Um veículo avançou a alta velocidade sobre uma multidão, que festejava a passagem de ano, na movimentada Bourbon Street, na cidade norte-americana de Nova Orleães. Pelo menos 15 pessoas morreram e 35 ficaram feridas, incluindo dois polícias que foram alvejados pelo condutor e que estão estáveis no hospital. O suspeito foi abatido na troca de tiros com as autoridades. Foi identificado. É americano e um veterano do exército, mas as autoridades acreditavam inicialmente que não teria agido sozinho — à NBC News, a procuradora do Louisiana, Liz Murrill, chegou a afirmar “com alguma certeza que há várias pessoas envolvidas”. Afinal, esta quinta-feira, a informação foi corrigida: não há motivos para acreditar que haja mais suspeitos.

Há ainda sinais que apontam para eventuais ligações do autor do ataque ao Estado Islâmico. O caso está a ser investigado como um atentado terrorista.

O atropelamento ocorreu por volta das 3h15 locais desta quarta-feira (cerca das 9h15 em Lisboa) e as autoridades, que investigam o sucedido, já se retiraram do local do crime, em Bourbon Street. O Presidente dos EUA, Joe Biden, que está no estado norte-americano de Delaware para um casamento de família, já foi informado do “terrível” incidente e está em contacto com a presidente da câmara de Nova Orleães, LaToya Cantrell, para “oferecer apoio”.

Em declarações transmitidas na televisão, Biden avançou que o FBI descobriu que Shamsud-Din Jabbar, o homem responsável pelo ataque, “publicou vídeos nas redes sociais em que indicava que tinha sido inspirado pelo ISIS, expressando um desejo de matar”.

Joe Biden diz que vídeos publicados nas redes sociais indicam que autor do ataque em Nova Orleães foi “inspirado” pelo Estado Islâmico

O FBI está encarregue da investigação e está a tratar o atropelamento em massa como um “ato terrorista” e as autoridades já realizaram dois longos briefings com a informação mais relevante sobre a investigação.

Eis o que se sabe e o que falta saber sobre o caso:

Pelo menos 15 mortos em atropelamento durante festejos de passagem de ano em Nova Orleães

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O que se sabe?

  • O suspeito foi identificado como Shamsud-Din Jabbar, um cidadão norte-americano de 42 anos, nascido no Texas, que serviu o exército dos EUA de 2007 a 2020, avançou a CBS News e confirmou o FBI. De 2007 a 2015, serviu como especialista em recursos humanos e especialista em tecnologias da informação, tendo sido destacado para o Afeganistão de fevereiro de 2009 a janeiro de 2010. Antes de entrar para o Exército, Shamsud Din Jabbar Jabbar também serviu durante um mês na Marinha dos EUA.
  • Segundo a CNN, no momento do ataque o suspeito tinha consigo uma bandeira do Estado Islâmico. Fontes policiais já tinham avançado ao The New York Times que o veículo — uma carrinha pickup da marca Ford — estava registado em nome de um homem de 42 anos de Houston.
  • A carrinha foi alugada por Shamsud Din Jabbar Jabbar no dia 30 de dezembro. No dia seguinte, o atacante conduziu de Houston para Nova Orleães, na mesma noite em que gravou vários vídeos de apoio ao Estado Islâmico, ao qual se tinha juntado antes do verão, e explicou que desistira do plano inicial — que envolveria matar amigos e familiares. 

  • O suspeito conduzia a carrinha que avançou em alta velocidade sobre a multidão. As autoridades dizem que o atropelamento em massa foi “intencional” e que o responsável tentava atingir o “maior número de pessoas possível”. “Estava empenhado em criar a carnificina e os danos que causou”, avançou a superintendente Anne Kirkpatrick.
  • Existiu uma troca de tiros. Depois de avançar sobre a multidão, o condutor deixou o veículo e começou a disparar. A polícia respondeu e terá abatido o suspeito. Dois agentes foram alvejados, mas estão estáveis no hospital.
  • O atropelamento fez 15 mortos e 35 feridos, incluindo os dois polícias, que foram transportados para os cinco hospitais mais próximos.
  • Foram encontrados engenhos explosivos “improvisados” no local. O FBI disse, segundo a CNN, estar a “tentar confirmar se se tratam de engenhos viáveis ou não”.
  • Primeiro, a autarca LaToya Cantrell disse que Nova Orleães tinha sido “afetada por um ataque terrorista”. Depois, Alethea Duncan, agente especial adjunta responsável pela delegação do FBI na cidade, afirmou que o caso não estava a ser tratado como um “ato terrorista”. Entretanto, num comunicado mais recente que é citado pela BBC, o FBI muda a versão da história e diz que investiga um “ato de terrorismo”.
  • As autoridades não têm motivos para acreditar que exista uma ligação entre este ataque e a explosão de um carro da Tesla à porta de um hotel de Donald Trump, em Las Vegas, apenas algumas horas depois.
  • Quem são as vítimas. A BBC avançou que há três vítimas mortais com idades entre os 18 e os 37 anos. São elas Nikyra Dedeaux, de 18, Tiger Bech, de 27, e Reggie Hunter, de 37. Ainda sem saberem “quantos poderão ser turistas ou habitantes locais”, a superintendente Anne Kirkpatrick, do Departamento de Polícia de Nova Orleães, disse que era provável que a “maioria” fossem “locais”. Um estudante da Universidade da Geórgia está entre os feridos graves e o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel afirmou que, entre os feridos, estão também dois cidadãos israelitas.
  • A Bourbon Street é uma das mais movimentadas de Nova Orleães. Estava muita gente na rua, não só por ser passagem de ano, mas também porque a cidade vai receber o Sugar Bowl, um jogo de futebol americano universitário disputado anualmente no primeiro dia de janeiro. As universidade de Geórgia e Notre Dame iam enfrentar-se esta quarta-feira à noite, no entanto, o CEO do Sugar Bowl já veio avançar que o jogo foi adiado para quinta-feira à noite devido ao ataque.
  • As autoridades estavam preparadas para uma enchente e, na segunda-feira, já tinham dito que iriam estar com “100% do pessoal” a trabalhar e que contariam com o apoio de 300 agentes adicionais. Mas não foram colocadas as barreiras que limitam o acesso de automóveis à zona pedonal. Após o atropelamento, a superintendente Anne Kirkpatrick disse que estavam mais de 300 operacionais na zona e que o suspeito, devido à sua “intencionalidade”, conseguiu “contornar as barricadas” criadas pelas autoridades.
  • Segundo a presidente da Câmara de Nova Orleães, LaToya Cantrell, os pilares mecânicos da zona não funcionavam e por isso estavam a ser substituídos antes do Super Bowl, que acontece em fevereiro. No seu lugar, estavam os carros da polícia. “Este terrorista em particular dirigiu-se para o passeio e contornou o alvo difícil. Tínhamos um carro lá, tínhamos barreiras lá, tínhamos agentes lá, e mesmo assim ele conseguiu contornar”, disse a superintendente da polícia Anne Kirkpatrick numa conferência de imprensa na quarta-feira.
  • O homem trabalhava desde 2021 na consultora Deloitte, confirmou um  porta-voz da empresa à ABC News. “Estamos chocados com os relatos sobre o indivíduo identificado como suspeito ter qualquer associação à nossa empresa”, diz o comunicado. “Como toda a gente, estamos ultrajados por este ato de violência sem vergonha e sem sentido e estamos a fazer de tudo para ajudar as autoridades na investigação.”
  • Um boletim da Polícia de Louisiana, citado pela AP News, indica que foram vistas nas imagens de videovigilância três homens e uma mulher a colocar um dos dispositivos explosivos. Porém ainda não está confirmado quem são estas pessoas.
  • A Polícia de Nova Orleães revela que “não havia informação” sobre um possível ataque à Bourbon Street, segundo informação da superintendente Anne Kirkpatrick, citadas pela NBC News.

O que não se sabe?

  • A motivação para o atropelamento. Além da identidade, permanecem ainda por conhecer as motivações que o condutor teria para, “intencionalmente”, querer atingir o “maior número de pessoas possível”. Mas um dos responsáveis do FBI, Christopher Raia, disse esta quinta-feira que é possível “assumir” que a motivação tem a ver com a “inspiração a 100%” que o atacante retirou do Estado Islâmico e com saber que aquela rua estaria cheia para as comemorações da passagem do ano.

(Atualizado às 17h34 de 2 de janeiro)