Vadym Iermolaiev, o oligarca ucraniano visado numa explosão no Mónaco no passado dia 29 de junho, pronunciou-se pela primeira vez sobre o ataque, que classificou como “uma tentativa de homicídio” por parte dos serviços secretos ucranianos. A acusação contra o GUR foi feita numa carta aberta, publicada na passada terça-feira pelos seus advogados.
“Com base nas provas disponíveis, não temos dúvidas de que funcionários no ativo da direção de informações do Ministério da Defesa da Ucrânia, mais conhecida como o GUR, estiveram envolvidos nesta tentativa de assassinato”, pode ler-se na carta assinada pelo empresário, com nacionalidade ucraniana e cipriota. A justiça ucraniana tem retratado o ataque como um trabalho não autorizado por parte de um agente isolado da agência. Mas Iermolaiev contesta esta leitura, garantindo que a investigação revelou que a “conspiração ia além dos perpetradores e organizadores e incluía agentes do GUR, incluindo indivíduos próximos da atual e antiga liderança da agência“.
O oligarca garante que não dirige as suas acusações diretamente “à Ucrânia ou ao povo ucraniano”, mas apela a uma investigação “completa, independente e transparente” sobre o caso. “Se membros no ativo de uma agência utilizam as suas posições, recursos e redes para organizar uma tentativa de homicídio de uma família em solo europeu, então isto não é apenas um crime contra a minha família. É uma questão de segurança internacional“, elabora.
A carta aberta substituiu uma desejada declaração pública que Iermolaiev diz estar incapaz de realizar, uma vez que ainda se encontra internado nos cuidados intensivos. A companheira sofreu “ferimentos catastróficos e irreversíveis”, enquanto o filho do casal sofreu queimaduras, fraturas e outros ferimentos graves. “Isto não foi um aviso. Foi uma tentativa de homicídio. A nossa sobrevivência é um milagre”, remata.
Principal suspeita do ataque com bomba no Mónaco encontrada morta na Ucrânia
Mais de uma semana depois do ataque, Anastasia Berezovska, a principal suspeita, foi encontrada morta na Ucrânia. Um agente do GUR, Vladyslav Reut, e um antigo agente da autoridade, Oleksandr Zhykovych, foram presos e indiciados pela morte de Berezovska. Na semana passada, os dois foram presentes a tribunal, onde os procuradores ucranianos distanciaram as ações de Reut da agência, alegando que o agente escondeu qualquer ligação a Berezovska e agiu sem conhecimento das chefias, relata o The Guardian.
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