Vítor Escária foi interrogado na manhã desta quinta-feira no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) no âmbito da inquérito extraído da Operação Influencer em que se investiga uma alegada violação do segredo de Estado. A confirmação foi dada por Amadeu Guerra, procurador-geral da República, em declarações aos jornalistas.

Segundo avançou entretanto a CNN e confirmou o Observador, o antigo chefe de gabinete do ex-primeiro-ministro António Costa foi mesmo constituído arguido neste processo, por suspeita da prática de crimes como acesso ilegítimo e eventual violação de segredo de Estado.

Escária terá declarado no interrogatório que a ‘pen’ estava no cofre do gabinete já desde o tempo do seu antecessor no cargo, Francisco André, atual embaixador da União Europeia no México, que, de acordo com a estação de televisão, deverá também ser constituído arguido.

Operação Influencer. Ministério Público abre novo inquérito por suspeitas de violação de segredo de Estado e do sigilo fiscal

Esta manhã, Amadeu Guerra deixou a garantia de que “vão ser ouvidas as pessoas necessárias” para se saber “a verdade”, em declarações aos jornalistas à margem da visita que realizou à comarca de Porto Este, em Penafiel.

“Estamos a investigar. A investigação tem a ver apenas com uma ‘pen’ que estava lá”, acrescentou, negando a existência de mais suportes informáticos como este na posse do MP neste processo. Por outro lado, admitiu as informações sobre a pista do MP relativamente a Marco Aragão, cidadão que já foi considerado inimputável em dois processos anteriores, sendo que no primeiro tinha acedido a dados da Segurança Social de polícias, espiões e magistrados.

“Está aqui subjacente um processo anterior de uma pessoa que foi já julgada. (…) Pode haver um relacionamento com isso. Não sei como se obtiveram os dados”, referiu, revelando que o MP já pediu esse processo para verificar as semelhanças com este caso: “Vamos averiguar isso, já pedimos o processo originário para fazer uma comparação, nas duas situações, o que aconteceu em concreto”.

Recorde-se que, tal como a revista Sábado noticiou — e o Observador confirmou —, na base da nova investigação nascida das buscas à residência oficial do primeiro-ministro a 7 de novembro de 2023 está uma ‘pen drive’ encontrada no gabinete de Vítor Escária, então chefe de gabinete do primeiro-ministro António Costa, na qual estarão dados de agentes do Serviço de Informações e Segurança (SIS), Serviço de Informações Estratégicas e Defesa (SIED), Polícia Judiciária (PJ) e Autoridade Tributária (AT).

Operação Influencer. Dados fiscais do diretor da PJ guardados na pen do gabinete de Escária: MP segue pista de inimputável

Os dados do diretor da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, e do ex-presidente do Instituto da Segurança Social (ISS), Rui Fiolhais, são apenas dois exemplos das informações sobre dezenas de polícias, espiões do Serviço de Informações de Segurança (SIS), agentes da Autoridade Tributária ou magistrados do Ministério Público guardados na pen encontrada num cofre no gabinete de Vítor Escária, antigo chefe de gabinete do ex-primeiro-ministro António Costa, segundo apurou o Observador.

A informação contida no dispositivo informático encontrado nas buscas de novembro de 2023, no âmbito da Operação Influencer, foi revelada esta quarta-feira pela revista Sábado e deu origem a um novo inquérito do Ministério Público (MP), por suspeitas da prática dos crimes de violação do segredo de Estado e do sigilo fiscal. Poderá estar ainda em causa um crime de acesso indevido, pelas declarações fiscais à AT e declarações de contribuições à Segurança Social armazenadas na pen.

A pen drive apreendida estava guardada num saco de plástico transparente, dentro de um cofre no gabinete de Vítor Escária, gabinete onde já tinham sido encontrados também cerca de 75 mil euros em dinheiro, guardados em envelopes e numa caixa de uma garrafa de champanhe.

(artigo atualizado às 14h10)