O Presidente do Panamá, José Raúl Mulino, respondeu, esta segunda-feira, ao novo Presidente norte-americano. No seu discurso de tomada de posse, Donald Trump prometeu que os Estados Unidos da América (EUA) vão recuperar o controlo do Canal do Panamá; contudo, o Chefe de Estado panamiano veio garantir que o “canal é continua a ser do Panamá”.

Num comunicado publicado no X (antigo Twitter) minutos depois de Donald Trump ter discursado, José Raúl Mulino assinala que recusa categoricamente as palavras de Donald Trump relativamente ao Panamá e ao seu canal. “Reitero o que já expressei numa mensagem à nação: o canal é e continuará a ser do Panamá e a sua administração terá controlo panamiano, respeitando a sua neutralidade permanente.”

Em resposta a sugestão de Donald Trump — que a China controla o canal e que a frota norte-americana está a ser prejudicada —, o Presidente do Panamá assegurou que “nenhuma nação do mundo interfere com a administração”. “O canal não foi uma concessão a ninguém”, atira ainda José Raúl Mulino, explicando que foi o “resultado de lutas geracionais que acabaram em 1999, resultante do tratado Torrijos-Carter”.

O Presidente do Panamá sublinhou ainda que o seu Governo exercerá “o direito, a dignidade e a força que o direito internacional dá” como forma ideal de gerir as relações entre países. “Sobretudo, entre países aliados e amigos, como demonstra a história e a nossa atuação em relação aos EUA”, frisou.

“O diálogo é sempre a via para aclarar os pontos mencionados sem menosprezar o nosso direito, soberania total e propriedade do nosso canal”, defendeu ainda José Raúl Mulino.

O Canal do Panamá foi construído pelos Estados Unidos, inaugurado em 1914 e administrado pelo Governo norte-americano até à sua transferência total para o Estado panamiano, em 31 de dezembro de 1999, pelos Tratados Torrijos-Carter, assinados pelo líder panamiano Omar Torrijos e pelo então Presidente norte-americano Jimmy Carter.