Luís Marques Mendes considera que Pedro Nuno Santos mudou claramente de posição em matéria de imigração, mas relativiza a inversão no caminho até aqui seguido pelo líder socialista. “Tem todo o direito de mudar de opinião. É normal. Só as pessoas que não são inteligentes é que não mudam de opinião. E é uma mudança corajosa e positiva.”
No seu habitual espaço de comentário na SIC, o antigo líder social-democrata e protocandidato à Presidência da República defendeu que a crítica de Pedro Nuno Santos à herança deixada por António Costa é uma “evidência” e disse não perceber o alcance das críticas de que foi alvo o atual secretário-geral do PS. “É corajoso ele reconhecer isto”, notou Marques Mendes, antes de elogiar o socialista por recuperar o discurso do PS sobre imigração, algo que “favorece uma convergência” entre socialistas e sociais-democratas.
No entanto, Marques Mendes não deixou de sugerir que esta mudança de opinião de Pedro Nuno Santos pode estar relacionada com as próximas as eleições autárquicas, agendadas para setembro. “Os autarcas do PS têm alguma preocupação com esta matéria. Estão no terreno, ouvem e sentem. Há quem admita que possam ter sido os autarcas do PS a ajudar Pedro Nuno Santos a fazer esta mudança de opinião.”
O conselheiro de Estado falou também sobre o “malagate” e o caso a envolver o agora ex-deputado Miguel Arruda. “Tem um lado cómico, patético, e tem um lado sério e grave. Este deputado vai continuar a ser deputado? Acho isto inaceitável. Este comportamento é absolutamente censurável. Contamina a imagem dos deputados e do Parlamento. É mau para a democracia. O Parlamento devia ter mecanismos para obrigar o deputado a sair. Há 20 anos, cheguei a propor a criação de uma comissão técnica independente, quase senatorial, para avaliar estes casos. Infelizmente, não vingou”, recordou o comentador.
Marques Mendes falou ainda da polémica em torno dos despedimentos no Bloco de Esquerda. Para o conselheiro de Estado, há uma “incoerência” evidente entre aquilo que o partido defende publicamente e aquilo que faz dentro de casa. “O Bloco é sempre muito impiedoso a atacar as empresas quando há despedimentos. Dentro de caso, foi muito rápido a fazê-los. É uma hipocrisia.”
“É uma incoerência que não é a primeira vez que acontece. Há um anos aconteceu a mesma coisa com Ricardo Robles e a especulação imobiliária. O Bloco tem um problema: gosta muito de exibir uma grande superioridade moral e depois, dentro de casa, acaba por ter um comportamento rigorosamente igual ao que critica. Isto mina a credibilidade de um partido”, rematou.
Noutro tema, o social-democrata isentou Ana Paula Martins de responsabilidades no caso Gandra d’Almeida, sugerindo que o Ministério da Saúde teria muita dificuldade em perceber se havia ou não acumulação ilegal de funções. “O único grande responsável é mesmo Gandra d’Almeida.”
O conselheiro de Estado comentou ainda a escolha de Álvaro Santos Almeida como novo diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde. “Nestas circunstâncias, é uma boa escolha e adequada. Parece-me uma pessoa sensata e equilibrada. Claro que Álvaro Almeida já foi deputado do PSD, candidato à Câmara do Porto e uma pessoa política; mas sejamos francos: Fernando Araújo também era do Partido Socialista.”