Cerca de 100 pessoas, entre jornalistas e membros da sociedade civil, foram espiados através de Whatsapp. Embora ainda não se saiba quem está por detrás do ataque, a popular aplicação de troca de mensagens (detida pela Meta) revelou ao jornal Guardian que foi utilizado um software de spyware da empresa israelita Paragon Solutions.

O que sabe é que os utilizadores afetados não clicaram em nenhum link malicioso. O Whatsapp revelou também que as pessoas espiadas foram avisadas para possíveis falhas de segurança nos telemóveis. A empresa recusou-se a divulgar onde os jornalistas e membros da sociedade civil visados estavam baseados, mas informou que os ataques pararam em dezembro (não tendo esclarecido quanto tempo duraram).

O software utilizado neste ataque — conhecido como Graphite — é similar ao mais mediatizado Pegasus, que já foi responsável pela espionagem de vários jornalistas e políticos europeus. O operador destes softwares consegue ter acesso total ao telemóvel das vítimas, incluindo a aplicações de trocas de mensagens encriptadas como o Whatsapp.

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O WhatsApp diz acreditar que os telemóveis dos visados foram infetados quando os utilizadores acederam a um ficheiro malicioso em formato pdf, enviado através de conversas de grupo, e diz também poder afirmar com “confiança” que a Paragon Solutions foi a responsável pelo ataque.

A Paragon Solutions é uma empresa israelita mas tem estreitas ligações com os Estados Unidos. A sede está instalada em Chantilly, no estado da Virgínia. Segundo a Reuters, a empresa dedica-se à venda de software de vigilância de ponta. No site da empresa, destaca-se o fornecimento de recursos cibernéticos e forenses para localizar e analisar dados digitais e serviços de análise de infraestrutura crítica e mitigação de ameaças.

Ao jornal Guardian, o Whatsapp garantiu que já enviou uma carta à Paragon, apelando a que a empresa pare e desista das ações de espionagem, e ameaçando com a instauração de processos legais. A empresa que pertence à Meta diz também que entrou em contacto com as pessoas afetadas e garante que “continuará a proteger a capacidade das pessoas de comunicarem de forma privada”.