Portugal conseguiu voltar a passar uma fase preliminar apenas com vitórias, alcançou depois pela primeira vez o topo da main round, qualificou-se de forma histórica para os quartos do Mundial, chegou também às meias-finais da principal prova de seleções. Nunca tinha conseguido seis vitórias numa fase final, nunca tinha chegado à luta por uma medalha na competição. Se com a Dinamarca pelo acesso à decisão houve um encontro com pouca história e resumida à primeira parte, com a França tudo ficou reservado para a última jogada do encontro pelo bronze. António Areia não teve a melhor receção a um passe de Rui Silva, atirou com ângulo mais fechado, Rémi Desbonnet fechou a trajetória para segurar o 35-34 para a França. Apesar de ter conseguido o décimo pódio nos derradeiros 13 Campeonatos, o conjunto gaulês teve de sofrer para vergar uma Seleção apoiada por muitos amantes do andebol pela empatia criada por uma nova Geração de Ouro.

A Geração de Ouro vai ter de esperar pelo seu bronze: Portugal perde com França por um golo e acaba Mundial no quarto lugar

Houve um prémio de “consolação”. Gustavo Capdeville, com 11 defesas em 35 remates com uma eficácia de 42%, recebeu das mãos do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (que marcou presença em Oslo tal como o primeiro-ministro, Luís Montenegro), a distinção de MVP do encontro que teve Aymeric Minne como principal figura gaulesa com dez golos em 13 tentativas. Não seria o único, numa notícia que para a delegação nacional era esperada perante o impacto que os irmãos Costa tiveram na competição e no mundo do andebol internacional: Kiko, de 19 anos, ganhou o prémio de Melhor Jogador Jovem do Mundial.

“Com 54 golos e 22 assistências no Mundial, Francisco Costa é o melhor jogador jovem”, frisou a Federação Internacional de andebol, numa corrida onde estavam também o português Diogo Rêma, os espanhóis Ian Barrufet, Petar Cikusa e Djordje Cikusa, o suíço Gino Steenaerts e o checo Daniel Bláha. Há um número que não demorou a circular pelas redes sociais e que demonstra bem o que foi atingido por Kiko nesta edição do Mundial, o primeiro que fez nos seniores: acabou com 54 golos como o francês Dika Mem e teve a eficácia global de remate de 68% como o dinamarquês Mathias Gidsel (que marcara 64 golos até à final). Ponto curioso: o jogador do Sporting recebeu como prémio, além do reconhecimento e do galardão, um voucher de 5.000 euros por parte do Lidl, um dos principais patrocinadores da competição.

“É bom mas, para mim, era melhor a medalha de bronze”, comentou o esquerdino no final da partida, antes de mais um marco histórico na campanha nacional com a entrada de dois jogadores no Melhor Sete da prova com o irmão Martim e Victor Iturriza. “O que fez a diferença? Foram ali 30 segundos que fizeram a diferença mas isso não muda a nossa campanha. Claro que daqui em diante nós queremos fazer sempre isto, queremos estar nestes patamares, sabemos que somos bons”, comentou Kiko Costa à agência Lusa.

“Neste campeonato estivemos quase a ganhar uma medalha e certamente que nos próximos vamos lutar pelo mesmo. Fizemos um bom jogo, estivemos bem no ataque e os nossos guarda-redes ajudaram. Temos que continuar a crescer, foi bom para todos, mas, por mim, é pouco. Quero mais e vou lutar por muito mais. Somos a quarta melhor equipa do mundo e isso é bom, mas saio daqui com a sensação de que podia ter ganho uma medalha. Agora é voltar aos clubes, a outras competições, com outros jogadores, e lutar com o mesmo sentimento que é ganhar”, acrescentou o jovem lateral direito do Sporting.

“Se houvesse um bocadinho mais de justiça merecíamos um bocadinho mais a medalha, por tudo o que fizemos ao longo do campeonato. Por tudo o que aconteceu e fizemos até agora. Estou muito orgulhoso por trabalhar com este tipo de pessoas, que dão tudo pelo seu país, sem restrições. Estamos de consciência tranquila e com vontade de voltar. Quarto lugar, top 4, é um orgulho imenso. Não escondo que gostaria de levar a medalha mas isto acaba por ser uma diferença mínima o ter uma medalha ou não ter. Acabo por estar, de certa forma, feliz, triste por fora mas muito feliz por dentro”, frisou o selecionador Paulo Pereira.

“Não se pode comparar Portugal com a França, em termos de investimento que é feito no desporto, desde a base até ao topo, é David contra Golias. O que é facto é que só com um temperamento muito especial se pode chegar a estes resultados, que nem sempre se tem por diferentes razões e momentos. Mas, quando temos, podemos mover montanhas, como aconteceu neste campeonato”, completou o técnico.