Começou mal, foi correndo pior, consegue piorar a cada semana que passa. Sem dez jogadores por lesão, o que castra ainda mais as tentativas de redenção da pior temporada de sempre, o Manchester United voltou a perder para a Premier League na deslocação a Londres para defrontar o Tottenham e afundou-se um pouco mais na tabela classificativa, ocupando agora um “anormal” 15.º lugar com apenas 29 pontos em 25 partidas realizadas. Por cada número que apareça, mais um registo negativo é batido. E foi a partir dessa perspetiva que a imprensa inglesa analisou esta fase dos red devils, não poupando o trajeto de Ruben Amorim.
Contas feitas, e olhando para as últimas 12 partidas na competição, o técnico português sofreu oito desaires, tendo apenas mais três vitórias e um empate depois de um arranque a empatar com o Ipswich e a golear em Old Trafford o Everton. Aliás, desde essa derrota frente ao Arsenal em Londres com as bolas paradas a serem o calcanhar de Aquiles do conjunto do Manchester, apenas Southampton e Leicester somaram menos pontos do que os red devils. Contas feitas, juntando também a era Erik ten Hag neste caso, são 29 pontos em 25 rondas, com 12 derrotas como não acontecia desde 1973/74 – quando 13 desaires ditaram… a descida.
It's been a tough start to life at Manchester United for Ruben Amorim ???? pic.twitter.com/6CE1Fvwa6c
— Sky Sports Premier League (@SkySportsPL) February 16, 2025
A BBC Sport é mais exaustiva na análise: 29 pontos à 25.ª jornada é a pior prestação de sempre do clube na Premier League, a atual média de pontos de 1,16 por jogo significaria o pior desempenho de sempre e Ruben está nesta altura com a pior percentagem de vitórias entre todos os treinadores que foram passando por Old Traffor desde a saída de Alex Ferguson em 2013, com 43% de sucesso (nove vitórias, três empates e nove derrotas em 21 encontros) atrás de Louis van Gaal (48%), José Mourinho (52%), David Moyes (57%), Erik ten Hag (67%) e Ole Gunnar Solskjaer (71%). Uma das justificações para isso passa pelo desempenho da equipa em termos ofensivos, com os 28 golos em 25 jogos a serem o quinto pior ataque da prova.
[No podcast “Pequenas Reivindicações de Liberdade“, a paciência da pessoa convidada é sempre posta à prova e nada a impede de abandonar o estúdio — mas o que está dito, está dito. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]
Ruben Amorim's win rate in the Premier League compared to Man Utd's last five permanent managers ???????? pic.twitter.com/bsc8W5fkwR
— LiveScore (@livescore) February 16, 2025
“A única diferença neste jogos foi que o Tottenham marcou e nós não conseguimos marcar. Tivemos duas grandes oportunidades e a diferença faz-se por isso. Na segunda parte tentámos, sofremos algumas transições e tivemos algumas ocasiões. O jogo dividiu mas no fim a diferença foi o golo marcado. Preparação com tantos lesionados? É o normal, todos os jogadores passam por isso. Fomos alterando a estratégia de dia para dia porque íamos perdendo jogadores. Andamos há tanto tempo a pedir uma semana grande para treinar e depois lesões, jogadores sozinhos, pancadas… Acontece a todos os treinadores. É seguir em frente”, comentou o treinador português depois da derrota frente ao Tottenham num jogo em aberto até ao final.
Here's Ruben Amorim's post-match reaction.#MUFC || #TOTMUN
— Manchester United (@ManUtd) February 16, 2025
“Foco na paragem para seleções? O foco é no próximo jogo. Nós temos que terminar a época. Sabemos que está muito difícil, cada vez há mais problemas mas a vida de treinador é mesmo assim. Jogadores jovens? São os jogadores que temos aqui e também faz parte do treinador de uma equipa principal, quando tem espaço trabalhar os jovens. Isso é uma coisa que gosto de fazer”, acrescentou Ruben Amorim à DAZN, explicando ainda que só mexeu na equipa em cima do minuto 90 por sentir que o golo estava “próximo”.
Maddison com uma flecha certeira ????
???????????????????????????? @premierleague | @SpursOfficial 1 x 0 @ManUtd#DAZNPremier pic.twitter.com/1YDnF40uwe
— DAZN Portugal (@DAZNPortugal) February 16, 2025
Entre os antigos jogadores que são hoje comentadores, sobram sobretudo dúvidas em relação ao rumo que a campanha do português no Manchester United está a levar. “A distância entres dois médios do United é completamente errada. Vejam onde estão o Bruno Fernandes e o Casemiro. Isto quebra todas as regras do futebol. É uma loucura absoluta. A estrutura da equipa é horrível, os dois médios estão separados. É embaraçoso, não se vê isto nem nos Sub-9. Vejam aquele espaço no meio-campo, chocante”, atirou Gary Neville, antigo capitão dos red devils e da seleção inglesa, em declarações à Sky Sports. “O Amorim está realmente zangado, está a gritar com quem está no banco. Mas não entendo porquê, o maior problema que vejo é a forma como ele montou a equipa…”, acrescentou ainda o antigo defesa direito inglês.
???? Presenting today's United XI ????#MUFC || #TOTMUN
— Manchester United (@ManUtd) February 16, 2025
“Quando ele disse que esta é a pior equipa da história do Manchester United, fossem quais fossem as palavras exatas… O que ele não entende é que faz manchetes todas as semanas. Com tudo isto só está a tornar as coisas mais difíceis para si próprio. Se ele não gosta de um jogador, se não gosta do Rashford, é uma decisão dele. Enquanto comentadores aceitamos, é uma decisão dele, respeitamos. Mas tudo o resto faz com que ele torne tudo mais difícil para si próprio. Não entende o que está a fazer porque é tudo um caos. É caótico. Fala-se no Sporting e pode dizer-se o que se quer quando se ganha mas, sem desrespeito pelo Sporting, não está ao nível de um clube como o Manchester United. Não digo que deva focar-se mais no futebol mas tem de parar de dar [à imprensa] histórias maiores do que as que realmente já existem”, referiu Micah Richards, outro antigo internacional mas do Manchester City no podcast The Rest is Football.
Ruben Amorim's Premier League record since arriving at Manchester United! ????
• 14 games
• 4 wins
• 8 losses
• 2 draws pic.twitter.com/2MjWG5lqTU— TheEuropeanLad (@TheEuropeanLad) February 16, 2025
“Foi um jogo sem qualidade, com duas equipas medianas, mas é um grande resultado para o Tottenham. A situação não está a melhorar para o Manchester United e eles não parecem uma equipa. Gosto do treinador, gosto do que ele diz e do seu comportamento, mas não gosto da equipa. E é difícil ver as coisas melhorarem”, resumiu Michael Owen, antigo avançado de Liverpool, Real Madrid e Inglaterra.