Um delegado do partido Podemos no distrito de Buzi, centro de Moçambique, foi baleado mortalmente esta quinta-feira de madrugada por um grupo de desconhecidos, disse fonte do maior partido da oposição no parlamento.
“Mandou-me mensagem por volta da 1h00 a dizer que a casa já estava cercada. Depois da mensagem já não conseguia mais falar com ele. Mas, logo quando amanheceu, o sobrevivente que estava com ele, que também foi baleado no braço, ligou-me e ele foi alvejado mortalmente”, descreveu Vale Magalhães, mandatário distrital do Partido Optimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (Podemos).
A vítima, Sandes António, de 30 anos, foi encontrado morto na sua residência, atingido por três tiros, na cabeça, peito e costas, disse, em declarações aos jornalistas, aquele responsável político, que responsabilizou a polícia pelo crime.
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Segundo Vale Magalhães, a vítima, antes do seu assassinato, relatou por telefone que a polícia tinha cercado a sua residência.
Contudo, o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) na província de Sofala, Dércio Chacate, disse que ainda estão a recolher informações localmente sobre o crime.
“Estamos no terreno a trabalhar no assunto, a qualquer altura vamo-nos pronunciar”, disse.
Trata-se do terceiro caso de baleamento mortal de membros do Podemos desde que se iniciaram os protestos pós-eleições gerais de 9 de outubro em Moçambique, em que já morreram cerca de 310 pessoas e mais de 600 foram baleadas, de acordo com dados da plataforma eleitoral Decide.
The death toll from political persecution has risen to 12.
These are people with political links to the opposition, specifically to PODEMOS and Venâncio Mondlane.
The most recent cases are that of a delegate in Búzi and a journalist in Nampula.#MozambiqueElections… pic.twitter.com/lhfK3ttZh7— Plataforma_decide (@PDecide23) January 16, 2025
Até agora extraparlamentar, o Podemos ascendeu a maior partido da oposição representado na Assembleia da República, com 43 deputados, depois de apoiar a candidatura presidencial de Venâncio Mondlane, que entretanto não reconhece os resultados das eleições gerais.
Contudo, as duas partes entraram em rutura após a decisão do partido em participar na posse dos deputados eleitos, na segunda-feira, contrariamente aos restantes partidos da oposição, Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e Movimento Democrático de Moçambique (MDM).