Quando Samu assistiu Danny Namaso na área para o empate no quarto de cinco minutos de descontos, deu-se uma explosão no banco do FC Porto. À cabeça, Martín Anselmi. O treinador argentino fazia a estreia como líder dos azuis e brancos no Dragão depois da vitória na Sérvia com o Maccabi Telavive e do empate em Vila do Conde com o Rio Ave e entrou em completa erupção com o 1-1, saltando dentro e fora da zona técnica a festejar o derradeiro suspiro portista antes do polémico final do clássico com cartões vermelhos à mistura. Antes, o antigo técnico do Cruz Azul tinha tirado o casaco, vestido o casaco, aberto o blazer e fechado um botão do blazer fugindo com a emoção a uma noite fria na Invicta. A igualdade ficou como mal menor.

As “friday night lights” de um jogo que teve luz, mas nunca foi iluminado (a crónica do FC Porto-Sporting)

À semelhança do que acontecera nos três clássicos anteriores ainda com Vítor Bruno, o FC Porto voltou a não conseguir chegar em vantagem ao intervalo (neste caso, saindo mesmo a perder com o golo de Fresneda). Mais do que isso, os azuis e brancos saíram pela quinta jornada consecutiva na Liga em desvantagem, numa série que começou com o Nacional e passou por Gil Vicente, Santa Clara, Rio Ave e agora o Sporting. Mesmo sem terem feito um bom jogo, os dragões conseguiram ainda resgatar um empate depois de uma segunda parte com mais remates e cantos, mantendo os oito pontos de desvantagem para os leões (que são nove, pela desvantagem no confronto direto) e podendo ficar a quatro do Benfica caso vença o Moreirense.

Pela forma como o empate foi averbado, ficou um sabor quase a vitória – da mesma forma como na última temporada, num clássico realizado no dia seguinte à eleição de André Villas-Boas como presidente do FC Porto, a igualdade com dois golos de Gyökeres num minuto na parte final soube a derrota. No entanto, o registo que fica é tudo menos positivo: os dragões averbaram a quinta jornada consecutiva sem triunfos na Liga e ainda não ganharam em 2025 na principal competição nacional, adensando um jejum de tal forma grande em termos históricos que atravessa todo o reinado de 42 anos de Pinto da Costa na liderança.

Após o empate com o Santa Clara, que se seguiu às quatro derrotas seguidas com Sporting (Taça da Liga), Nacional (Campeonato), Gil Vicente (Campeonato) e Olympiacos (Liga Europa), o FC Porto teve apenas a terceira série com cinco encontros consecutivos sem vitórias, algo que em 46 anos tinha acontecido apenas em 2016/17 quando Nuno Espírito Santo era treinador e em 2004/05 com Victor Fernández no comando. Agora, perante cinco jornadas seguidas sem triunfos, é preciso recuar até 1981 para encontrar uma série semelhante (neste caso com cinco igualdades) quando o presidente era ainda… Américo de Sá.

“Acho que foi um jogo difícil mas não merecíamos perder pontos. Tivemos mais posse de bola, mais remates e foi uma pena perder pontos. Temos que trabalhar e continuar a tentar o nosso máximo. O que o treinador pediu quando entrei? Foi pedido que entrasse de forma inteligente e tentasse marcar. Colocou dois jogadores na frente e bolas na profundidade. Tentar marcar, e Graças a Deus, consegui. Sabemos que jogamos pelo público também, é sempre difícil quando vem um novo treinador e com novas ideias. Estamos a tentar dar a volta a este período. Campeonato perdido? Não, temos consciência que todos os jogos até ao final são finais. É só trabalhar e achar que vamos melhorar este momento”, comentou Danny Namaso, avançado que voltou a marcar num clássico depois do golo ao Benfica no ano passado, na flash interview da SportTV.