2024 foi um ano exigente, admitiu Pedro Castro e Almeida, CEO do Santander Portugal, que apresentou lucros nesse ano de 990 milhões de euros, quase mil milhões.

“Foi um bom ano para Santander Portugal”, começa o gestor na conferência de imprensa de apresentação de resultados, realçando o crescimento no número de clientes.

Em 2023, os lucros tinham ficado nos 894,6 milhões de euros se consideradas as operações recorrentes. No consolidado, 2023 trouxe ao Santander Portugal tinha trazido um lucro acima de mil milhões, considerando esse valor os lucros caíram 3,9%.

“É muito difícil olhar para lá de um ano, mas mantemos uma dose saudável de otimismo para este ano, temperada com algum realismo e preparados para eventos de incerteza e volatilidade”, aponta Pedro Castro e Almeida, realçando que o Santander “tem capital, liquidez e vontade para continuar a apoiar a economia e nível de crescimentos muito bom. Estamos preparados para o que poder vir”.

Em 2024, a margem financeira subiu 6,6%, elevando o produto bancário aos dois mil milhões de euros. As comissões mantiveram-se estabilizadas. O crédito total a clientes (bruto) ascendeu a 50,3 mil milhões de euros (+12,9%), assumindo o Santander que foi pelo dinamismo do crédito à habitação e às empresas. Já os recursos de clientes cresceram 5,9% para 45,9 mil milhões de euros, “refletindo o crescimento dos depósitos de clientes (+5,4% em termos homólogos), assim como dos recursos fora de balanço (+8,1%).” Pedro Castro e Almeida salienta que a poupança dos portugueses tem sido direcionada para os depósitos, que têm remunerações assumidamente mais baixas, do que outros produtos, como fundos de investimento.

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“A nossa estratégia passa pelo crescimento orgânico”. No passado o Santander Portugal cresceu por via de aquisições (Totta, CPP, Banif, Popular) mas agora “não está na nossa linha futura fazer novas aquisições. Vamos continuar com o crescimento orgânico”. As palavras de Pedro Castro e Almeida sobre a venda do Novo Banco voltaram a ser reforçadas conforme as perguntas insistiam no assunto: “Acompanhamos o que se passa no mercado português. Olhámos no passado não para comprar. Não está no nosso radar fazer aquisições. A nossa estratégia é clara: crescimento orgânico”. Mais à frente na conferência de imprensa, a nova pergunta sobre o eventual interesse, deixou a ideia mais clara: “Não queremos comprar o Novo Banco”.

Sobre a venda do banco, e no valor de cinco mil milhões de euros que tem sido avançado e a possibilidade de haver uma oferta em bolsa para entrada do capital do Novo Banco, Castro e Almeida realçou não conhecer a origem do valor mas recorda que “não tenho visto muitos IPO de banca na Europa”, até porque um IPO não tem qualquer sinergia e as fusões têm. Mas isso “é opção do acionista”.

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Ainda assim vai atacando a eventualidade de a Caixa Geral de Depósitos poder entrar nesse processo de consolidação, um momento que já foi criticado por Mário Centeno, governador do Banco de Portugal, sugerindo que a junção dos dois bancos traria riscos sistémicos. “Não sei o que quererá dizer”, mas vai acrescentando: “Num panorama europeu poder comprar um banco a ficar com mais de um terço do mercado… Cabe às autoridades nacionais e europeias pronunciarem-se e aos portugueses achar se querem ter o mercado com mais de um terço nas mãos de um banco”.

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Créditos à habitação com garantia pública pesa 10% da produção de janeiro

O Santander Portugal tem a maior quota na garantia pública. Em dois anos pode permitir que sejam dadas garantias no total de 259 milhões de euros, o que permite conceder 1,7 mil milhões de créditos à habitação até dezembro de 2026 com garantia pública.

Neste momento foram 2,5 mil os pedidos para um total de crédito de 500 milhões de euros. Ou seja, 30% do total que o Santander está autorizado a dar. Estão 40 milhões escriturados. O que representou 10% da produção de janeiro, salienta Manuel Prieto, administrador do Santander. O peso na produção mensal poderá elevar-se nos próximos meses.

A taxa de aprovação, face aos pedidos, é de 90%, salienta, garantindo que os spreads nestes créditos concedidos a 100% em relação ao valor da casa estão alinhados com os spreads médios de contratos sem garantia. “Não há diferenciação das condições comerciais”, garante. A taxa de esforço dos jovens que contraíram estes créditos também está em linha com a média, na casa dos 35%, “enquadradas nas recomendações macroprudenciais”. O valor médio das operações é de 190 mil euros, superior aos contratos genéricos.

Pedro Castro e Almeida aproveita a temática para realçar que estas medidas atuam no lado da procura, quando existe em Portugal, no seu entender, um problema de oferta de casas.