aos adeptos de futebol americano universitário que estão em Nova Orleães para assistir ao jogo.