Não é normal fazer sete jogos em apenas 25 dias, também não é normal ganhar apenas duas vezes ao longo dessa série com mais três empates e duas derrotas na Liga dos Campeões. Ainda assim, todos esses números acabaram por ser quase secundarizados perante a “anormalidade” de jogo do Sporting frente ao Arouca em Alvalade. Quase como uma lei de Murphy, os leões perderam St. Juste e Daniel Bragança por lesão nos 15 minutos iniciais, sofreram um autogolo caricato para os apanhados, foram a perder para o intervalo com um penálti muito contestado nos descontos, ficaram reduzidos a dez jogadores com a expulsão de Hjulmand a meia hora do final, viram Gyökeres falhar a reviravolta sozinho na pequena área na compensação. No final. a igualdade a dois não tirou a liderança ao conjunto verde e branco mas reduziu ainda mais a vantagem.

As mãos na cara que já não são a máscara de Gyökeres (a crónica do Sporting-Arouca)

Contas feitas, o Sporting voltou a ter uma série de três jogos sem vitórias como não acontecia há dois meses (empate com FC Porto, derrota com B. Dortmund, empate com Arouca). Os dois golos de Conrad Harder e Francisco Trincão aumentaram para 90 em 38 partidas em 2024/25, numa média de 3,27 por jogo, mas o facto é que novo deslize em Alvalade fez com que os leões cheguem à 22.ª jornada com mais pontos perdidos (14) do que em toda a última temporada (12). No final, entre o amargo de mais uma igualdade, houve palavras que valorizaram o jogo do Arouca mas também algumas críticas à arbitragem de Miguel Nogueira.

“É um jogo muito estranho. Uma primeira parte em que não entrámos bem, acabámos por dar confiança ao Arouca num golo surreal que não pode acontecer. Fomos perdendo equilíbrio. O Arouca, uma equipa muito pressionante, aproveitou essa insegurança. Aos poucos fomos crescendo. O Arouca apanhou-se novamente a vencer num lance em que há centenas iguais, pena só às vezes se lembrarem de marcar esse lances… Foi uma primeira parte muito emotiva. Na segunda entrámos muito bem, mas depois fica manchada e estragada com a expulsão do Morten [Hjulmand]. Depois foi correr atrás do prejuízo. É valorizar o que os rapazes conseguiram fazer. Foi um jogo muito impróprio mas seguimos o nosso caminho esta temporada”, apontou Rui Borges na zona de entrevistas rápidas da SportTV após o encontro.

“Gyökeres? Corremos algum risco porque vem de uma lesão como toda a gente sabe e diz. Jogou, acabou por não ser feliz a marcar. Corremos esse risco, felizmente correu bem porque o jogador acabou bem. Só apenas cansado. Lamentar as lesões, principalmente a do Dani [Bragança], que pode ser mais delicado. Benfica mais próximo? A diferença diz que somos primeiros, ainda. Temos que estar focados. Temos que lutar imenso para sermos campeões mas esta equipa vai bater-se com muita valentia. Iremos ser felizes no fim, tenho a certeza”, prometeu o técnico leonino, antes de deixar mais tarde um “reparo” a Jeremiah St. Juste.

“Parecia que ele estava desconfortável mas tem que mudar o pensamento. Tem que passar a informação que não está bem e não passou. Tem que ser mais inteligente nesse sentido. Mais do que valorizar o autogolo, é valorizar a entrega da equipa. Foram muitas contrariedades mas dentro delas a equipa deu uma resposta muito boa. Os jogadores acabaram de rastos. Podíamos ter ganho, mas também podíamos ter perdido. É um ponto. Seguimos em frente”, referiu na conferência de imprensa Rui Borges.

Também Conrad Harder, eleito MVP do jogo para a Liga, lamentou o empate e falou de um adversário que foi complicando a tarefa do Sporting. “MVP? “Preferia a vitória, o mais importante é a equipa e a vitória. Foi difícil. Tivemos algo contra nós o jogo todo mas mostrámos quem somos e lutámos até ao fim. Conseguimos um ponto. Não é suficiente mas o espírito da equipa é muito bom. Vamos lutar até ao fim. Aproximação do Benfica? Nada está acabado. Vamos lutar até ao fim, depois vemos o que acontece. Jogar com Gyökeres? Jogo apenas quando o treinador me chama. Dou sempre o meu melhor, esteja o Viktor ou não em campo. Mensagem para os adeptos? Vamos lutar até ao fim”, assegurou o avançado dinamarquês.