Foi anunciado esta sexta-feira e oficializado pelo Presidente dos Estados Unidos este sábado. Donald Trump assinou a ordem executiva que impõe tarifas às importações do Canadá, México e China. Os três já responderam, com o Canadá a anunciar um aumento recíproco das taxas alfandegárias.
O país vai assim avançar com a aplicação de tarifas aduaneiras de 25% ao Canadá e ao México e uma taxa adicional de 10% à China. Para o Canadá haverá uma exceção, aplicável ao petróleo e aos produtos energéticos, que serão sujeitos a uma taxa de 10%, “até que o Canadá coopere com os Estados Unidos na luta contra os traficantes de droga e na segurança das fronteiras”, lê-se numa publicação da Casa Branca na rede social X (antigo Twitter).
Segundo a canadiana CBC, as “potencialmente devastadoras” tarifas entrarão em vigor na próxima terça-feira. Mas a resposta canadiana não se fez esperar: Justin Trudeau anunciou o lançamento de tarifas equivalentes aplicadas nas importações vindas dos EUA: numa primeira fase vão ser aplicadas tarifas a produtos dos quais o Canadá compra 30 mil milhões de dólares por ano aos EUA. Antes do final de fevereiro, uma segunda fase de lançamento de tarifas irá incidir sobre importações (do Canadá, vindas dos EUA) no valor anual de 125 mil milhões de dólares.
“Não queremos fazer isto, não pedimos para fazer isto, mas não vamos baixar os braços na defesa dos canadianos”, afirmou o (ainda) chefe do governo canadiano. As taxas alfandegárias vão aplicar-se em produtos norte-americanos como cerveja, vinho, licores, fruta e sumos de fruta, legumes, perfumes, roupa e calçado, bem como eletrodomésticos, artigos desportivos e mobiliário. Também as importações de madeira e plásticos irá enfrentarão tarifas no comércio.
????President Donald Trump is taking decisive action to protect Americans from the fentanyl crisis. Fentanyl is the leading cause of death for Americans ages 18 to 45.
Today’s tariff announcement is necessary to hold China, Mexico, and Canada accountable for their promises to halt… pic.twitter.com/qY9X2wx9CT
— The White House (@WhiteHouse) February 1, 2025
A imposição destas tarifas, que estavam inicialmente previstas apenas para março, foi antecipada. A medida, diz Casa Branca, é tomada num contexto de emergência para “proteger os americanos da crise do fentanil”, que é “a principal causa de morte dos americanos com idades entre os 18 e os 43 anos”.
Os três países visados pelas tarifas, acrescenta a Casa Branca, são responsáveis por introduzir a droga nos EUA. “O anúncio destas tarifas é necessário para que a China, o México e o Canadá assumam responsabilidades pelas promessas de travar a entrada destas drogas nos Estados Unidos”.
Em resposta, o Canadá rejeitou as acusações de que uma grande parte do fentanil que entra nos EUA vem do Canadá – isso acontece com menos de 1% dessa droga que circula nos EUA, afirmou Justin Trudeau. “Aplicar tarifas no comércio externo não é a melhor forma de colaborarmos com o objetivo de salvar vidas”, afirmou o chefe do governo canadiano.
A Casa Branca passa a explicar que as tarifas impostas ao México serão aplicadas “até que o México coopere com os EUA na luta contra as drogas”. Refere que os cartéis mexicanos “são os líderes mundiais do tráfico de fentanil, metadona e outras drogas” e que estes cartéis “têm uma aliança com o governo do México e ameaçam a segurança nacional e a saúde pública dos Estados Unidos”. A mensagem é acompanhada por recortes de notícias sobre cartéis de droga mexicanos.
A Presidente do México, Claudia Sheinbaum, insurgiu-se contra a associação “caluniosa” entre o governo mexicano e os cartéis de droga. “Os problemas não se resolvem impondo tarifas, resolvem-se conversando”, defendeu a responsável, adiantando que deu instruções ao seu governo, em particular o ministro da Economia, para que prepare o lançamento de tarifas retaliatórias – igualmente de 25% nas importações de bens norte-americanos.
Já o Canadá será visado com taxas aduaneiras de 25%, com exceção para o petróleo e produtos energéticos, sobre os quais recairá uma taxa de 10%. Isto “até que o Canadá coopere com os EUA [na luta] contra os traficantes de droga e na segurança das fronteiras”.
A Casa Branca denuncia o aumento da produção de fentanil no Canadá, e refere que no ano passado entrou pela fronteira do norte a quantidade desta droga “suficiente para matar 9,8 milhões de americanos”. É ainda vincado pela Casa Branca que nos últimos quatro anos “as entradas ilegais pela fronteira canadiana atingiram novos níveis históricos todos os anos”.
A China também é um dos alvos do presidente norte-americano, com tarifas aduaneiras de 10% sobre as importações, “até que asseguremos total cooperação com o governo chinês na luta contra o fentanil”. A China, detalha a Casa Branca, “desempenha um papel central na crise do fetanil que está a destruir a vida nos norte-americanos”. E acrescenta: “o Partido Comunista Chinês subsidiou a exportação de fentanil por empresas químicas. A China não só falha em travar a fonte como ainda ajuda ativamente o negócio”, acusa a Casa Branca.
A declaração termina com uma “desmistificação” em relação ao impacto das tarifas nos consumidores. Que, segundo a Casa Branca, não existe. “Um estudo de 2024 sobre os efeitos das tarifas aplicadas no primeiro mandato da administração Trump concluiu que estas ‘fortaleceram a economia dos EUA’ e promoveram a ‘significativa relocalização’” de algumas indústrias.
Na rede social Truth Social, Trump enfatizou o motivo para a tomada desta decisão. A imposição de tarifas deve-se “à enorme ameaça” que representam os “imigrantes ilegais e as drogas mortais que matam os nossos cidadãos, incluindo o fentanil. Temos de proteger os americanos e é o meu dever enquanto Presidente assegurar a segurança de todos”, escreveu o Presidente dos EUA, sublinhando que está a cumprir uma promessa de campanha.
A China disse em comunicado que discorda da medida anunciada pelos EUA, opondo-se a elas de forma “firme”. Pequim, que já tinha sofrido a aplicação de tarifas no primeiro mandato de Trump (que Biden não retirou), diz que irá “tomar as necessárias contramedidas para defendeu os seus interesses e direitos legítimos”.
Segundo o Financial Times, que cita uma fonte da Casa Branca, cada ordem inclui uma “cláusula de retaliação” que significa que se algum país retaliar de alguma forma, os EUA poderão ir mais longe e aumentar as tarifas aduaneiras.