Quando assumiu o comando do Manchester United depois da tentativa de adiar esse passo mais uns meses, Ruben Amorim poderia olhar para os red devils como uma equipa na fase de adolescência. A reputação não era colocada em causa, os resultados no passado falavam por si, a legião de fãs foi aumentando cada vez mais pela influência dos projetos de Sir Alex Ferguson, agora encontrava-se num momento de maior desvario com atenção difusa para tudo menos o essencial. Quase três meses depois, afinal, a fatura das constantes apostas falhadas era bem mais pesada. A adolescência, na verdade, mais parecia um par de anos. Por cada passo que a formação conseguia dar em frente, seguia-se um a cambalear para ao lado e mais um ou dois para trás. Até mesmo quando parecia que essa parte estava de vez aprendida, um, dois, três passos e… novo tombo.
Mais do que o resultado em si, a derrota caseira com o Crystal Palace e a própria incapacidade revelada para reagir à adversidade depois de algumas oportunidades falhadas que podiam mudar o cariz do encontro eram tudo menos o que o United e o próprio Amorim necessitavam – sendo que a isso ainda se juntou a grave Lesão de Lisandro Martínez, o novo “discípulo” que a par de Amad Diallo e Bruno Fernandes melhor foi aprendendo e assumindo a doutrina implementada pelo português. Pela primeira vez o antigo treinador do Sporting somou três vitórias consecutivas, pela quinta vez nos últimos jogos perdeu em pleno Old Trafford. Dentro de todos os problemas que a falta de tempo também impede que se resolvam, o United ganhara um problema extra: o Teatro dos Sonhos, um dos palcos mais temidos em Inglaterra, tornou-se permeável.
Another home game, another defeat for Ruben Amorim at Old Trafford in the Premier League ???? pic.twitter.com/UQVzclInMm
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Ready for business ????
Ruben Amorim has arrived at Old Trafford over five hours before kick-off ????️#EmiratesFACup pic.twitter.com/LPXVuWWoTh
— Emirates FA Cup (@EmiratesFACup) February 7, 2025
Seguia-se mais um jogo em casa, desta vez ainda com menos margem de erro por ser da Taça de Inglaterra, com a curiosidade de estar do outro lado o nome que levou à primeira decisão de Amorim no United: não ter na sua equipa técnica Ruud van Nistelrooy, que comandou de forma interina a equipa depois da saída de Erik ten Hag. “O mais importante para um treinador é ter uma equipa que compreenda a forma como quer jogar, os padrões que tem. Ele foi uma lenda neste clube, sabe o que é preciso para ganhar mas prefiro trabalhar com a equipa que me trouxe aqui. É evidente que isso é importante para eu perceber as minhas ideias, para explicar o mesmo aos jogadores. Sei como ganhar, independentemente do clube. Claro que estamos a perder, nestes momentos é preciso ter experiência, mas não estou perdido nem sinto falta de algo na equipa. Só precisamos de melhorar como equipa”, comentou o treinador português na antecâmara da partida.
Representatives from TRA met with Ruben Amorim at Old Trafford today, to deliver a token of our appreciation to him for how he has handled himself and the respect he has shown the Club and fans since joining. We then had a brief chat, where he was reassured that whatever happened… pic.twitter.com/5dlqhBsvSf
— TRA – The Red Army (MUFC) (@TraMufc) February 6, 2025
Em paralelo com o jogo em Old Trafford, que abria a quarta eliminatória da FA Cup, Ruben Amorim abordou o momento do Manchester United e o mercado muito modesto em janeiro apenas com a chegada de Patrick Dorgu do Lecce e do jovem Ayden Heaven do Arsenal. “O que sinto é que o clube está a levar o seu tempo. Sabemos a urgência do momento da equipa e toda a gente aqui não quer cometer os mesmos erros do passado. No verão, veremos, mas como disse, estamos a ter muito cuidado, porque cometemos algum erros no passado. Se o meu cargo está em risco se os resultados não melhorarem? Quando escolhi esta profissão, sabia os riscos dos resultados. Quando vim para aqui, vi o calendário, vi a equipa e sabia que a minha decisão de mudar tudo a meio da época, sem reforços, seria um risco para o treinador. Tenho uma ideia clara daquilo que quero e corro estes riscos porque, no final, vão compensar. Mas não sou ingénuo, já disse muitas vezes que este é um desporto de resultados e nós estamos numa situação difícil”, salientou.
Ruben Amorim on Man Utd's form this season ???? pic.twitter.com/7xWSnu6v3j
— Sky Sports Premier League (@SkySportsPL) February 7, 2025
“Acho que é um pouco mais difícil para mim do que para a Direção, porque a Direção já sabe. Expliquei todos os riscos. Expliquei tudo o que aconteceu à Direção, eles disseram o mesmo. Temos de começar agora. Estamos a fazer isso mas compreendo que, neste momento, com muitas derrotas, especialmente em casa, o ambiente é muito difícil. Sinto o apoio da Direção e não estou minimamente preocupado, só a dor da derrota é que é a coisa mais difícil de lidar. Isto vai ser assim, muito duro, até ao final da época. Estamos a correr riscos e queremos coisas diferentes na equipa. Quero melhorar jogadores e quero um certo tipo de jogadores com um perfil diferente, estamos a mudar isso no imediato”, acrescentou o técnico português, que entre esse lançamento da partida foi muito questionado sobre a saída de Marcus Rashford. A partir daí, em Old Trafford, a “luta” era entre o antecessor (interino) e o sucessor, com os aplausos a Ruud Van Nistelrooy a mostrarem como o antigo avançado neerlandês ainda goza de muito crédito entre os adeptos dos red devils.
Acabado de chegar a Inglaterra, Patrick Dorgu foi titular logo na estreia num onze com poucas ou nenhumas alterações a não ser a troca de posições entre jogadores: o reforço ex-Lecce começou na ala direita, Mazraoui passou na central do lado esquerdo em vez do lesionado Lisandro Martínez, Mainoo foi trocando de posição com Bruno Fernandes para a entrada de Höjlund no lugar de Garnacho. Amorim queria demonstrar que há uma base a ser feita e trabalhada para melhorar a situação mas a primeira parte voltou a deixar a desejar nesse capítulo. Aliás, isso e todo o jogo: muito disputado, algumas vezes mal jogado, com oportunidades que nasciam de bola parada ou em remates de meia distância. O intervalo parecia destinado a chegar com o nulo mas um golpe de sorte acabou por inverter essa tendência: Ndidi rematou em zona frontal, a defesa de Onana saiu para a frente e Bobby De Cordova-Reid, de passagem pela pequena área, encostou para o 1-0 (42′).
Ruud van Nistelrooy is welcomed back to Old Trafford ????️#EmiratesFACup pic.twitter.com/STG6hATyDj
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The speed of Patrick Dorgu to keep this in ⚡️#EmiratesFACup pic.twitter.com/IVPfyFq5LV
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Bobby De Cordova-Reid won't score an easier goal! ????@LCFC strike first at Old Trafford ????#EmiratesFACup pic.twitter.com/G8rAwsz2a6
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Logo ao intervalo, Ruben Amorim trocou Dorgu por Garnacho para revitalizar o flanco esquerdo. Não houve um impacto imediato mas, aos poucos, o encontro foi entrando numa zona onde poderia dar empate ou cair de vez para os visitantes. Aí, nessa fase mais “partida”, imperou a lei do argentino, primeiro a ver um remate após assistência de Bruno Fernandes ser desviado por Okoli para a trave (64′) e depois a estar na jogada do 1-1 marcado numa recarga na área por Zirkzee (67′). Garnacho voltaria a ficar perto do golo em dois lances, com um remate às malhas laterais (78′) e outro à figura de Mads Hermansen (88′) mas a reviravolta estava a chegar, com Bruno Fernandes a marcar um livre lateral do lado esquerdo com um corte fantástico na bola que encontrou Harry Maguire, a desviar de cabeça ao segundo poste para o 2-1 final num lance que, após algumas repetições, colocou o central em posição irregular… sem VAR (90+3′).
HOW HAS THIS NOT GOT IN!?
Caleb Okoli with an incredible clearance for @LCFC ????#EmiratesFACup pic.twitter.com/IIWZDptApH
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The wing play from Garnacho ⚡️
Zirkzee provides for @ManUtd in another big #EmiratesFACup moment ???? pic.twitter.com/pbo7kyasjQ
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MAGUUUUIIRRRREEEEE!!!
Harry Maguire wins it at the death for @ManUtd to send them through to fifth round ????#EmiratesFACup pic.twitter.com/kQscbRHnjw
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