Certo dia, fugiu da escola para ver o canto espanhol Miguel Bosé, por quem se terá enamorado. Anos mais tarde, raspou-se do palácio para ir viver numa caravana de circo. De caminho, foi estrela pop, capa de revista, lançou uma coleção de fatos de banho, perfumes, e sobreviveu ao trágico acidente que matou a mãe sem nunca ceifar os piores rumores. Do outro lado do Atlântico quase casou com uma celebridade mas foi dentro do palácio que se perdeu de amores por um guarda-costas. O escândalo regressou às páginas das revistas quando o seu caminho se cruzou com um acrobata português.

Filha mais nova de Rainier e Grace do Mónaco, Stéphanie nasceu e foi educada como princesa, mas a relutância em seguir convenções foi uma realidade desde cedo, sem abdicar dos desejos pessoais. Na verdade, muito antes de Meghan Markle incomodar a realeza e rumar aos EUA, já a irmã mais nova de Alberto e Carolina, tentara seguir uma carreira à margem da família real — e cedo viu colado a si o rótulo de enfantterrible, um trajeto para recuperar em imagens na fotogaleria em cima.

A princesa e as origens

“Wild child”. Era com ternura que a mãe definia assim o espírito da mais jovem do palácio, reconhecendo e ajudando a cunhar uma irreverência que acompanharia o percurso da terceira a nascer, depois de Carolina, em 1957, e de Alberto, um ano depois. Apadrinhada pelo tio, John B. Kelly Jr, do lado materno, e pela prima Elisabeth-Anne de Massy, do lado paterno, Stéphanie nasceu em 1 de fevereiro de 1965, no palácio do príncipe, e foi educada no Mónaco, no colégio católico privado Dames de Saint-Maur. Seguiu depois para o Dupanloup, em Boulogne-Billancourt, em França, e obteve o bachelareto no Charles de Foucauld, em Neilly-sur-Seine.

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Durante os seus anos de aluna, a princesa estudou dança clássica e piano, e destacou-se no plano desportivo. Praticou ginástica (em 1978-1979, foi madrinha do Grand Prix de Gymnastique de Paris) e equitação em regime competitivo e chegou a participar do Camp Oneka, um acampamento de verão só para raparigas nas montanhas de Pocono, no nordeste da Pennsylvania, nos Estados Unidos, que a mãe e a irmã haviam já frequentado.

O porte atlético tornar-se-ia imagem de marca à medida que foi crescendo, sendo fã da nação e ski alpino. E é das Maurícias, destino no índico que a princesa frequenta com regularidade há décadas, que chega uma das suas imagens mais icónicas, a praticar ski aquático. “Quando venho aqui, é como se houvesse braços que me pegam e me fazem sentir que aqui está tudo bem e que posso relaxar.”, desabafou à Hello em 2017.

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Nos anos mais recentes, era possível vê-la na tribuna do AS Monaco, ao lado de outros membros da família, com o cachecol do clube local. Em setembro de 2018, passou pelo estádio Louis II para assistir ao embate contra o Atlético de Madrid, a contar para a Liga dos Campeões da UEFA. Uns meses antes, acompanhara o encontro da liga francesa frente ao St Etienne. E em janeiro de 2020, vimo-la mesmo no relvado, ao lado do ex-jogador francês Ludovic Giuly, a participar na cerimónia de lançamento da L1, com uma partida entre o Mónaco e o Paris Saint-Germain.

A princesa e o ano negro de 1982

“Eu não ia ao volante”. Em 2002, Stéphanie quebrava um longo silêncio e virava a mesa nas páginas da revista Paris Match. A princesa tentava enterrar em definitivo uma sombra que sempre pairou sobre um trágico episódio na história familiar e do principado: o acidente de automóvel que matou a sua mãe, a princesa Grace, quando esta se despistou numa das curvas apertadas que ligam a residência de fim de semana dos Grimaldi, em Roc Agel, ao palácio na cidade do Mónaco, e o carro acabou num precipício. Mãe e filha teriam bilhetes de comboio para rumar a Paris, onde se esperava que Stéphanie começasse as aulas.

Se testemunhas daquela manhã garantiam que era Grace quem dirigia o Rover, outras alegavam tê-la encontrado no banco de trás do carro, enquanto Stéphanie estaria na dianteira. “Na realidade, fui projetada dentro do carro, tal como a minha mãe, que foi catapultada para o banco de trás… A porta do passageiro foi completamente arrombada; saí pelo único lado acessível, o do motorista.”, recordou então. “Não aguento mais. Todas essas calúnias que foram ditas e escritas sustentaram um mistério inexistente.”, acrescentou à época, com 37 anos. “Parem! Deixem-me criar os meus filhos em tranquilidade e seguir em frente com minha própria vida em serenidade”.

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A antiga estrela de Hollywood não resistiu aos ferimentos, morrendo no dia seguinte, em 14 de setembro de 1982, aos 52 anos, quando se cumpriram as ordens de desligar as máquinas perante o seu estado irreversível. A filha, que tinha 17 anos, sofreu várias lesões, incluindo fraturas cervicais — e ao longo dos anos que se seguiriam não se livrou dos boatos, a começar por aquele que a colocava no lugar do condutor, ou que na altura do acidente a princesa e a mãe estariam embrenhadas numa acalorada discussão por causa dos planos de Stéphanie para se casar com o então namorado, o piloto Paul Belmondo, filho do ator Jean-Paul Belmondo.

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Um cortejo fúnebre com Stéphanie ausente © Getty Images

Sobre os detalhes da conversa que estaria a ter com a mãe naquela altura, a entrevistada recusou-se a abrir o jogo. Facto é que os acontecimentos mudaram para sempre a vida da benjamim do clã Grimaldi. A morte de Grace, que ganhara um Óscar em 1954 pela atuação em The Country Girl, e que desistiu de sua carreira para se casar com o príncipe Rainier, em 1956, foi recebida como uma bomba e alimentou toda a especulação possível. Os travões teriam falhado? Teria Grace confundido os pedais? E por que motivo dispensara o motorista naquele dia sabendo-se que já tinha apanhado um susto ao volante nos anos 70? (supostamente, o banco traseiro levava demasiada roupa e não havia espaço para todos). A hemorragia no cérebro que os peritos posteriormente detetaram teria sido causa ou consequência do acidente?

De resto, a própria condição de Grace Kelly não foi óbvia desde o começo, com fontes oficiais do palácio a começarem por garantir que a princesa estaria estável, acusando apenas uma perna clavícula e costelas partidas. O seu irmão, John Kelly, chegou a comentar que fora levado a acreditar que Grace estava livre de perigo. Mas para Grace fora mesmo a última viagem entre La Turbie e o Rochedo.

Dias depois, mundo fora, incluindo no país de origem da ex-atriz, haveriam de narrar as discretas cerimónias fúnebres, com uma Stéphanie ausente, ainda a recuperar no hospital. “O serviço de 75 minutos foi mais curto do que poderia ter sido, aparentemente por ordem do príncipe Rainier. Também terá resistido aos pedidos de televisão ao vivo e cedeu apenas quando limitações foram impostas à colocação de câmaras e luzes.”, contava então o The Washington Post. Cerca de 400 pessoas compareceram, incluindo a primeira-dama Nancy Reagan, a mulher do presidente francês François Mitterrand, Danielle, o ministro das Relações Exteriores da França, Claude Cheysson, membros da realeza europeia, um pequeno contingente de Hollywood, representantes do Mónaco, e Diana, a outra princesa que 15 anos depois haveria de encontrar a morte na estrada, num enredo capaz de rivalizar com este.

A princesa e os amores

Se ambas as filhas herdaram de Grace Kelly o carisma e a beleza, cada qual ao seu género, nenhuma terá tido uma vida amorosa tão estável quanto a mãe – que ainda assim viu a vida abreviada pelo inesperado acidente. Os mais supersticiosos podem sempre reativar a famosa maldição que remonta aos primórdios do principado. Reza a lenda que o príncipe Rainier I, que governou em 1200, agrediu sexualmente uma jovem, que acabou por ser transformar numa bruxa que enfeitiçou os Grimaldi, garantindo que nenhum dos descendentes do príncipe conseguisse uma vida amorosa feliz.

Para o bem ou para o mal, os romances dominaram boa parte da vida de Stéphanie e o respetivo interesse mediático, pelo menos até ao ponto em que ensaiou a sua retirada estratégica ocupando desde há vários anos um discreto lugar no quadro de família. Até oficializar o primeiro casamento, o trajeto deu pano para mangas e quase sempre terá contado com a desaprovação familiar. No começo dos anos 80, com 16 anos, a suposta relação com o cantor espanhol Miguel Bosé chegava às páginas do tabloide satírico Weekly World News. Citada na obra de Jeffrey Robinson, “Grace of Monaco: The True Story”, Stéphanie defendia que nunca desrespeitara a família ou o protocolo, limitando-se a viver a vida de “uma rapariga da minha idade”. Mas esta não era bem uma rapariga igual às outras.

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Com Paul Belmondo © Getty Images

Quando perdeu a mãe, Paul Belmondo fora o principal apoio, mas o assédio dos jornais haveria de ditar a necessária mudança de cenário. Em 1986, a princesa instalou-se em Los Angeles. Foi aí que conheceu e manteve uma relação intermitente com o ator Rob Lowe. Se Stéphanie procurava discrição e escapar aos rumores que envolviam o acidente da mãe, rapidamente voltou a ser notícia por esta associação. Terminado o namoro com Lowe, de volta à Europa, envolveu-se com o francês Mario Oliver Jutard, empresário da noite, antigo empregado de mesa com problemas na justiça, acusado de violar uma mulher em 1981. Em 2022, chegava a notícia de que tinha sido assassinado por ladrões na sua villa na República Dominicana.

Produtor de discos norte-americano, Ron Bloom foi o senhor que seguiu, e aparentemente oriundo de um contexto mais próximo do da princesa, mas em 1990 tudo terminava também. Pouco depois, Stéphanie ficava noiva do empresário Jean-Yves Le Fur mas nem chegaram a acertar data: de forma não menos relâmpago a filha de Rainier regressou sozinha aos EUA. Le Fur morreu em março de 2024, vítima de cancro no pâncreas.

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O casamento com Ducruet © Getty Images

No começo dos anos 90 o estado civil tornar-se-ia um pouco mais oficial, mas nem por isso sem uma nota de escândalo no seio do clã. Stéphanie apaixonara-se por Daniel Ducruet, então seu guarda-costas. Para adensar a trama, não só se tratava de um empregado dos Grimaldi como a respetiva namorada à época estaria grávida de seis meses. O cenário chegava e sobrava para dar dores de cabeça ao príncipe que não teve grande remédio quando a própria filha engravidou. Da relação nasceram Louis Robert Paul Ducruet, em 26 novembro de 1992 e Pauline Grace Maguy Ducruet, em 4 de maio de 1994.

Stéphanie conseguiu levar o casamento por diante mas o pai insistiu que Daniel assinasse um acordo pré-nupcial no qual renunciou aos direitos de custódia dos filhos e prometeu dominar o protocolo real. Sem grande aparato, o casamento resultou numa pequena cerimónia de caráter civil no palácio, em 1 de julho de 1995. Quanto ao vestido, até aqui Stéphanie desafiou convenções, optando por um modelo curto. No ano seguinte, viria a separação, com mais uma bomba pelo caminho. Ducruet acabou afastado do palácio e do próprio principado quando se envolveu com a Miss Nude Belgium. O casamento foi dissolvido em outubro daquele ano.

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Com os filhos Louis, Pauline e Camille, no casamento do irmão com a princesa Charlene © Getty Images

Foi com Jean-Raymond Gottlieb, um guarda do palácio, que Stéphanie refez a vida após o divórcio, e também aqui os contornos acrescentaram dramatismo à biografia. O relacionamento, que foi mantido em segredo e nunca confirmado oficialmente até há não muitos anos, deu origem à sua terceira gravidez. Camille Marie Kelly nasceu em 15 de julho de 1998 entre rumores sobre quem era o seu pai, identidade que à época Stéphanie se recusou a revelar na certidão de nascimento. A princesa tentava evitar o falatório mas só conseguiu adicionar combustível ao boato. No documentário “A Maldição dos Filhos de Grace Kelly”, o especialista em realeza Phil Dampier refere que Rainier chegou mesmo a banir a filha, encaminhando-a para um estância de ski até que a poeira assentasse.

A princesa e a moda

Será difícil ombrear com os níveis de elegância e bom gosto da mãe, e arriscamos escrever que a irmã Carolina se mantém imbatível neste particular. Mas a benjamim dos Grimaldi teria uma palavra a dizer também na moda, levando de novo mais longe a rebeldia da incursão. Em 1983, depois da recuperação física do acidente, Stéphanie entregou-se à direção do designer Marc Bohan, para um programa de estágio na maison Christian Dior. No ano a seguir, daria os primeiros passos como manequim. Chegados a 1985, era capa da edição alemã da Vogue e da americana Vanity Fair, e em 1986 seria a vez da Vogue francesa, fotografada por Helmut Newton. Nessa altura, lançou a Pool Position, uma linha de banho com Alix de la Comble, antiga colega de estágio. O evento de apresentação da coleção decorreu no Sporting Club do Monaco, assistido pelo pai e pelos irmãos. A década não terminaria sem ver lançado o seu perfume homónimo.

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Com Alix de la Comblea apresentarem a sua linha de banho © Getty Images

Para a galeria das memórias passam também looks para todos os gostos, mais disruptivos ou formais, como recomenda o protocolo em matéria de bailes no principado e aparições em dias históricos. Muitas pérolas saídas dos anos 80, com o colorido pop próprio da época, e descontração máxima sempre que a agenda o permitia. Para todos os efeitos, e ao contrário da irmã (e da sobrinha Charlotte), Stéphanie nunca foi propriamente princesa de se apresentar em tailleur Chanel, apesar de algumas aparições nas semanas da moda.

Mesmo nos eventos com presença de fotógrafos, é costume vê-la de forma bem mais descontraída do que outras princesas europeias, arredada de qualquer tipo de etiqueta real. Em 2006, por exemplo, num evento da Fight AIDS no principado, surgiu de calças de ganga e com uma blusa que deixava a descoberto o seu piercing no umbigo.

A princesa e a música

Se há vertente que a diferencia das jovens do seu tempo, e antes de mais das jovens da realeza que cresceram naqueles anos, é a música. Que outra miúda com uma vida banal tem o seu nome creditado num dueto com Michael Jackson? Em 1991, a irmã mais nova de Alberto e Carolina garantiu o seu lugar no álbum Dangerous. E em bom rigor, de todas as andanças que trilhou à margem dos constrangimentos reais, foi enquanto artista pop que mais sucesso obteve. “O tempo que passei com ele no estúdio para gravar essa música, lembro-me como um momento privilegiado em que conversamos muito”, chegou a comentar.

Por essa altura, ainda colhia os frutos do enorme triunfo criado pelo seu hit “Ouragan”, ou “Irresistible”, na versão inglesa. O tema foi o primeiro avanço do álbum de estúdio estreia da agora cantora, Besoin, lançado em 1986 através da Julisa and Carrere Records. Foi produzido por Yves Roze, editado em alguns países como Live Your Life or simplesmente Stéphanie, e ascendeu à sexta posição na tabela francesa de álbuns. Terá vendido qualquer coisa como 1.5 milhões de unidades, pelo menos 100 mil em solo francês, o equivalente a disco de ouro.

A princesa produziu ela própria a canção “Ouragan”, single que conseguiu superar as vendas do álbum, chegando sozinha aos dois milhões. Apesar dos bons indicadores nesta carreira entre a dance pop e a synthpop, o seu segundo e último disco só chegaria depois da passagem pelos EUA, em 1987, quando começou a trabalhar com Ron Bloom e assinou um contrato com a Sony Music. A Epic Records lançou o álbum Stéphanie na Europa mas o buzz em 1991 foi bastante inferior ao que se registara cinco anos antes. O primeiro single, “Winds of Chance”, filmado nas Ilhas Canárias, não conseguiu espelhar os anteriores, e nem a digressão lançada nesse ano pela Europa e América do Sul inverteu o desfecho. A aventura de Stéphanie na música ficaria por aqui.

A princesa e mais amores

Destaque obrigatório do calendário monegasco, o Festival de Circo é uma instituição que foi apenas interrompida em 1982, ano da morte de Grace Kelly. Enquanto foi vivo, o príncipe Rainier, que em jovem sonhou com as andanças circences, assumiu o papel de mestre de cerimónias do evento. Mas foi Stéphanie quem mais agitou as peças do tabuleiro neste particular.  A princesa tinha 37 anos quando conheceu a sua futura conexão: em 1997 entregou o prémio de melhor domador de animais a Franco Knie. O suíço, sexta geração de um clã que trabalhava com elefantes, era casado. Nem o estado civil nem o universo distante da vida no palácio impediu a princesa de se mudar para uma caravana em Zurique juntamente com os seus três filhos. Claudine, a mulher de Franco, ficou de tal forma arrasada que recusou todos os pedidos para se divorciar do marido. Em todo o caso, a relação de Stéphanie durou 18 meses. As dificuldades de adaptação dos filhos à nova escola e ao estilo de vida circense terão precipitado a separação, em 2002.

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Com Adans Lopez Peres © Getty Images

A ponte com o circo não se quebrou aqui. Aliás, a conexão seguinte veio do seio da própria companhia de Franco. Muito pouco se soube da relação entre a princesa, então com 38 anos, e o acrobata de origem portuguesa Adans Lopez Peres, de 29, mas chegaram mesmo a casar-se numa cerimónia restrita e privada na Suíça, sem familiares de ambos os lados. Aqui chegados, corria a ideia de que nos corredores do palácio a indignação de Rainier chegara ao topo. Acredita-se que tenha privado Stéphanie da sua fortuna milionária e removido a sua prole da linha de sucessão. Quando se divorciaram, em 2003, a princesa terá reconquistado os antigos privilégios.

A princesa, as causas, e o tempo de serenidade em família

Depois de anos intensos, escrutinados à exaustão nas páginas das revistas, um certo ocaso do mediatismo. Stéphanie parece ter desempenhado com gosto essa demarcação dos holofotes dos últimos anos. Um eclipse, interrompido aqui e ali por aparições públicas bem mais discretas, e formais, que em outros tempos, e para o qual muito também contribuiu a entrada em cena de outra figura magnética –pelo menos para a imprensa da especialidade, que passou a entreter-se com Charlene, a mulher de Alberto. De resto, desde os tempos de Peres que não voltou a ser associada a outro nome.

Os tempos de tranquilidade levam já algumas décadas. Em 2010, aos 40 anos, a agenda passou sobretudo a ser dedicada aos filhos. Stéphanie rumava então até Singapura para apoiar a filha, Pauline Ducruet, de 16 anos, nos Jogos Olímpicos da Juventude. A nadadora, que herdou da mãe o porte atlético, participava na prova de saltos para a água e afirmava-se como uma das esperanças para os Jogos Olímpicos de 2012, que viriam a realizar-se em Londres. Pauline seguia uma tradição familiar, que incluía o tio Alberto, outrora membro da equipa de bobsleigh, tendo participado cinco vezes nos Jogos Olímpicos de Inverno.

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Em novembro, com a filha Pauline © Getty Images

Apesar de dosear as suas aparições e intervenções públicas, ou talvez por isso mesmo, os momentos de exposição recentes de Stéphanie são acompanhados com particular interesse. Um bom exemplo chega de maio último, quando Stéphanie voltou por momentos aos tempo de manequim e se juntou a uma campanha para a marca de moda unissexo Alter Design, da sua filha Pauline. Fotografada no Méridien Beach Plaza, a filha conseguiu a proeza de reunir a família em peso, trazendo para a imagem o pai, Daniel, os irmãos, e a avó paterna.

Louis Ducruet tem estado ligado ao desporto, em particular no principado. Estagiou no AS Mónaco e nos últimos anos foi assistente do vice-presidente do clube. Atualmente, segundo o seu Linkedin, preside à Barbagiuans Monaco, uma organização desportiva de cariz solidário que reúne antigas glórias do futebol monesgasco e internacional, angariando fundos que revertem a favor da luta contra a Sida. Em 2023, a princesa tornou-se avó pela primeira vez.

Quanto a Camille, de 26 anos, há quem diga que as parecenças físicas a aproximam da avó que nunca chegou a conhecer — e soma mais de 100 mil seguidores seguidores no Instagram.

Para lá da moda, do circo ou da música, também Stéphanie abraçou até hoje inúmeras causas e preside a várias associações, incluindo a Monaco Youth Center, Princess Stephanie Activity Center, e é membro honorário do conselho da Princess Grace Foundation. Bom, do circo não se afastou por completo já que desde 2005 preside ao comité organizador do Festival Internacional de Circo de Monte-Carlo.

Segundo a sua biografia oficial, em 2003 criou a associação “Femmes face au Sida”, que em 2004 se tornou “Fight Aids Monaco”. No dia 10 de novembro de 2005, o Príncipe Alberto II concedeu-lhe a insígnia da Grã-Cruz da Ordem de Grimaldi, pelo seu envolvimento em ações humanitárias, em particular na luta contra o HIV/AIDS e em ações artísticas, pelo seu apoio às artes circenses através do Festival Internacional de Circo de Monte-Carlo, criado pelo Príncipe Rainier III. No ano seguinte, Stéphanie viajou pela primeira vez para as Nações Unidas em Nova York envolvida no combate ao HIV/AIDS, e tornou-se Embaixadora da Boa Vontade desta instituição. A dedicação à causa refletiu-se ainda na inauguração de uma casa abrigo para portadores da doença, em França.